{"id":244,"date":"2018-06-27T19:38:31","date_gmt":"2018-06-27T19:38:31","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=244"},"modified":"2018-06-28T20:42:23","modified_gmt":"2018-06-28T20:42:23","slug":"67-07-12-2017","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/67-07-12-2017\/","title":{"rendered":"[67] 07\/12\/2017"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/66-07-12-2017\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse labor interno <sup>[link para compagnon]<\/sup> no qual buscamos algo, nesse itiner\u00e1rio vacilante, que se apresenta a cada novo passo, e que faz curvas para imagens ainda n\u00e3o conhecidas, e que as vezes retorna ao mesmo ponto. Labirinto. Nesse ponto retornamos para o improviso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que tenho apresentado aqui como improviso, que seria um estado de prontid\u00e3o, de presen\u00e7a, que se relaciona com a vontade de pot\u00eancia de Nietzsche, \u00e9 uma certa forma incerta de jogar com as faculdades, uma (des)medida entre raz\u00e3o e intui\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o, sensa\u00e7\u00e3o e sentimento, ambas e todas em jogo em cada feito cotidiano; onde o Corpo Potencial, essa fic\u00e7\u00e3o (e esse mito inventado!), entra em jogo para operar entre essas faculdades, modular e a\u00ed afirmar suas escolhas e nessas escolhas afirmar a si e seu mundo. Por ser um feito imanente, essas escolhas se d\u00e3o nesse complexo jogo, e os procedimentos n\u00e3o podem ser definidos: n\u00e3o h\u00e1 como definir como atua um Corpo Potencial em cada situa\u00e7\u00e3o, pois elas diferem em cada apari\u00e7\u00e3o. Todavia, o exerc\u00edcio constante e o engajamento na autoexperimenta\u00e7\u00e3o permite que este corpo registre, quer seja intuitivamente ou racionalmente, certas vias que o levou \u00e0 alegria ou a tristeza. Assim, nesse labirinto da vida, a experi\u00eancia que resulta dessa experimenta\u00e7\u00e3o, numa certa mem\u00f3ria que se confunde com o esquecimento, o corpo tende a escolher a \u201cmelhor\u201d via e a utilizar as composi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao que lhe afetam positivamente, \u00e0 aumentar sua pot\u00eancia fazendo bons encontros nos caminhos nos quais caminha. \u201cDeves dominar teus aspectos favor\u00e1veis de os desfavor\u00e1veis, e aprender a entender como os suspende e os aplica, isto de acordo a teu prop\u00f3sito mais elevado\u201d (NIETZSCHE apud SAFRANSKI, 1998, p.97). Ademais, segue Safranski, na mesma p\u00e1gina:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um deve fixar quais s\u00e3o seus objetivos mais elevados. A virtude da autoconfigura\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode derivar de um \u00faltimo, verdadeiro princ\u00edpio. Para Nietzsche n\u00e3o existe uma verdade tal, s\u00f3 existem perspectivas. Portanto, a verdade deste princ\u00edpio s\u00f3 pode ser presumida, ou melhor: se deve a fazer verdadeira. O crit\u00e9rio para a verdade da verdade n\u00e3o vem de quanto ela coincida com a realidade, se n\u00e3o em quanto seja poderosa. A verdade da verdade \u00e9 seu poder de provocar realidade.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa po\u00e9tica da exist\u00eancia se inventam mitos, paix\u00f5es, vis\u00f5es, destinos. S\u00e3o inven\u00e7\u00f5es que amparam a vida em dado momento, como um amuleto da sorte, um objeto de poder, uma palavra m\u00e1gica, uma lembran\u00e7a que lhe traz for\u00e7a. Nada disso se projeta numa transcend\u00eancia, se faz e, eventualmente se desfaz, nessa vida. Traz for\u00e7a \u00e0 vida pela via da ludicidade, da brincadeira, esta como o real da realidade: acredito nesses mitos, dou cr\u00e9dito na sua for\u00e7a enquanto intercessores, mat\u00e9rias que disparam a pot\u00eancia no meu corpo, ou permitem que a vitalidade flua.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz Nietzsche que para este fim pode-se tamb\u00e9m inventar mitos que nos orientam e estimulam. N\u00e3o s\u00e3o revela\u00e7\u00f5es, e carecem de autoridade transcendente. S\u00e3o esbo\u00e7os pragm\u00e1ticos dirigidos com o fim de intensificar a vida. Sem d\u00favida Nietzsche logra em seus melhores momentos um jogo na leveza da linguagem e do pensamento, um estado de leveza alada que lhe permite dan\u00e7ar ainda que sobre sofrimento e uma pesada carga especulativa. Consegue assim, apesar de tudo, uma alegria, uma mescla de \u00eaxtase e serenidade. Se alcan\u00e7am instantes nos quais a vida se parece com um grande jogo. Nietzsche joga tamb\u00e9m com suas perspectivas, se coloca m\u00e1scaras, ensaia diferentes papeis, experimenta ser um livre pensador, um pr\u00edncipe fora da lei, ser Zaratustra. (SAFRANSKI, 1998, p.98. TRADU\u00c7\u00c3O NOSSA).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dioniso em jogo com Apolo. Mitos. Corpo Potencial em jogo. Mitos. Fantasias. Fic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/68-12-12-2017\/\"><code>Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/code><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior &nbsp; Nesse labor interno [link para compagnon] no qual buscamos algo, nesse itiner\u00e1rio vacilante, que se apresenta a cada novo passo, e que faz curvas para imagens ainda n\u00e3o conhecidas, e que as vezes retorna ao mesmo ponto. Labirinto. Nesse ponto retornamos para o improviso. 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