Janeiro

Janeiro, o princípio, primeiro mês do ano, o recomeço. Tem esse nome em referência ao deus Jano, normalmente representado com duas faces olhando para direções diferentes, opostas.

O último post feito no blog é datado de março de 2015. Tenho a prática de me lamentar pela ausência na escrita. Não farei mais isso, embora acabo de ter feito. Me refiro a lamentar, mas também a me ausentar, embora não tenha certeza. A certeza, embora se crê, não é certa. Acredito que nada é certo. E isso inclui, portanto, essa crença. Enfim.

Das cabeça com duas faces, dos olhares para diferentes lugares. Na contradição entre vontade e necessidade. O que são necessidades? Vontade? E a vida passa. Tenho um caderno que trouxe comigo, na verdade uma agenda que comprei em promoção ainda em Santa Cruz, antes de mudar para Porto Alegre – pois era uma agenda vencida, do ano que havia passado. Pensei nessa agenda como um diário, seria usada provavelmente para uma viagem que faria, provavelmente de bicicleta. Anos depois a viagem seria de kombi, a Dona Sofia. Já não tenho mais a kombi. Ainda tenho a bicicleta. Já tenho 32 anos. E a vontade de viajar.

Em algum momento uma das faces tomou conta da vida. Quantas faces? Arquétipos? Sem lamentações. Me presenciei aqui em texto pela presença, pelo ato, pela ação. Esperar o momento certo para escrever enquanto a vida te mastiga. Não hoje. Nada é certo.

Enfim. É janeiro, começo, não fim. Mas todos os fins são, em potência, começos.

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