{"id":235,"date":"2018-06-27T19:31:15","date_gmt":"2018-06-27T19:31:15","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=235"},"modified":"2018-07-17T12:10:26","modified_gmt":"2018-07-17T12:10:26","slug":"63-07-12-2017","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/63-07-12-2017\/","title":{"rendered":"[63] 07\/12\/2017"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/62-2\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p><code>Notas que apontam para esta: <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/8-03-08-2017-10-08-201714-6\/\">[8]<\/a> <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/12-10-08-20176-15\/\">[12]<\/a><br \/>\n<\/code><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PARA CRIAR UM CORPO SEM \u00d3RG\u00c3OS<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As intensidades que constituem o CsO s\u00e3o tamanhas que expulsam todo e qualquer significado fazendo do corpo um lugar de passagem. Resta sempre o vazio a ser preenchido. Se \u00e9 poss\u00edvel falar em falta em rela\u00e7\u00e3o ao CsO trata-se de uma falta fundamental que designa a incompletude, o ser inacabado, o processo constante de constru\u00e7\u00e3o de modos de subjetiva\u00e7\u00e3o. E se \u00e9 poss\u00edvel falar em perda, isto se d\u00e1 no sentido de um esquecimento do pr\u00f3prio Eu; ou seja, de uma forma de <em>dessubjetiva\u00e7\u00e3o.<\/em> Por isso \u00e9 impoder e n\u00e3o impot\u00eancia. O impoder \u00e9 a pot\u00eancia de romper com os poderes constitu\u00eddos; \u00e9 a pr\u00f3pria recusa do julgamento de Deus. [&#8230;] Por isso ele \u00e9 sequer um conceito, mas uma pr\u00e1tica, um exerc\u00edcio, uma experimenta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida em sua pot\u00eancia criativa. (SALES, 2014, p.5).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retornamos ao Corpo sem \u00d3rg\u00e3os e com ele, ao Corpo Potencial. Chegamos a afirmar, no in\u00edcio desta pesquisa-texto[link e de l\u00e1 pra c\u00e1], que o Corpo Potencial seria equivalente ao CsO, mas n\u00e3o \u00e9 disso que se trata. Se h\u00e1 equival\u00eancia, ela se d\u00e1 nos movimentos que o Corpo Potencial pretende possibilitar: dos fluxos, da dessubjetiva\u00e7\u00e3o, para que o corpo seja um lugar de passagem, um lugar de impoder, e pleno de pot\u00eancia. Criar um corpo sem \u00f3rg\u00e3os \u00e9 uma quest\u00e3o vital, das qualidades da vida que se vive, de suas intensidades. Criar um CsO \u00e9 uma pr\u00e1tica, uma fazer(se) cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criar um CsO \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o do Corpo Potencial e aqui, ap\u00f3s termos tentado esbo\u00e7ar do que trata esse Corpo, desdobraremos a quest\u00e3o pensando os modos de possibilitar que se mova esse CsO, que sempre est\u00e1 a\u00ed, apesar dos estratos que restringem seus fluxos. \u00c9 uma quest\u00e3o de experimenta\u00e7\u00e3o, uma quest\u00e3o de autoexperimenta\u00e7\u00e3o. O Corpo Potencial joga com os estratos e, em procedimentos inventados (exerc\u00edcios e jogos) que restringem para produzir desvios, desequilibra o sujeito, e dan\u00e7a consigo, com o si <sup>(link pra o si em Nietzsche)<\/sup> \u201cSubstituir a anamnese pelo esquecimento, a interpreta\u00e7\u00e3o pela experimenta\u00e7\u00e3o. Encontre seu corpo sem \u00f3rg\u00e3os, saiba faz\u00ea-lo, \u00e9 uma quest\u00e3o de vida ou morte, de juventude e de velhice, de tristeza e de alegria. \u00c9 a\u00ed que tudo se decide\u201d (DELEUZE; GUATTARI, 1996, p.11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a primeira leitura desta cita\u00e7\u00e3o, no ano de 2007, nos sentimos tomados por uma sensa\u00e7\u00e3o de que fomos convidados para uma batalha: Encontre! \u00c9 uma quest\u00e3o de vida ou morte! \u00c9 a\u00ed que tudo se decide! Pensamos que para isso precisar\u00edamos mobilizar for\u00e7as, e que n\u00e3o seria poss\u00edvel lutar a partir do sujeito professor, sujeito artista, sujeito pesquisador. Se \u00e9 contra essas subjetiva\u00e7\u00f5es que lutamos, contra o organismo, \u00e9 tamb\u00e9m com e atrav\u00e9s dele. Esse contra, paradoxalmente, \u00e9 um junto (e por isso afirmamos que esse combate se confunde como uma dan\u00e7a). Se n\u00e3o restasse nada dos estratos ter\u00edamos fluxos informes, um mergulho no caos, na loucura&#8230; \u00c9 preciso prud\u00eancia:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio guardar o suficiente do organismo para que ele se recomponha a cada aurora; pequenas provis\u00f5es de signific\u00e2ncia e de interpreta\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio conservar, inclusive para op\u00f4-las a seu pr\u00f3prio sistema, quando as circunst\u00e2ncias o exigem, quando as coisas, as pessoas, inclusive as situa\u00e7\u00f5es nos obrigam; e pequenas ra\u00e7\u00f5es de subjetividade, \u00e9 preciso conservar suficientemente para poder responder a realidade dominante. (DELEUZE; GUATTARI, 1996, p.11).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aceitamos o convite, o desafio, a intima\u00e7\u00e3o que sentimos nesse ato pol\u00edtico-est\u00e9tico que \u00e9 fazer seu CsO. Preparamos nossas armas, criamos estrat\u00e9gias, treinamos, exercitamos&#8230; mas quem \u00e9 esse que cria, que treina, que exercita? N\u00e3o pode ser o CsO, pois sem um organismo n\u00e3o resta uma terra sobre a qual organizar, planejar, treinar: faltaria um territ\u00f3rio de jogo. \u00c9 ent\u00e3o o sujeito? Seria arriscado demais querer que o pr\u00f3prio Eu [nota para cita\u00e7\u00e3o de larrosa e estar contra sujeito], por demais centrado e convicto de suas verdades, imerso em suas pr\u00f3prias ilus\u00f5es, aceitaria as pequenas doses de suic\u00eddio necess\u00e1rias \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do CsO. E ainda, ao lermos em Deleuze e Guattari \u201c\u00e9 necess\u00e1rio guardar o suficiente de organismo\u201d percebemos que eles falam a um terceiro, nem ao eu-sujeito que precisa perder um tanto de si para que reste esse suficiente, nem ao CsO que n\u00e3o fala essa l\u00edngua, j\u00e1 que a l\u00edngua \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o. E assumimos aqui a singularidade da nossa leitura para o que nos interessa, e sobre o qual pretendemos falar mais a frente com a vontade de apropria\u00e7\u00e3o em Nietzsche, como substituto da vontade de conhecimento<sup>[link]<\/sup>. Ent\u00e3o, embora, talvez, n\u00e3o estivesse expl\u00edcito, eles falavam a um terceiro corpo. Que cada um crie ent\u00e3o esse corpo que fabrica [link para a ideia de mito], que estuda, que pensa, que faz, que produz um CsO, partindo dos estratos, da linguagem, dos \u00f3rg\u00e3os, dos gestos, dos sentidos. N\u00f3s estamos a criar um Corpo Potencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esse Corpo Potencial, uma varia\u00e7\u00e3o sobre o corpo, que eventualmente poderemos definir como CorPo, que se autoexperimenta, que joga com e sobre os estratos, embaralha os c\u00f3digos, mas cuidando<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> para que sempre reste um pouco de terra, de manter o que de potente h\u00e1 nos estratos. S\u00e3o as for\u00e7as apol\u00edneas que possibilitam as harmonia e a beleza para que se queira seguir vivendo, mas sustentando as for\u00e7as dionis\u00edacas nesse viver<sup>[link]<\/sup>. Cientes dos paradoxos, da aus\u00eancia de sentido, do acaso, da incerteza, e do esquecimento. Mas sempre reorganizando esse corpo, tonificando suas pernas para a caminhada, ampliando seu olhar e sua pot\u00eancia de visualizar os detalhes, desenvolvendo as habilidades dos membros superiores de pegar e soltar, e a sensibilidade para o que n\u00e3o se pode ver: \u201cN\u00e3o digo sabedoria, mas prud\u00eancia como dose, como regra imanente \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o; inje\u00e7\u00f5es de prud\u00eancia\u201d (DELEUZE; GUATTARI, 1996, p.11).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata de constituir a si mesmo como sujeito; mas, ao contr\u00e1rio, no sentido de esvaziar enquanto tal, ou seja, se <em>dessubjetivar. <\/em>Isto porque a no\u00e7\u00e3o de subjetividade ou ponto de subjetiva\u00e7\u00e3o remete a uma estratifica\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de si mesmo; [&#8230;] Em todo caso, h\u00e1 uma batalha de for\u00e7as que \u00e9 travada o tempo todo e p\u00f5e em risco a pr\u00f3pria exist\u00eancia. Por um lado, a estratifica\u00e7\u00e3o que cria signific\u00e2ncias e subjetiva\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de um jogo de poder; do outro lado, a linha de fuga que tudo desterritorializa podendo arrastar o indiv\u00edduo para uma esp\u00e9cie de buraco negro. \u00c9 a\u00ed ent\u00e3o que surge a necessidade do governo de si. Mas n\u00e3o no sentido de um sujeito soberano capaz de fundar a si mesmo; mas de uma maneira de assumir-se como processo. Criar para si um CsO que seja mediado n\u00e3o por uma consci\u00eancia soberana, mas por uma experimenta\u00e7\u00e3o continua que permita a vida fluir em sua criatividade. Permitir que os fluxos, as intensidades passem ao inv\u00e9s de serem bloqueados. (SALES, 2014, p.9).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CorPo \u00e9 um autoexperimentador. O CorPo \u201cgoverna a si\u201d. E antes mesmo de criar jogos, entende que est\u00e1 em jogo. Entende que est\u00e1 sempre sendo capturado por uma (in)vis\u00edvel malha de poderes que se inscreve sobre seu corpo subjetivado. O CorPo resiste, cria seus pr\u00f3prios jogos, produz varia\u00e7\u00f5es de si. Entende que n\u00e3o somos indiv\u00edduos, mas div\u00edduos, e multiplica essas divis\u00f5es. \u00c9 sempre poss\u00edvel ser um outro nesse jogo, se por m\u00e1scaras, ou tir\u00e1-las, e se desconhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele \u00e9 um mediador, um facilitador, um provocador, um compositor, um jogador, um juiz, artista, um professor. Um si que joga consigo, entendendo esse jogo como experimentos auto-impostos para os desvios necess\u00e1rios \u00e0 vitalidade, para que os fluxos e intensidades passem. E s\u00e3o esses momentos intensivos de desvios criativos onde o ser se perde nos pr\u00f3prios movimentos, mas neste interim algo capta, nota, e anota em sua exist\u00eancia (e comp\u00f5e com seu corpo), que estamos definindo como improvisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CorPo usa o par risco-prud\u00eancia, numa autoexperimenta\u00e7\u00e3o constante, que vitaliza a vida, que potencializa a educa\u00e7\u00e3o. Uma educa\u00e7\u00e3o que \u00e9 explorada aqui como um espa\u00e7o de autoexperimenta\u00e7\u00e3o coletiva e compartilhada, atrav\u00e9s do jogo, onde tanto as regras produzem restri\u00e7\u00f5es, quanto a minha rela\u00e7\u00e3o com os outros, incluindo o curr\u00edculo como esse outro \u2013 intentando que essas restri\u00e7\u00f5es possibilitem novos caminhos e novos caminhantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, ao retomar nossa ideia de um Corpo Potencial, sendo esse que se experimenta atrav\u00e9s de exerc\u00edcios que aqui abordamos, sobretudo, sobre a ideia de jogo, retornamos tamb\u00e9m a essa concep\u00e7\u00e3o de jogo que produz varia\u00e7\u00e3o a partir do que temos de diz\u00edvel e vis\u00edvel <sup>[talvez nota para Foucault de Deleuze]<\/sup>. Com os estratos que definem as institui\u00e7\u00f5es e os sujeitos. N\u00e3o nos precipitamos numa queda acelerada em dire\u00e7\u00e3o ao CsO, se \u00e9 que isso \u00e9 poss\u00edvel, mas nos experimentamos a partir desses estratos e em jogos que se confundem com dan\u00e7as e combates nos (des)equilibramos e produzimos linhas de fuga em dire\u00e7\u00e3o a outras terras; carne e terra.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instalar-se sobre um estrato, experimentar as oportunidades que ele nos oferece, buscar a\u00ed um lugar favor\u00e1vel, eventuais movimentos de desterritorializa\u00e7\u00e3o, linhas de fuga poss\u00edveis, vivenci\u00e1-las, assegurar aqui e ali conjun\u00e7\u00f5es de fluxos, experimentar segmentos por segmento dos cont\u00ednuos de intensidade, ter sempre um pequeno peda\u00e7o de uma nova terra. (DELEUZE; GUATTARI, 1996, p.13).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/64-07-12-2017\/\"><code>Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/code><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u201cComo criar para si um CsO sem que seja o CsO canceroso de um fascista em n\u00f3s, ou o CsO vazio de um drogado, de um paranoico ou de um hipocondr\u00edaco?\u201d (DELEUZE; GUATTARI, 1996, p.11).<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior Notas que apontam para esta: [8] [12] &nbsp; PARA CRIAR UM CORPO SEM \u00d3RG\u00c3OS As intensidades que constituem o CsO s\u00e3o tamanhas que expulsam todo e qualquer significado fazendo do corpo um lugar de passagem. Resta sempre o vazio a ser preenchido. 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