{"id":1082,"date":"2019-05-20T17:07:58","date_gmt":"2019-05-20T17:07:58","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=1082"},"modified":"2019-05-24T19:30:38","modified_gmt":"2019-05-24T19:30:38","slug":"encontros-para-um-corpo-potencial","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/encontros-para-um-corpo-potencial\/","title":{"rendered":"encontros para um corpo potencial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Encontros e composi\u00e7\u00f5es: de certo modo, tudo \u00e9 uma superf\u00edcie que delimita encontros; e nesse sentido, duas corpos dispostos formam um corpo maior, numa composi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um jogo de composi\u00e7\u00e3o e decomposi\u00e7\u00e3o, portanto, de (des)equil\u00edbrio. Mas, vejamos: encontros e composi\u00e7\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis por definirmos unidades (ou corpos), com efeito, importa notar que essas unidades s\u00e3o formadas por unidades menores (ou corpos), e se inserem num contexto macro, formando um corpo maior: o corpo de uma sala de aula, por exemplo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devaneios?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos nos contentar em compartilhar outro fragmento da pesquisa-texto disserta\u00e7\u00e3o, na qual desdobramos pensamentos acerca de um suposto Corpo Potencial (tamb\u00e9m simplificado sobre a grafia CorPo, no texto &#8220;Corpo Potencial: autofic\u00e7\u00e3o de um tornar-se o que se \u00e9&#8221;).<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0 ***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiro ponto: o CorPo \u00e9 um corpo em estado de improviso<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Improviso e improvisa\u00e7\u00e3o tem aqui sentidos diferentes, tal qual potencial e pot\u00eancia. Por improviso entendemos um estado de esp\u00edrito, o corpo em estado de espera, sobre o qual opera o esquecimento como condi\u00e7\u00e3o para os acontecimentos (FOUCAULT, 2001a); (DELEUZE, 2007). J\u00e1 a improvisa\u00e7\u00e3o seria um estado de devir, uma a\u00e7\u00e3o, efetua\u00e7\u00e3o: estado de improviso ativo, ao mover-se entre e com os corpos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo assim, o potencial \u00e9 um estado corporal: sua capacidade de se manter ativo, disposto, um corpo que se encontra em prontid\u00e3o; estado de espera para se p\u00f4r em movimento, a partir das afec\u00e7\u00f5es alegres (do que lhe afeta nos espa\u00e7os cotidianos) e do pr\u00e9-individual (intensidade latente da Natureza presente nos corpos, for\u00e7a de muta\u00e7\u00e3o); e assim, em improvisa\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o de si, efetuado junto aos corpos, aumentar sua pot\u00eancia de existir (DELEUZE, 2002); (SIMONDON, 1993). Trata-se de uma imobilidade sempre prestes a ser quebrada, equil\u00edbrio inst\u00e1vel pronto a se precipitar em prol de encontros alegres \u2014 ou, justamente, a partir deles: metaestabilidade ativada no jogo das rela\u00e7\u00f5es, permuta\u00e7\u00e3o indiv\u00edduo-ambiente (para o qual o estado de improviso seria como um colocar-se no limite desta estabilidade, descentrado, para assim produzir o devir, aqui entendido com individua\u00e7\u00e3o e nova composi\u00e7\u00e3o dos\/nos corpos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Segundo ponto: n\u00e3o inserir seu corpo no tempo, manter-se inteiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o ser se coloca a servi\u00e7o de algo externo a si, se fragmenta. O bem \u00e9 assim entendido como o bem do outro, de uma causa, qualquer que seja: \u00e9 o mal ent\u00e3o o que mant\u00e9m nossa integridade, enquanto disposto aos poss\u00edveis, ao porvir (BATAILLE, 2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 assim crueldade neste corpo, que precisa negar a a\u00e7\u00e3o sobre o tempo, enquanto gesto definido por uma causa, em proveito da possibilidade de agir a qualquer tempo: corpo que precisa negar o \u201cbem maior\u201d, o \u201cbem dos outros\u201d, e afirmar o tr\u00e1gico da exist\u00eancia, que n\u00e3o possui sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Segundo problema: o que move esse corpo? A aus\u00eancia de sentido no compor, o grau de pot\u00eancia e a chance do jogador<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O importante \u00e9 conceber a vida, cada individualidade de vida, n\u00e3o como uma forma, ou um desenvolvimento de forma, mas como uma rela\u00e7\u00e3o complexa entre velocidades diferenciais, entre abrandamento e acelera\u00e7\u00e3o de part\u00edculas. Uma composi\u00e7\u00e3o de velocidades e de lentid\u00f5es num plano de iman\u00eancia. [&#8230;] \u00c9 pela velocidade e lentid\u00e3o que a gente desliza entre as coisas, que a gente conjuga com outra coisa: a gente nunca come\u00e7a, nunca se recome\u00e7a tudo novamente, a gente desliza por entre, se introduz no meio, abra\u00e7a-se ou se imp\u00f5e ritmos. (DELEUZE, 2002, p.128).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso distinguir de que corpo se trata, e de como ele se relaciona com os outros corpos; na perspectiva aqui adotada, portanto: de como \u201c\u00e9\u201d e se coloca em jogo e neste se comp\u00f5e; o que leva \u201cele\u201d, enquanto um jogador (e ao mesmo tempo mat\u00e9ria do\/no jogar), a determinados encontros e n\u00e3o outros; e como se d\u00e1 essa composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Terceiro ponto: um corpo que quer perseverar e nisso se comp\u00f5e<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo ser, segundo Espinosa, quer perseverar em si. Trata-se ent\u00e3o de pensar num corpo entendido como bom, como este que faz de si boas composi\u00e7\u00f5es. Um corpo que produz encontros, que est\u00e1 \u00e0 espreita do que lhe afeta, de afec\u00e7\u00f5es alegres. Apesar da \u00eanfase dada neste texto, por vezes, ao corpo humano, considera-se que tudo \u00e9 corpo, e o jogo se d\u00e1 nesta tens\u00e3o dos (des)encontros e (de)composi\u00e7\u00f5es entre diversos corpos (DELEUZE, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quarto ponto: disposi\u00e7\u00e3o aos encontros<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De antem\u00e3o, considera-se o espa\u00e7o (qualquer que seja) ocupado por for\u00e7as ativas e reativas, que age sobre os corpos e que, de todo modo, comp\u00f5e sua carne (enquanto que o corpo tamb\u00e9m \u00e9 espa\u00e7o). O CorPo afirma sua diferen\u00e7a no jogo com essas for\u00e7as, se coaduna com as for\u00e7as ativas, aumenta seu grau de pot\u00eancia de agir (seu potencial). Corpo que se p\u00f5e em jogo, cria procedimentos, se exercita numa autoexperimenta\u00e7\u00e3o, tal qual prop\u00f4s Nietzsche (DELEUZE, 1976); (DELEUZE, 2002); (SAFRANSKI, 1998).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontros e composi\u00e7\u00f5es: de certo modo, tudo \u00e9 uma superf\u00edcie que delimita encontros; e nesse sentido, duas corpos dispostos formam um corpo maior, numa composi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um jogo de composi\u00e7\u00e3o e decomposi\u00e7\u00e3o, portanto, de (des)equil\u00edbrio. Mas, vejamos: encontros e composi\u00e7\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis por definirmos unidades (ou corpos), com efeito, importa notar que essas unidades s\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1082","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1082"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1082\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1118,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1082\/revisions\/1118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}