{"id":14,"date":"2009-08-31T15:47:00","date_gmt":"2009-08-31T15:47:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2016-01-17T20:17:01","modified_gmt":"2016-01-17T20:17:01","slug":"retorno","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/retorno\/","title":{"rendered":"Retorno"},"content":{"rendered":"<p>Freq\u00fcentemente me reporto a imagem de um retorno ante a si: ao que s\u00e9 \u00e9, ao que se foi, ao como se sente, se percebe, e se percebe pelos outros, ou de quais s\u00e3o esses mecanismos que, talvez ao modo de um espelho, nos aponto uma determinada forma de ser e estar consigo e com os outros no mundo.<\/p>\n<p>Penso em um retorno, que n\u00e3o se distancia do eterno retorno de Nietzsche, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o o \u00e9. Retorno: tornar-se a si, n\u00e3o bem como um espelho, por sua car\u00eancia de perspectiva, mas como um esp\u00edrito que sobrevoa o corpo, mas o corpo ainda em vida. Ou a exemplo da fic\u00e7\u00e3o em filmes como \u201cDe volta para o futuro\u201d, onde pode se encontrar em um dado momento hist\u00f3rico e se observar.<\/p>\n<p>A brevidade desta quest\u00e3o nos incursos de meus pensamentos e estudos n\u00e3o permitiram um estratifica\u00e7\u00e3o de possibilidades e formas, mas uma solta an\u00e1lise do poss\u00edvel. Das mais consistentes, no sentido do estudo, est\u00e1 a arte, como possibilidade deste retorno. Como a cr\u00edtica que p\u00f5e em crise este ser no encontro com a arte. Como o riso, que do outro, com o outro, enquanto ri de si. Mas outras formas tamb\u00e9m s\u00e3o elaboradas de acordo com o seu campo de estudo, na psicologia, ou na fisioterapia, entre outros, de acordo com seu plano de iman\u00eancia.<\/p>\n<p>Plano de iman\u00eancia, Deleuze e Guattari, O que \u00e9 a Filosofia?<\/p>\n<p>A filosofia tamb\u00e9m pensa esse retorno. Talvez seja este o tema mais recorrente, o motivo da filosofia ser filosofia: as inquieta\u00e7\u00f5es ante o mundo, mas principalmente ante a si, pois o mundo passa por si antes de ser mundo.<\/p>\n<p>Mas de alguma forma, me parece que este retorno, na psicologia, fisioterapia, filosofia, ou outros campos de estudo, buscam uma neutralidade, transpondo este retorno n\u00e3o a si, mas ao outro, como um exemplar humano, que incluiria tamb\u00e9m a si. Se estuda, se pensa, se analisa o outro, mas com um distanciamento que n\u00e3o toca diretamente a si, a n\u00e3o ser num segundo momento, quando se pensa as teorias e suas implica\u00e7\u00f5es sobre si.<\/p>\n<p>Este retorno que penso, n\u00e3o se daria sem um soco na boca do est\u00f4mago, ou uma rasteira num tombo de muito mal jeito. N\u00e3o seria sem uma falta moment\u00e2nea de ar, at\u00e9 quase o desmaio. N\u00e3o seria se n\u00e3o algo intenso, como uma tal desestabiliza\u00e7\u00e3o do ser, que se n\u00e3o levasse a loucura, o levaria para um outro plano, n\u00e3o necessariamente mais superior, mas, no m\u00ednimo, mais intenso. Com a intensidade do olhar no olho, da pele com a pele, do corpo-a-corpo: mas trata-se do mesmo corpo. Era esse risco da loucura, que fazia com que os personagens do filme n\u00e3o se permitissem encontrar consigo, no passado ou futuro.<\/p>\n<p>Continuo com a arte, continuo tendo nela uma forma desse retorno. Mas tamb\u00e9m penso no oriente, na medita\u00e7\u00e3o. Como tamb\u00e9m n\u00e3o descarto os alucin\u00f3genos, as drogas, embora esses possam levar a uma desterritorializa\u00e7\u00e3o t\u00e3o intensa, que n\u00e3o permita um resto de terra, onde se reconstruir, se territorializar depois. Um queda demasiado grande, onde se desceria em termos intensivos ou energ\u00e9tico, em pot\u00eancia, ap\u00f3s o efeito desse agente externo.<br \/><em><\/em><br \/><em>Voltar-se-para n\u00e3o implica somente se desviar, mas enfrentar, voltar-se, retornar, perder-se, apagar-se.<\/em> (Deleuze e Guattari, O que \u00e9 a Filosofia? P. 55)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Freq\u00fcentemente me reporto a imagem de um retorno ante a si: ao que s\u00e9 \u00e9, ao que se foi, ao como se sente, se percebe, e se percebe pelos outros, ou de quais s\u00e3o esses mecanismos que, talvez ao modo de um espelho, nos aponto uma determinada forma de ser e estar consigo e com &hellip; <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/retorno\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Retorno&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-14","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62,"href":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14\/revisions\/62"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}