{"id":682,"date":"2018-03-27T01:07:59","date_gmt":"2018-03-27T01:07:59","guid":{"rendered":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/?p=682"},"modified":"2018-04-20T19:43:29","modified_gmt":"2018-04-20T19:43:29","slug":"combate","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/combate\/","title":{"rendered":"Combate"},"content":{"rendered":"<p>(e a \u00faltima postagem \u00e9 de abril de 2017; e quase passou um ano; e eu deveria dizer: &#8220;me ausentei desse blog&#8230; bl\u00e1, bl\u00e1&#8230;&#8221;; nesse meio tempo estudei, entrei no mestrado, estudei e sigo estudando; escrevendo.)<\/p>\n<p>A ideia do combate tem retornado em meio aos meus escritos da\/na pesquisa (pesquisa-texto) do mestrado. Na disserta\u00e7\u00e3o, que versa acerca do jogo e improviso (no que seria esse seu tema), a imagem do combate tem surgido por diversos motivos. N\u00e3o \u00e9 deles que vou falar agora, sen\u00e3o de uma quest\u00e3o correlata.<\/p>\n<p>Fato que os fatos da vida n\u00e3o se apagam por completo, mas v\u00e3o perdendo seus contornos. Isso se d\u00e1, sobretudo, creio, por n\u00e3o retornarmos a eles e, a cada vez que com eles nos reencontramos alguma linha se desfez (talvez a mat\u00e9ria que compunha essa linha tenha sido reciclada para compor uma hist\u00f3ria mais recente). Nessa linha de racioc\u00ednio, tanto o retorno \u00e0 imagem em nosso painel mental, no di\u00e1logo interior, tanto quanto o contar hist\u00f3rias, refor\u00e7ariam ou ao menos dariam mais vida aos tra\u00e7os desses fatos. Mas n\u00e3o \u00e9 disso que vou falar agora.<\/p>\n<p>Iniciei minha pr\u00e1tica de Taekwondo aos 9 anos de idade (9 anos e duas semanas, para ser mais preciso, em 7 de dezembro de 1992). Aos 13 anos passei a ser monitor das aulas e aos 15 iniciei minha carreira solo como professor, na escola Goi\u00e1s, mesmo local onde iniciei esta pr\u00e1tica e onde completei todos os meus estudos b\u00e1sicos. Logo em seguida, aos 16 anos, assumi a Academia Ol\u00edmpica, criada e administrada pelo meu professor. Essa academia passou a se chamar, mais tarde, Academia Esteves. Mas n\u00e3o vou contar essa hist\u00f3ria agora.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que desde os 9 anos eu passei a competir (Taekwondo \u00e9 aquela arte marcial que ao se desenvolver como esporte ganhou protetores, meio como armaduras, ainda que um pouco mais flex\u00edveis e macias, onde se senta a porrada). E desde a primeira luta (assim \u00e9 como eu me lembro) minha estrat\u00e9gia era relativamente simples: no menor gesto do \u00e1rbitro, no preciso segundo no qual ele ergue o bra\u00e7o que separa os lutadores, o que simboliza o in\u00edcio do combate, eu partia para cima do meu oponente, como um trem descarrilando ou um animal louco grunhindo e babando em dire\u00e7\u00e3o a sua presa (sei que n\u00e3o \u00e9 uma imagem muito bonita, mas \u00e9 assim que eu me lembro).<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que recentemente me dei conta, ao escrever minha disserta\u00e7\u00e3o, que eu tenho seguido essa estrat\u00e9gia ao longo da minha vida desde ent\u00e3o: ningu\u00e9m me v\u00ea babando e grunhindo por a\u00ed, mas minha estrat\u00e9gia segue a de partir para cima, de come\u00e7ar atacando, para depois administrar o combate.<\/p>\n<p>Mas que n\u00e3o se enganem, o combate do qual falo \u00e9 comigo mesmo. E no caso da escrita n\u00e3o \u00e9 diferente: pensar demais convida as hesita\u00e7\u00f5es, essas se desdobram em d\u00favidas, incertezas, desconfian\u00e7a (senso autocr\u00edtico, autocobran\u00e7as&#8230; bl\u00e1, bl\u00e1&#8230;). \u00c9 como se voc\u00ea segurasse o primeiro ataque na luta, inseguro, e de cara toma uma porrada e ent\u00e3o come\u00e7a a duvidar de suas qualidades de combatente. E pode ser o come\u00e7o do fim.<\/p>\n<p>Claro que tem gente que vira o jogo nos quarenta e cinco do segundo tempo, meio como Rocky Balboa, que apanha apanha e no final sai por cima (e eu invejo esse tipo de lutadores). O fato \u00e9 que, partindo para cima ou n\u00e3o, as porradas sempre vem; e como dizia o s\u00e1bio Rocky, em tradu\u00e7\u00e3o livre: o mais importante n\u00e3o \u00e9 o quanto voc\u00ea pode bater, mas o quanto consegue apanhar e seguir em frente. Resili\u00eancia seria a palavra. Eu gosto de perseveran\u00e7a.<\/p>\n<p>S\u00e3o fatos (e sempre que escritos, ou relembrados, inventados). Sigamos nos combates e, como tem me apetecido tamb\u00e9m pensar (e escrever), um combate que tamb\u00e9m \u00e9 uma dan\u00e7a, e uma dan\u00e7a que ri.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(e a \u00faltima postagem \u00e9 de abril de 2017; e quase passou um ano; e eu deveria dizer: &#8220;me ausentei desse blog&#8230; bl\u00e1, bl\u00e1&#8230;&#8221;; nesse meio tempo estudei, entrei no mestrado, estudei e sigo estudando; escrevendo.) A ideia do combate tem retornado em meio aos meus escritos da\/na pesquisa (pesquisa-texto) do mestrado. 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