{"id":154,"date":"2018-06-27T18:36:48","date_gmt":"2018-06-27T18:36:48","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=154"},"modified":"2018-07-02T22:52:02","modified_gmt":"2018-07-02T22:52:02","slug":"26-26-09-2017","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/26-26-09-2017\/","title":{"rendered":"[26] 26\/09\/2017"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/25-08-09-20172\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao corpo nada se nega na hist\u00f3ria: a ele a gloria, o pecado, a vit\u00f3ria e o desatino; nele a loucura e a raz\u00e3o. Entre tantas palavras que d\u00e3o sentido \u00e0 vida, a que incorpora, talvez, as maiores oposi\u00e7\u00f5es, e os mais acirrados debates, seja esta: o corpo. A n\u00f3s, \u201ccontempor\u00e2neos\u201d, \u00e9 herdado o dif\u00edcil labor e o prazeroso jogo da composi\u00e7\u00e3o paradoxal, qual seja: dar carne \u00e0 mem\u00f3ria, e o sangue ao esquecimento: viver na fronteira sem limites entre sentido e desraz\u00e3o (WARA, 2001, p.33).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Incorporar em nossa no\u00e7\u00e3o de corpo, numa mescla n\u00e3o hier\u00e1rquica, o que, outrora, seria da ordem de um dualismo, de uma dial\u00e9tica. Dar corpo, conceitualmente, \u00e0 multiplicidade que habita o corpo real<sup>[ ]<\/sup>: realizar a fic\u00e7\u00e3o de uma f\u00edsica concreta, uma anatomia inventiva. Deste real n\u00e3o se nega a gravidade, assim como n\u00e3o se nega as especificidades entre um pensamento e uma a\u00e7\u00e3o motora, entre a faculdade do racioc\u00ednio e a for\u00e7a enquanto uma capacidade f\u00edsica. Entre estes, e tantos outros feitos dos quais \u00e9 capaz um corpo, n\u00e3o hierarquizamos, n\u00e3o dividimos, n\u00e3o complementamos: o organismo no corpo \u00e9 uma provisoriedade; a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um territ\u00f3rio inst\u00e1vel que emerge para a solu\u00e7\u00e3o de um problema; antes e depois, o corpo \u00e9 movimento em varia\u00e7\u00e3o<sup>[ ]<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, das afec\u00e7\u00f5es das quais \u00e9 capaz um corpo, dos signos que o afetam, e da viol\u00eancia, do encontro com o desconhecido, com o fora, com a incerteza, se movem as mat\u00e9rias, se comp\u00f5e os estratos, o corpo se reorganiza.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chamava-se <em>mat\u00e9ria<\/em> o plano de consist\u00eancia ou o Corpo sem \u00d3rg\u00e3os, quer dizer, o corpo n\u00e3o-formado, n\u00e3o-organizado, n\u00e3o-estratificado ou desestratificado, e tudo o que escorria sobre tal corpo, part\u00edculas submoleculares e subat\u00f4micas, intensidades puras, singularidades livres, pr\u00e9-f\u00edsicas e pr\u00e9-vitais. [&#8230;] Num estrato havia sempre uma dimens\u00e3o do express\u00e1vel ou da express\u00e3o como condi\u00e7\u00e3o de invari\u00e2ncia relativa: por exemplo, as sequ\u00eancias nucl\u00e9icas eram insepar\u00e1veis de uma express\u00e3o relativamente invariante pela qual determinavam os compostos, \u00f3rg\u00e3os e fun\u00e7\u00f5es do organismo. (DELEUZE; GUATTARI, 1996, p. 55).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corpo se expressa. Aula de express\u00e3o corporal. \u201cNossa, que menina expressiva!\u201d. Caf\u00e9 expresso. O corpo intensivo nada expressa, o corpo \u00e9 mat\u00e9ria em fluxo: as mat\u00e9rias formadas geram subst\u00e2ncias, conte\u00fado e express\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um momento de estratifica\u00e7\u00e3o do corpo<sup>[ ]<\/sup>, que se codifica, e que expressa. Esse momento pode durar uma vida &#8211; e o papel da Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 rachar essa dura\u00e7\u00e3o, produzir varia\u00e7\u00f5es, linhas de fuga, desteritorializa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exerc\u00edcio do desfazimento de si at\u00e9 onde se \u00e9 capaz de desfazer-se a si mesmo \u2013 e a\u00ed nos perguntamos: como se auto-desestruturar? Como desequilibrar a centralidade do Eu, do Ego? Pondo em jogo esses jogadores: o Si, autodestrutivo e o Eu, regulador, estruturalista: assim que dos cacos reestruturados pelo Eu, a cada nova investida do Si, um outro corpo se constitui (WARA, 2001, P.54).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa fantasia de Educa\u00e7\u00e3o: um jogo onde se jogam corpos; onde mat\u00e9rias e conte\u00fados se misturam, e nesses encontros o corpo se encontra e se perde; nesse jogo se perde e se ganha, mas n\u00e3o se usa esses termos: perde-se um pouco de si, enquanto se reorganiza em um outro. Os termos est\u00e3o em jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o somos comedidos: qui\u00e7\u00e1 se possa, induzindo um anest\u00e9sico ao Eu, permitir que a louca raz\u00e3o dance desequilibrada, a grande raz\u00e3o de Nietzsche, que habita o corpo, que \u00e9 o corpo! Mas a\u00ed seria uma trapa\u00e7a, mas a trapa\u00e7a faz parte do jogo<sup>[ ]<\/sup>&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/27-29-09-2017\/\"><code>Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/code><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior &nbsp; Ao corpo nada se nega na hist\u00f3ria: a ele a gloria, o pecado, a vit\u00f3ria e o desatino; nele a loucura e a raz\u00e3o. Entre tantas palavras que d\u00e3o sentido \u00e0 vida, a que incorpora, talvez, as maiores oposi\u00e7\u00f5es, e os mais acirrados debates, seja esta: o corpo. 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