{"id":52,"date":"2009-01-17T08:12:00","date_gmt":"2009-01-17T08:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/2009\/01\/17\/tudo-tem-um-comeco-ou-nao\/"},"modified":"2009-01-17T08:12:00","modified_gmt":"2009-01-17T08:12:00","slug":"tudo-tem-um-comeco-ou-nao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/tudo-tem-um-comeco-ou-nao\/","title":{"rendered":"Tudo tem um come\u00e7o. Ou n\u00e3o?!"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Demorei-me para a primeira postagem. Talvez porque a primeira \u00e9 sempre a primeira. As outras ser\u00e3o n\u00e3o menos importantes, ou mais interessantes, mas jamais ser\u00e3o a primeira.<br \/>Decidi ent\u00e3o dar a esta postagem o papel de manual de instru\u00e7\u00e3o. Sendo assim, a primeira quest\u00e3o a ser entendida \u00e9: quem d\u00e1 o que e para quem? Certamente, esta \u00e9 uma decis\u00e3o bem pessoal. Trocadilhos \u00e0 parte, desejo questionar a minha coloca\u00e7\u00e3o como autor, criador do blog e desta postagem. Come\u00e7ando do in\u00edcio, para entender a id\u00e9ia do blog (para ambos entendermos, voc\u00ea e eu). Como se forma este discurso, esta escritura? Questionamento feito. Usarei o recurso de aux\u00edlio \u00e0 lista (de livros e textos refer\u00eancia) para esmiu\u00e7ar esta quest\u00e3o, dar a ela formas mais tang\u00edveis.<br \/>Cito ent\u00e3o Foucault, na sua aula inaugural no Coll\u00e8ge de France, em 2 de dezembro de 1970: <em>gostaria de perceber que no momento de falar uma voz sem nome me precedia h\u00e1 muito tempo: bastaria, ent\u00e3o, que eu encadeasse, prosseguisse a frase, me alojasse, sem ser percebido, em seus interst\u00edcios.[&#8230;] N\u00e3o haveria, portanto, come\u00e7o; e em vez de ser aquele de quem parte o discurso, eu seria, antes, ao acaso de seu desenrolar, uma estreita lacuna. O ponto de seu desaparecimento poss\u00edvel.<\/em> <a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn1\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_edn1\" name=\"_ednref1\">\u00a7<\/a><br \/>Uma tend\u00eancia das postagens aqui \u00e9 de que tenham, com alguma freq\u00fc\u00eancia, e por variados motivos, cita\u00e7\u00f5es. Digo os motivos que sei agora: nem sempre terei a capacidade de explicar o que pretendo sem este aux\u00edlio, ou citarei por ter o prazer de reler e citar, me excitar, e trazer para c\u00e1, o que est\u00e1 em mim e veio de l\u00e1, de algum lugar.<br \/>E est\u00e1 a\u00ed o segredo desta id\u00e9ia de blog (tiro no p\u00e9, n\u00e3o se deve contar os segredos, ainda mais na internet, mas o farei com cautela): \u00e9 o que vem de l\u00e1, ou dali, qui\u00e7a est\u00e1 aqui, ou do lado de l\u00e1. Pode estar em cima do muro, ou do arame. Pode estar numa bolinha, numa poesia, m\u00fasica, ou nas p\u00e1ginas de um livro. Quem sabe nas palavras de um amigo, ou de uma mo\u00e7a bonita. Num quadro, numa roda, num circo. No passo, na dan\u00e7a. Num trope\u00e7o, ou num p\u00e1ssaro. Sabe-se l\u00e1 onde estar\u00e1, mas sabe-se que circunda por a\u00ed.<br \/>E o que circunda? Muita coisa. Mas para o blog \u00e9 o que fa\u00e7o, vejo, ou\u00e7o, \u00e9 o que me toca. O que eu consigo perceber. Ou o que se faz perceber. Pois talvez seja maior do que eu: n\u00e3o necessariamente h\u00e1 est\u00e1 hegemonia minha em rela\u00e7\u00e3o ao que circunda: seja este outro um indiv\u00edduo, ou um objeto, ou experi\u00eancia, ou outro outro. Mas h\u00e1 de tocar meu corpo. H\u00e1 de transpass\u00e1-lo. Mov\u00ea-lo. Meu corpo. Os corpos.<br \/>\u00c9 o corpo em devir de Deleuze: <em>corpo como poder de afetar e ser afetado.<\/em><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn2\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_edn2\" name=\"_ednref2\">\u00a9<\/a> O corpo de Barthes, que \u00e9 afetado pelo <em>prazer do texto que \u00e9 esse momento em que meu corpo vai seguir sua pr\u00f3prias id\u00e9ias- pois meu corpo n\u00e3o tem as mesmas id\u00e9ias que eu.<\/em><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn3\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_edn3\" name=\"_ednref3\">\u00a8<\/a> Um corpo que em Gil \u00e9 paradoxal, que cria uma rela\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o ao seu redor, t\u00e3o \u00edntima, como as que tem consigo: um <em>espa\u00e7o do corpo.<\/em><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn4\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_edn4\" name=\"_ednref4\">\u00aa<\/a><br \/>O corpo que \u00e9 sujeito numa sociedade, onde \u00e9 treinado para ser produtivo, enquanto d\u00f3cil. Quanto mais homog\u00eaneo, mais f\u00e1cil pode ser asujeitado, submisso, manipulado. <a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn5\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_edn5\" name=\"_ednref5\">\u00ab<\/a> Como escapar desse corpo?<br \/>Nesse mundo onde <em>tudo vem da troca imposs\u00edvel. A incerteza do mundo \u00e9 que ele n\u00e3o tem equivalente em parte alguma e que ele n\u00e3o se troca com coisa alguma. A incerteza do pensamento \u00e9 que ele n\u00e3o se troca nem com a verdade nem com a realidade<\/em> (Baudrillard).<a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn6\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_edn6\" name=\"_ednref6\">\u00b7<\/a><br \/>Por isso a arte, a poesia. Disse Borges: <em>em poesia o sentimento basta, imagino. Se o sentimento nos invade, isso h\u00e1 de ser suficiente<\/em>.<a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn7\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_edn7\" name=\"_ednref7\">\u00b5<\/a><br \/>Disse Pessoa: <em>Bastar-nos-ia sentir com clareza a vida<br \/>E nem repararmos para que h\u00e1 sentidos&#8230;<\/em><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn8\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_edn8\" name=\"_ednref8\">\u00c5<\/a><br \/>Digo eu: de tudo o que est\u00e1 a\u00ed, no mundo, o que? Jaz aqui um espa\u00e7o pot\u00eancia. Muito pode acontecer, ou nada. Aqui est\u00e1 um espa\u00e7o para o que circunda, e para quem circundar. Por\u00e9m, para tanto, \u00e9 preciso entrar na dan\u00e7a, mesmo que n\u00e3o se saiba dan\u00e7ar (mas digo: isso \u00e9 o que fizeram voc\u00ea pensar, todos sabemos dan\u00e7ar!). <\/div>\n<div align=\"justify\"> <\/div>\n<div align=\"justify\"> <\/div>\n<div align=\"justify\"><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn1\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_ednref1\" name=\"_edn1\">\u00a7<\/a> A ordem do discurso. Michel Foucault. Edi\u00e7\u00f5es Loyola:2007. p 5.<br \/><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn2\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_ednref2\" name=\"_edn2\">\u00a9<\/a> N\u00e3o sei. Escrevi na porta do meu guarda-roupa. Mas provavelmente Deleuze e Guattari com um dos Mil plat\u00f4s. Da editora 34.<br \/><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn3\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_ednref3\" name=\"_edn3\">\u00a8<\/a> O prazer do texto. Roland Barthes. Editora Perspectiva: 1987. p 26.<br \/><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn4\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_ednref4\" name=\"_edn4\">\u00aa<\/a> Movimento Total: o corpo e a dan\u00e7a. Jos\u00e9 Gil. Editora Iluminuras: 2005. p.47.<br \/><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn5\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_ednref5\" name=\"_edn5\">\u00ab<\/a> Foucault 80 anos. Aut\u00eantica Editora: 2006. p.56.<br \/><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn6\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_ednref6\" name=\"_edn6\">\u00b7<\/a> A troca imposs\u00edvel. Jean Baudrillard. Editora Nova Fronteira:2002. p. 9.<br \/><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn7\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_ednref7\" name=\"_edn7\">\u00b5<\/a> Esse of\u00edcio do verso. Jorge Lu\u00eds Borges. Companhia das letras: 2007. p. 111.<br \/><a title=\"\" style=\"mso-endnote-id: edn8\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=8158712217680951761#_ednref8\" name=\"_edn8\">\u00c5<\/a> Poesia completa de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. Companhia de bolso: 2005. p. 67.<\/p>\n<p>Caso n\u00e3o conhe\u00e7a os citados, caso queira, salve salve Wikip\u00e9dia:<br \/>Michel Foucault: <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Michel_Foucault\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Michel_Foucault<\/a><br \/>Gilles Deleuze: <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gilles_Deleuze\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gilles_Deleuze<\/a><br \/>Roland Barthes: <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Roland_Barthes\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Roland_Barthes<\/a><br \/>Jos\u00e9 Gil: <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jos%C3%83%C2%A9_Gil\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jos\u00c3\u00a9_Gil<\/a><br \/>Jean Baudrillard: <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jean_Baudrillard\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jean_Baudrillard<\/a><br \/>Jorge Luiz Borges: <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jorge_Luiz_Borges\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jorge_Luiz_Borges<\/a><br \/>Fernando Pessoa: <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fernando_Pessoa\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fernando_Pessoa<\/a> <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Demorei-me para a primeira postagem. 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