{"id":1067,"date":"2019-05-20T15:24:28","date_gmt":"2019-05-20T15:24:28","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=1067"},"modified":"2019-05-24T19:19:11","modified_gmt":"2019-05-24T19:19:11","slug":"vontade-de-chance","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/vontade-de-chance\/","title":{"rendered":"VONTADE DE CHANCE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Tal no\u00e7\u00e3o, para o que nos interessa enquanto inser\u00e7\u00e3o no plano conceitual onde se constitui a ideia \u2014 ou abordagem para a pesquisa \u2014 Po\u00e9tica da Nota\u00e7\u00e3o, importa no sentido de afirmar uma postura de err\u00e2ncia, mas, sem embargo, ativa e eficiente: mas eficiente para o que? N\u00e3o se sabe (ainda). Trata-se de uma chance, oras: \u00e9 pegar ou largar (mas n\u00e3o se sabe o que, nem quando, nem onde, nem como); eis a gra\u00e7a: o jogo! Um jogo de nota\u00e7\u00f5es, portanto \u2014 e por isso a pergunta: o que passa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jogo do pesquisador-docente-artista que inclui algo disto que passa ao seu repert\u00f3rio, que aqui definimos enquanto um arquivo num bloco de notas; o que lhe importa, ent\u00e3o? Importar, portanto, enquanto inclus\u00e3o: trazer para dentro, arquivar e re-utilizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O par\u00e1grafo abaixo \u00e9 um fragmento da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, de um texto que se chama &#8220;Corpo Potencial: autofic\u00e7\u00e3o de um tornar-se o que se \u00e9&#8221;, no qual afirmamos a rela\u00e7\u00e3o entre chance e pot\u00eancia, para pensar o corpo (do pesquisador-docente-artista); cabe registrar que esse texto \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o elaborada a partir das notas do nosso <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/bloco-de-notas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bloco de Notas<\/a>, conforme veremos sobre os procedimentos adotados em uma Po\u00e9tica da Nota\u00e7\u00e3o; segue o excerto:<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui nos apropriamos da ideia de Vontade de Pot\u00eancia, embora o desvio que Bataille (2017) prop\u00f5e para Vontade de Chance nos pare\u00e7a apropriado, por apresentar um corpo que n\u00e3o busca a pot\u00eancia, no seu sentido de deten\u00e7\u00e3o de um poder, mas a chance enquanto um potencializar-se, enquanto movimento, n\u00e3o-perman\u00eancia. De todo modo, nos interessa a ideia do acordo discordante de Deleuze, para o qual o conceito de Vontade de Pot\u00eancia tem import\u00e2ncia: assim, imaginamos um CorPo como esse que se coloca em jogo, para depois \u201cesquecer-se\u201d num jogar (jogo da crian\u00e7a, da inoc\u00eancia, do qual nos fala Her\u00e1clito); nisso passa-se a se compor a partir da sabedoria do corpo, do si que imp\u00f5e-se numa sensibilidade ante as for\u00e7as ativas com as quais se coaduna, sobre um apropria\u00e7\u00e3o conseguinte da raz\u00e3o. A passagem, um tanto longa, tomada do livro <em>Deleuze: a arte e a filosofia<\/em> (MACHADO, 2009, p.102), nos parece necess\u00e1ria para chegar ao ponto final deste texto: a cria\u00e7\u00e3o de si como autofic\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de um tornar-se o que se \u00e9.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os conceitos nietzschianos de vontade de pot\u00eancia e eterno retorno s\u00e3o, em \u00faltima an\u00e1lise, os principais nomes, entre os v\u00e1rios utilizados por Deleuze, para os conceitos de diferen\u00e7a e repeti\u00e7\u00e3o. Efetivamente, quando analisamos sua \u2018doutrina das faculdades\u2019, veremos que, para ele, o eterno retorno \u00e9 o pensamento, o pensamento mais elevado, a forma extrema, enquanto a vontade de pot\u00eancia \u00e9 a sensibilidade, a sensibilidade das for\u00e7as, a sensibilidade diferencial. Expondo a tese central da filosofia deleuziana de um acordo discordante entre sensibilidade e pensamento a partir dos conceitos de vontade de pot\u00eancia e eterno retorno, uma passagem de <em>Diferen\u00e7a e Repeti\u00e7\u00e3o <\/em>(&#8230;) pode nos servir de conclus\u00e3o: \u2018Sentida contra as leis da natureza, a diferen\u00e7a na vontade de pot\u00eancia \u00e9 o objeto mais alto da sensibilidade, a <em>hohe Stimmung <\/em>(lembremo-nos de que a vontade de pot\u00eancia foi em primeiro lugar apresentado como sentimento, sentimento de dist\u00e2ncia). Pensada contra as leis do pensamento, a repeti\u00e7\u00e3o no eterno retorno \u00e9 o pensamento mais alto, o <em>gross Gedanke<\/em>. A diferen\u00e7a \u00e9 a primeira afirma\u00e7\u00e3o, o eterno retorno \u00e9 a segunda, \u2018eterna afirma\u00e7\u00e3o do ser\u2019, ou a en\u00e9sima pot\u00eancia que se diz da primeira. \u00c9 sempre a partir de um sinal, isto \u00e9, de uma intensidade primeira, que o pensamento se designa. Atrav\u00e9s da cadeia interrompida ou do anel tortuoso, somos conduzidos violentamente do limite dos sentidos ao limite do pensamento, do que s\u00f3 pode ser sentido ao que s\u00f3 pode ser pensado\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 ***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passamos para outro fragmento, referente ao texto &#8220;Improviso e doc\u00eancia: performance, espera e presen\u00e7a&#8221;, tamb\u00e9m parte do conjunto dissertativo. Nele afirmamos a rela\u00e7\u00e3o da chance com apropria\u00e7\u00f5es dos e nos acontecimentos (para os quais as notas funcionam como \u00edndices, indicadores, um dado transcriado do que passou).<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse estado de prontid\u00e3o, que em outros textos defini, ao menos provisoriamente, como Estado de Improviso, precisa ser perspectivado com um estado de jogo, ou, como melhor parece funcionar neste estudo (ou como mais me seduz), na leitura que Bataille (2017) faz em Nietzsche, como Vontade de Chance, que est\u00e1 em tens\u00e3o com a ideia, destacada em outros fil\u00f3sofos, de Vontade de Pot\u00eancia. Portanto, o Estado de Improviso \u00e9 esse estado de espera que condiciona a improvisa\u00e7\u00e3o como um ato, como a efetua\u00e7\u00e3o que tem como condi\u00e7\u00e3o de sua efici\u00eancia um estado de prontid\u00e3o para improvisar, para agenciar(se) com as mat\u00e9rias em jogo nas conting\u00eancias espa\u00e7o-temporais; trata-se de um ato instant\u00e2neo, imediato. Sendo assim, a condi\u00e7\u00e3o de possibilidade para a improvisa\u00e7\u00e3o est\u00e1 num corpo impactado pelas coisas do mundo, mas tamb\u00e9m pelo que de imponder\u00e1vel passa entre e sobre elas; preparado para agir neste entre: um corpo em jogo que tem em vista as chances, os poss\u00edveis. Refor\u00e7amos essa ideia, ent\u00e3o, com Bataille (2017, p.133):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 f\u00e1cil para mim ver agora o que desvia cada homem do poss\u00edvel, ou, querendo, o que desvia o homem de si mesmo. O poss\u00edvel, de fato,\u00a0 n\u00e3o \u00e9 mais do que uma chance \u2014 que n\u00e3o podemos agarrar sem perigo. A outra op\u00e7\u00e3o seria aceitar a vida morna e ver como um perigo a verdade da vida que \u00e9 a chance. A chance \u00e9 um fator de rivalidade, uma impud\u00eancia. Dai o \u00f3dio pelo sublime, a afirma\u00e7\u00e3o do terra a terra <em>ad unguem <\/em>e o temor do rid\u00edculo (dos sentimentos raros, em que esbarramos, que temos medo de ter).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tal no\u00e7\u00e3o, para o que nos interessa enquanto inser\u00e7\u00e3o no plano conceitual onde se constitui a ideia \u2014 ou abordagem para a pesquisa \u2014 Po\u00e9tica da Nota\u00e7\u00e3o, importa no sentido de afirmar uma postura de err\u00e2ncia, mas, sem embargo, ativa e eficiente: mas eficiente para o que? N\u00e3o se sabe (ainda). Trata-se de uma chance, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1067","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1067"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1067\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1113,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1067\/revisions\/1113"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}