{"id":43,"date":"2009-03-12T03:28:00","date_gmt":"2009-03-12T03:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/2009\/03\/12\/rasteira-o-chao-e-o-limite-as-possibilidades-o-ser-a-vida\/"},"modified":"2009-03-12T03:28:00","modified_gmt":"2009-03-12T03:28:00","slug":"rasteira-o-chao-e-o-limite-as-possibilidades-o-ser-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/rasteira-o-chao-e-o-limite-as-possibilidades-o-ser-a-vida\/","title":{"rendered":"Rasteira: o ch\u00e3o \u00e9 o limite: as possibilidades: o ser: a vida:::::::::::::::::::&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;."},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><span style=\"font-family:arial;\"><\/p>\n<p>\u00c9 parte do existir, do ser ante a sociedade, que se saiba de si, dos outros, do mundo, algumas coisas: quem \u00e9, o que pensa da vida, o que \u00e9 certo e errado e demais informa\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es. H\u00e1 a\u00ed alguns buracos, tapados com afirma\u00e7\u00f5es. Um queijo su\u00ed\u00e7o. Quem se coloca em p\u00e9, se n\u00e3o souber responder prontamente tais perguntas?<br \/>Aprendemos a ter certezas das coisas. A saber que isto \u00e9 isto, e se n\u00e3o \u00e9 isto, \u00e9 aquilo. Sim ou n\u00e3o. Bem ou mal. 0 ou 1: l\u00f3gica bin\u00e1ria. E no primeiro apontamento destas falsas obviedades, destas verdades mentirosas, num primeiro encontro com o paradoxo das rela\u00e7\u00f5es (entre mundo e palavras) buscamos nas experi\u00eancias, as certezas para negar o que est\u00e1 na cara: n\u00e3o adianta, sempre haver\u00e1 uma rasteira, acostume-se a ficar perto do ch\u00e3o.<br \/>No ch\u00e3o est\u00e1 a verdade. E a verdade \u00e9: esque\u00e7a as verdades! Aceite os paradoxos: nunca diga nunca, veja o que n\u00e3o pode ser visto, escute o que n\u00e3o \u00e9 dito. N\u00e3o h\u00e1 matriz: suas refer\u00eancias podem ser importantes, um porto para n\u00e3o ficar a deriva, mas as vezes \u00e9 importante se soltar nas \u00e1guas.<br \/>Ch\u00e3o, \u00e1gua: algum lugar que n\u00e3o dentro de voc\u00ea, porque dentro de voc\u00ea n\u00e3o h\u00e1 nada mais do que uma mistura de um pouco do que voc\u00ea pensa que \u00e9, com o que sua mem\u00f3ria revive do que voc\u00ea cr\u00ea que viveu, do que esqueceu, com tudo o que voc\u00ea est\u00e1 passando agora, e suas pretens\u00f5es impulsionadas por estas refer\u00eancias que de concretas s\u00f3 tem o nome, a palavra. Se h\u00e1 uma certeza, concordo com Jean Baudrillard, \u00e9 a incerteza: <\/span><span style=\"font-family:arial;\"><em>A incerteza do mundo \u00e9 que ele n\u00e3o tem equivalente em parte alguma e que ele n\u00e3o se troca com coisa alguma. A incerteza do pensamento \u00e9 que ele n\u00e3o se troca nem com a verdade nem com a realidade.1<br \/><\/em>E vai se indo, se repetindo, sempre formando e tendo opini\u00f5es formadas. At\u00e9 que vem Jorge Larrosa pronto para dar uma rasteira nos desavisados: <em>a obsess\u00e3o pela opini\u00e3o tamb\u00e9m anula nossas possibilidades de experi\u00eancia, [&#8230;] faz com que nada nos aconte\u00e7a.2<\/em><br \/>As certezas nos fecham para as perguntas. Outra rasteira, Rubem Alves: <em>as respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.3<\/em> Diria ainda que antes das respostas est\u00e1 a opini\u00e3o, e esta nem te permite andar, mas girar em torno de si mesmo: um si que est\u00e1 fechado, pois se auto responde constantemente, sem perguntas.<br \/>E no momento em que voc\u00ea est\u00e1 tentando se erguer, adivinha! Deleuze e Guattari: <\/span><span style=\"font-family:arial;\"><em>voc\u00ea ser\u00e1 organizado, voc\u00ea ser\u00e1 um organismo, articular\u00e1 seu corpo \u2014 sen\u00e3o voc\u00ea ser\u00e1 um depravado. Voc\u00ea ser\u00e1 significante e significado, int\u00e9rprete e interpretado \u2014 sen\u00e3o ser\u00e1 desviante. Voc\u00ea ser\u00e1 sujeito e, como tal, fixado, sujeito de enuncia\u00e7\u00e3o rebatido sobre um sujeito de enunciado \u2014 sen\u00e3o voc\u00ea ser\u00e1 apenas um vagabundo.4<br \/><\/em>E agora? Aproveita que est\u00e1 deitado e descanse. Sim, retome as energias que voc\u00ea perdeu sendo um Homem de Car\u00e1ter, uma Mulher Decidida, um Cidad\u00e3o Consciente. Fique ao lado das formigas. Cheire a grama, pois ela n\u00e3o \u00e9 feita para ser pisada. Role um pouco para um lado e para o outro. Imite uma minhoca. Se suje. Mas suje bastante, para que nenhuma modalidade de OMO possa te limpar.<br \/>Suje-se com a simplicidade das possibilidades. Pois voc\u00ea n\u00e3o precisa ser limpo, contornos vis\u00edveis, observa\u00e7\u00f5es claras. Nada de r\u00f3tulo, bula, manual ou painel de controle. Fique um pouco pelo ch\u00e3o, talvez ache uma moeda, ent\u00e3o pode jog\u00e1-la numa fonte e fazer um pedido, pois o dinheiro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para adquirir. E se for, que o d\u00ea para um mendigo, porque para ele muito mais que para voc\u00ea, essa moeda ter\u00e1 um valor. Pois o essencial est\u00e1 na vida, no que \u00e9 mais sens\u00edvel, no sentir, viver. E pra isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1rio ter, quanto estar.<br \/>E quando for se levantar, que n\u00e3o seja para empinar o nariz, tirar uma foto 3&#215;4, ou apontar o dedo. Que seja para cheirar, desenhar e tatear, ou brincar com as bolinhas que tirou do nariz. Que seja para dan\u00e7ar. E dan\u00e7ando ir ao ar. E do ar voltar ao ch\u00e3o. Pois \u00e9 o movimento que te faz ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser ,ser ,ser,ser,ser,ser,ser,ser,ser,ser,ser,sersersersersersersersersersersersersersererererrrrrs e r .<\/p>\n<p>1, 2, 3, 4 Pra saber das refer\u00eancias, pergunte.<\/span> <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 parte do existir, do ser ante a sociedade, que se saiba de si, dos outros, do mundo, algumas coisas: quem \u00e9, o que pensa da vida, o que \u00e9 certo e errado e demais informa\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es. H\u00e1 a\u00ed alguns buracos, tapados com afirma\u00e7\u00f5es. Um queijo su\u00ed\u00e7o. 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