{"id":44,"date":"2009-03-11T04:44:00","date_gmt":"2009-03-11T04:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/2009\/03\/11\/continuando-circo-filosofia-vida-etica\/"},"modified":"2009-03-11T04:44:00","modified_gmt":"2009-03-11T04:44:00","slug":"continuando-circo-filosofia-vida-etica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/continuando-circo-filosofia-vida-etica\/","title":{"rendered":"Continuando: circo, filosofia, vida, \u00e9tica&#8230;."},"content":{"rendered":"<p>Ainda pensando sobre a arte circense e suas possibilidades latentes, lembrei de uma cita\u00e7\u00e3o. Esta est\u00e1 num texto que eu j\u00e1 havia lido h\u00e1 mais de um ano, mas tive contato com ela novamente, em outro contexto, que me proporcionou outros pensares. Pois d\u00e1 primeira vez que a li, estava s\u00f3 e descompromissado, tinha o interesse no texto, as conex\u00f5es me vinham, digamos, ao natural e aos poucos. Neste segundo momento, no m\u00eas de fevereiro, eu estava num workshop com o Grupo Lume, em Bar\u00e3o Geraldo, Campinas \u2013 SP. Workshop te\u00f3rico, ministrado por Renato Ferracini, contextualizando e conceitualizando o corpo e o corpo em arte. Trata-se de uma cita\u00e7\u00e3o de Deleuze e Guattari, do Mil Plat\u00f4s Vol. 3, no texto Como criar para si um Corpo sem Org\u00e3os:<br \/><em>Eis ent\u00e3o o que seria necess\u00e1rio fazer: instalar-se sobre um estrato, experimentar as oportunidades que ele nos oferece, buscar a\u00ed um lugar favor\u00e1vel, eventuais movimentos de desterritorializa\u00e7\u00e3o, linhas de fuga poss\u00edveis, vivenci\u00e1-las, assegurar aqui e ali conjun\u00e7\u00f5es de fluxos, experimentar segmento por segmento dos cont\u00ednuos de intensidades, ter sempre um pequeno peda\u00e7o de uma nova terra.<\/em><br \/>Lembrei desta cita\u00e7\u00e3o, pois penso que \u00e9 um bom exerc\u00edcio e a melhor forma de buscar alternativas para a arte circense (alternativas que j\u00e1 vem sendo buscadas por grupos mundo afora, fa\u00e7o aqui um exerc\u00edcio mais conceitual, pois se acredito nesta busca de novas formas, tamb\u00e9m acredito que em nome do novo e da liberdade, pode se produzir, num \u00e2mbito conceitual, uma est\u00e9tica vazia). Existem neste texto muitos conceitos importantes na filosofia de Deleuze e Guattari que n\u00e3o me seria poss\u00edvel explicar com a devida consist\u00eancia que penso ser indispens\u00e1vel. A id\u00e9ia \u00e9 us\u00e1-la como dispositivo de um planejamento para uma execu\u00e7\u00e3o mais ou menos pr\u00e1tica na busca de uma \u201cnova\u201d arte circense. Considerando que o que nos dizem esses te\u00f3ricos, a mim, \u00e9 uma forma de atitude ante a vida, uma \u00e9tica.<br \/>A partir da\u00ed, a quest\u00e3o ent\u00e3o \u00e9: instalar-se sobre o que vivemos como circo hoje. Buscar nele, e em nossos corpos que o vive em ato, espa\u00e7os, rupturas, linhas de fuga. Se assentar numa pequena parte e nela buscar possibilidades de a\u00e7\u00f5es corporais, outros movimentos, outros agenciamentos com os aparelhos circenses, ou buscar um objeto n\u00e3o circense, cotidiano, e aplicar nele e com ele a \u201cl\u00f3gica circense\u201d.<br \/>Uma tentativa mais espec\u00edfica de aplicabilidade: malabarismo: com bolas: usar o corpo, al\u00e9m das m\u00e3os: p\u00e9s, cabe\u00e7a, costas, bra\u00e7os e coxas. Al\u00e9m do b\u00edpede: outras rela\u00e7\u00f5es com o espa\u00e7o: sentado, deitado, giros. A\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas: varia\u00e7\u00f5es de lan\u00e7amento e recep\u00e7\u00e3o, equil\u00edbrios est\u00e1ticos e din\u00e2micos. Rela\u00e7\u00e3o com o som: sil\u00eancio, m\u00fasica, o som da bola em contato com o corpo, ou com o ch\u00e3o, a voz. Mistura de t\u00e9cnicas: movimentos acrob\u00e1ticos, gestos, ou refer\u00eancias de dan\u00e7a. A varia\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio equipamento: n\u00e3o mais bolas de malabarismo: folhas, frutas, bolhas, cuspes, tubos, len\u00e7os, talheres. E demais buscas, demais linhas de fuga, desterritorializa\u00e7\u00f5es.<br \/>Do malabarismo a acrobacia, passando pelos a\u00e9reos, equil\u00edbrios. Agenciando t\u00e9cnicas. Misturando as refer\u00eancias circenses com a mem\u00f3ria corporal: v\u00edcios de comportamentos, brincadeiras lembradas, outras t\u00e9cnicas estudadas. O corpo s\u00f3, com o objeto, com os outros corpos. O agenciamento com outras t\u00e9cnicas corporais. A pesquisa, o exerc\u00edcio, o experimento. Desfazer e refazer.<br \/>Entre a pesquisa de movimentos aberta e uma pr\u00e9-conceituada: o corpo com um peso outro, o objeto, uma dada import\u00e2ncia, outra fun\u00e7\u00e3o, outro simbolismo.<br \/>Sem pressa, com paci\u00eancia, com curiosidade. A aten\u00e7\u00e3o no processo, o interesse por ele. O essencial est\u00e1 no processo, no meio. E no momento em que se quiser ou precisar (j\u00e1 que vivemos num mundo, com demandas pr\u00e1ticas, c\u00eanicas e financeiras) retirar desta pesquisa toda, destes dados, o interessante, o querido, e montar um n\u00famero, ou um espet\u00e1culo. Desacelerar e emoldurar. Ent\u00e3o passa a ser este pr\u00f3prio espet\u00e1culo ou n\u00famero uma esp\u00e9cie de estrato, podendo nele mesmo se buscar linhas de fuga, para readapt\u00e1-lo ao tempo, as necessidades. Sem desconsiderar que cada execu\u00e7\u00e3o, atua\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma, \u00fanica.<br \/>Jaz a\u00ed uma postura com rela\u00e7\u00e3o ao circo, com rela\u00e7\u00e3o aos relacionamentos, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. Ao menos uma op\u00e7\u00e3o de. Menos simples do que a repeti\u00e7\u00e3o dos v\u00edcios que adquirimos ao longo do viver. Ou os v\u00edcios que adquirimos da hist\u00f3ria acumulada \u00e0 nossa arte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda pensando sobre a arte circense e suas possibilidades latentes, lembrei de uma cita\u00e7\u00e3o. Esta est\u00e1 num texto que eu j\u00e1 havia lido h\u00e1 mais de um ano, mas tive contato com ela novamente, em outro contexto, que me proporcionou outros pensares. 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