{"id":199,"date":"2018-06-27T19:05:42","date_gmt":"2018-06-27T19:05:42","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=199"},"modified":"2018-07-17T17:56:29","modified_gmt":"2018-07-17T17:56:29","slug":"47-13-10-20176","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/47-13-10-20176\/","title":{"rendered":"[47] 13\/10\/2017"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/46-12-10-20174\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p><code>Notas que apontam para esta:\u00a0<a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/6-27-07-2017-23-08-20178-18\/\">[6]<\/a> <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/19-29-08-2017-08-09-20175-7\/\">[19]<\/a> <\/code><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E qual jogo estamos a jogar agora [me refiro, sobretudo, aos 9 fragmentos anteriores]? Um jogo de esconde-esconde. L\u00e1 vou eeeeu&#8230; Um jogo de mostra-mostra. Um jogo onde \u201ceu\u201d [este que escreve], atrav\u00e9s da ironia, do di\u00e1logo com o outro que \u00e9, em certa medida, um si mesmo, e de outros dispositivos variados, busca desnudar o Eu, se \u00e9 que isso \u00e9 poss\u00edvel \u2013 ao menos apont\u00e1-lo atr\u00e1s de seus esconderijos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa fantasia, o Corpo Potencial, \u00e9 um corpo sempre em jogo. Um \u201ceu\u201d que joga com o Eu<sup>[autoexperimenta\u00e7\u00e3o com Nietzsche]<\/sup>. Um jogo para criar espa\u00e7o \u00e0 um terceiro jogador que, em verdade, n\u00e3o ocupa um espa\u00e7o de fato, mas constitui e intensifica os fluxos do pr\u00f3prio jogo, e as muta\u00e7\u00f5es desse corpo a jogar. Pensamos aqui com as intensidades, com o Corpo sem \u00d3rg\u00e3os de Deleuze e Guattari, que se n\u00e3o \u00e9 um jogador, pois isso demandaria, em certa medida, um corpo organizado, mas se projeta nesse jogar, e produzindo a desterritorializa\u00e7\u00e3o do jogo e dos jogadores, promove o devir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jogo \u00e9 ent\u00e3o uma estrat\u00e9gia para confundir os jogadores, para desequilibrar os sujeitos. \u00c9 um jogo para desestabilizar, descentralizar<sup>[ ]<\/sup>. \u00c9 um labirinto, produz vertigem e, ao mesmo tempo, um jogo que tenciona para os limites, para a exterioridade. \u00c9 um jogo de linguagem.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se, de fato, a linguagem s\u00f3 tem seu lugar na soberania solit\u00e1ria do \u201ceu falo\u201d, por direito nada pode limit\u00e1-la \u2013 nem aquele a quem ela se dirige, nem a verdade do que ela diz, nem os valores ou os sistemas representativos que ela utiliza: em suma, n\u00e3o \u00e9 mais o discurso e comunica\u00e7\u00e3o de um sentido, mas exposi\u00e7\u00e3o da linguagem em seu ser bruto, pura exterioridade manifesta; e o sujeito que fala n\u00e3o \u00e9 mais a tal ponto o respons\u00e1vel pelo discurso (aquele que o mant\u00e9m, que atrav\u00e9s dele afirma e julga, nele se representa \u00e0s vezes sob uma forma gramatical preparada para esse efeito), quanto \u00e0 inexist\u00eancia, em cujo vazio prossegue sem tr\u00e9gua a expans\u00e3o infinita da linguagem. (FOUCAULT, 2001, p.220).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria um ponto de partida, mas nos parece que esse vazio est\u00e1 um tanto cheio. \u00c9 preciso espa\u00e7o, produzir rachaduras, rupturas. Nesses tempos de ac\u00famulo (e j\u00e1 foi diferente em outros tempos?) \u00e9 preciso sacudir a estrutura, dissolver a liga das sedimenta\u00e7\u00f5es, afrouxar os estratos, fazer do Eu um sujeito \u00e0 dan\u00e7ar<sup>[ ]<\/sup>. Se esse espa\u00e7o est\u00e1 cheio, \u00e9 preciso embaralhar os c\u00f3digos, disp\u00f4-los \u00e0 novas composi\u00e7\u00f5es. Ampliar os limites desse espa\u00e7o, ou permear esse limite, ou assumir que esse limite \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o: e que esse espa\u00e7o pode tanto estar cheio quanto vazio. Que eu falo quando digo que falo, e que encho esse espa\u00e7o quando digo que encho; e quando afirmo esse espa\u00e7o \u00e9 que ele \u201cexiste\u201d. Qual a margem de jogo para essa deriva, para esse desfazer fazendo? Afirmar a fic\u00e7\u00e3o certamente n\u00e3o \u00e9 o suficiente: por todos os lados se reafirmam verdades \u2013 e se ficcionam \u201cnovas\u201d verdades. Nunca ser\u00e1 suficiente, pois n\u00e3o \u00e9 disso que se trata. Estamos a definir, e reafirmar, uma problem\u00e1tica<sup>[ ]<\/sup>, para a qual produzimos corpos num territ\u00f3rio de jogo, numa incerta deriva, que \u00e9 texto, que \u00e9 corpo do texto do corpo que faz o texto e se refaz em outro corpo enquanto faz o texto<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso exerc\u00edcio passa pela afirma\u00e7\u00e3o de um caminho e a aceita\u00e7\u00e3o dessa batalha<sup>[ ]<\/sup>, uma batalha que se confunde ora com um jogo, ora com uma dan\u00e7a. E que \u00e9 um ou outro, ou outro, ou outra, na medida de sua defini\u00e7\u00e3o (medida desmedida, que sempre transborda), que \u00e9 sempre todos, e outros, ao mesmo tempo. Do caminho e da batalha, onde se vive junto, que nos solicita, onde nos soli\/citamos:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pensamento do pensamento, uma tradi\u00e7\u00e3o mais ampla ainda que a filosofia, nos ensinou que ele nos conduzia \u00e0 mais profunda interioridade. A fala da fala nos leva \u00e0 literatura, mas talvez tamb\u00e9m a outros caminhos, a esse exterior onde desaparece o sujeito que fala. (FOUCAULT, 2001, p.221).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a falar de\/com Educa\u00e7\u00e3o. De jogar com esses corpos<sup>[ ]<\/sup>, de perder-se para encontrar encontros. E \u00e9 necess\u00e1rio suportar certa vertigem, a n\u00e1usea de estar \u00e0 deriva<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>; e \u00e9 heroico e \u00e9 ris\u00edvel, \u00e9 um ato de bravura e de tolice, \u00e9 ganhar e perder, s\u00e3o os tr\u00eas lados da mesma moeda.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, sabemos que para cometer certa travessia como essa, a que comporta um ex\u00edlio, \u00e9 necess\u00e1rio que estejamos prontos para perder muitas coisas. Para passar certa fronteira e come\u00e7ar a habitar uma Educa\u00e7\u00e3o que experimenta e cria \u00e9 necess\u00e1rio estar disposto a perder certezas, estabilidades, raz\u00f5es hier\u00e1rquicas utilitaristas, autoridade arbitr\u00e1ria e in\u00fatil e, nessa perda, ganhar ou reinventar a capacidade de estranhar, a capacidade de ler (ao ter perdido o modo harm\u00f4nico de fazer uma leitura) a capacidade de naufragar como fez o Robinson de Michel Tournier que, depois do naufr\u00e1gio e da redescoberta da terra, pelo encontro que teve com Sexta-feira (o araucano), deu outro valor ao governo da terra, do medo, dos outros e de si. (AD\u00d3, 2016, p.144).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/48-18-10-2017\/\"><code>Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/code><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <sup>\u201c<\/sup>O \u2018sujeito\u2019 da literatura (o que fala nela e aquele sobre o qual ela fala) n\u00e3o seria tanto a linguagem em sua positividade quanto o vazio em que ela encontra seu espa\u00e7o quando se enuncia na nudez do \u2018eu falo\u2019\u201d (FOUCAULT, 2001, p.221).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> \u201cO prazer do texto n\u00e3o \u00e9 for\u00e7osamente do tipo triunfante, heroico, musculoso. N\u00e3o tem necessidade de se arquear. Meu prazer pode muito bem assumir a forma de uma deriva. A deriva adv\u00e9m toda a vez que <em>eu n\u00e3o respeito o todo <\/em>e que, \u00e0 for\u00e7a de parecer arrastado aqui e ali ao sabor das ilus\u00f5es, sedu\u00e7\u00f5es e intimida\u00e7\u00f5es da linguagem, qual uma rolha sobre as ondas, permane\u00e7o im\u00f3vel, girando em torno da frui\u00e7\u00e3o <em>intrat\u00e1vel <\/em>que me liga ao texto (ao mundo). H\u00e1 deriva, toda vez que a linguagem social, o socioleto, <em>me falta <\/em>(como se diz: <em>falta-me o \u00e2nimo<\/em>). Da\u00ed por que um outro nome da deriva seria: o <em>Intrat\u00e1vel <\/em>\u2013 ou talvez ainda: a Asneira\u201d (BARTHES, 1987, p.28).<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior Notas que apontam para esta:\u00a0[6] [19] &nbsp; E qual jogo estamos a jogar agora [me refiro, sobretudo, aos 9 fragmentos anteriores]? Um jogo de esconde-esconde. L\u00e1 vou eeeeu&#8230; Um jogo de mostra-mostra. 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