{"id":1077,"date":"2019-05-20T16:38:21","date_gmt":"2019-05-20T16:38:21","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=1077"},"modified":"2019-05-24T19:22:00","modified_gmt":"2019-05-24T19:22:00","slug":"corpo-em-jogo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/corpo-em-jogo\/","title":{"rendered":"corpo em jogo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O jogo, ent\u00e3o. Mas um jogo que afirma o acaso, sem destino. Neste jogo o jogador n\u00e3o \u00e9, necessariamente, o humano: uma coisa pode nos jogar, e n\u00f3s, uma pe\u00e7a em movimento, jogados. N\u00f3s, ainda que jogadores, jogamos com o que em n\u00f3s \u00e9 ante-humano, com o que \u00e9 pr\u00e9-individual \u2014\u00a0 todavia, corpos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compartilho abaixo outro fragmento da disserta\u00e7\u00e3o, do texto denominado &#8220;Jogo em improvisa\u00e7\u00e3o na pesquisa-doc\u00eancia: sobre estudos em exerc\u00edcios&#8221;, que trata, de algum modo, desta quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conseguinte, compreende-se necess\u00e1rio projetar-se \u00e0s periferias, produzindo o descentramento do sujeito e dos espa\u00e7os, porquanto estes nos vinculam, via recogni\u00e7\u00e3o, \u00e0s zonas de discernimentos e certezas (DELEUZE, 1988). \u00c9 nesse sentido que \u00e9 tomado o jogo: exerc\u00edcios para p\u00f4r-se em movimento, em dire\u00e7\u00e3o ao desconhecido; p\u00f4r em jogo nossa pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o enquanto indiv\u00edduos. Cabe notar que tais individualidades n\u00e3o s\u00e3o, sen\u00e3o, mais do que uma institui\u00e7\u00e3o do tempo, do que foi inscrito em nossos corpos numa educa\u00e7\u00e3o escolar, familiar, enfim, no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es. A quest\u00e3o \u00e9 de que as for\u00e7as que nos constituem tomam forma em rela\u00e7\u00e3o com as for\u00e7as do lado de fora. \u00c9 isto o que nos aponta Deleuze (2006), ao tratar da \u201cmorte do homem\u201d, em seu livro dedicado a Michel Foucault, no qual afirma: \u201cFoucault \u00e9 como Nietzsche, ele s\u00f3 pode indicar esbo\u00e7os, no sentido embriol\u00f3gico, ainda n\u00e3o funcionais. Nietzsche dizia: o homem aprisionou a vida, o super-homem \u00e9 aquele que libera a vida dentro do pr\u00f3prio homem, em proveito de uma outra forma&#8230;\u201d (DELEUZE, 2006, p.140).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pesquisa e doc\u00eancia, a educa\u00e7\u00e3o e a vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consequentemente, tanto no pesquisar, quanto na doc\u00eancia, aqui entrela\u00e7ados, compreende-se a condicional de fissurar os estratos que constituem tais no\u00e7\u00f5es de individualidade \u2014 das centralidades dos corpos e dos espa\u00e7os \u2014, para produzir o devir, via acessos intermitentes de individua\u00e7\u00e3o (SIMONDON, 1993). Esses acessos, que partem de um equil\u00edbrio inst\u00e1vel \u2014 levando os indiv\u00edduos de um estado ao outro, como paragens de um ser mut\u00e1vel, variando o que o constitui \u2014, s\u00e3o tomados como a justifica\u00e7\u00e3o do educar enquanto uma a\u00e7\u00e3o imiscu\u00edda com as incertezas, visto que n\u00e3o controlamos os efeitos deste fazer que se compreende po\u00e9tico, inventivo, assim, se \u201ctransformando numa educa\u00e7\u00e3o nunca definitivamente fixada, jamais esgotada, intempestiva (no sentido de Nietzsche), a favor de um tempo por vir\u201d (CORAZZA, 2013, p.98).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frente \u00e0s realidades dominantes, do que pode ser compreendido como Educa\u00e7\u00e3o, intenta-se colocar os pressupostos em jogo, p\u00f4r-se em d\u00favida, pesquisar com o intempestivo. Pesquisa e doc\u00eancia que, de todo modo, afirma, modula, comp\u00f5e, mas, \u201cn\u00e3o s\u00e3o interrup\u00e7\u00f5es do processo, mas paragens que fazem parte dele, como uma eternidade que n\u00e3o pode ser revelada a n\u00e3o ser no devir, uma paisagem que n\u00e3o aparece a n\u00e3o ser no movimento\u201d, \u00e9 o que nos aponta Deleuze (1997, p.16), em seu texto <em>A Literatura e a Vida<\/em>. S\u00e3o movimentos t\u00eaxteis, ou seja, produ\u00e7\u00e3o de textos que, ao lidar com imprevistos, com o informe, considera que estes \u201cn\u00e3o est\u00e3o fora da linguagem, elas s\u00e3o o seu lado de fora. O escritor enquanto vidente e ouvinte, objetivo da literatura: \u00e9 a passagem da vida na linguagem que constitui as Ideias\u201d (DELEUZE, 1997, p.16). O pesquisador-docente, ent\u00e3o, como vidente e ouvinte, um corpo engajado em composi\u00e7\u00f5es nas passagens da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destarte, tal pesquisa-texto inventa, como parte de seu m\u00e9todo, um labirinto que tensiona a rela\u00e7\u00e3o entre pensamentos e escrita, colocando-os em jogo, no sentido de dar visibilidade a esta correla\u00e7\u00e3o, \u201cpois o jogo \u00e9 sempre jogo de aus\u00eancia e presen\u00e7a\u201d (DERRIDA, 1971, p. 248). Trata-se do labirinto como uma imagem do pensamento (DELEUZE, 1988), que figura na compreens\u00e3o de um labor interno, labor do texto (COMPAGNON, 2007). Labor tamb\u00e9m de si, produzindo vertigens e del\u00edrios ao dinamizar esta estrita rela\u00e7\u00e3o do pensamento e da escrita com o lado de fora; desequilibrando-se e retomando temporariamente ao equil\u00edbrio, individuando-se enquanto corpo-pesquisador, e enquanto corpo-texto. Nestes movimentos, ao notar e anotar o que encontra nestes caminhos errantes, \u2014 noutros termos: perceber, se apropriar e compor \u2014, sobre uma no\u00e7\u00e3o que denominamos de Po\u00e9tica da Nota\u00e7\u00e3o, sempre \u00e0 espreita de ideias imprevistas, comp\u00f5e-se a mat\u00e9ria da pesquisa-texto.<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jogo, ent\u00e3o. Mas um jogo que afirma o acaso, sem destino. Neste jogo o jogador n\u00e3o \u00e9, necessariamente, o humano: uma coisa pode nos jogar, e n\u00f3s, uma pe\u00e7a em movimento, jogados. N\u00f3s, ainda que jogadores, jogamos com o que em n\u00f3s \u00e9 ante-humano, com o que \u00e9 pr\u00e9-individual \u2014\u00a0 todavia, corpos. 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