{"id":246,"date":"2018-06-27T19:40:17","date_gmt":"2018-06-27T19:40:17","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=246"},"modified":"2018-06-28T20:42:32","modified_gmt":"2018-06-28T20:42:32","slug":"68-12-12-2017","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/68-12-12-2017\/","title":{"rendered":"[68] 12\/12\/2017"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/67-07-12-2017\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos caminhos desta pesquisa-texto que se autoexperimenta ao inventar(se) nos encontramos com Nietzsche. Nesta sala de estar, juntos, est\u00e3o Apolo e Dioniso. Um novo jogo se inicia, portanto, mas que n\u00e3o deixa de ser uma nova linha desdobrada dos pensamentos anteriores \u2013 da autoexperimenta\u00e7\u00e3o, da cria\u00e7\u00e3o de mitos, das fic\u00e7\u00f5es. Sempre o jogo no pensamento, um certo di\u00e1logo entre v\u00e1rios e que se apresenta em texto. Nesse sentido, trazemos uma cita\u00e7\u00e3o do in\u00edcio do livro O Nascimento da Trag\u00e9dia, de fragmentos sobre o t\u00edtulo de Ensaio de Autocr\u00edtica:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estruturado puramente a partir de viv\u00eancias pr\u00f3prias, prematuras e excessivamente verdes, todas elas situadas muito perto do limiar do comunic\u00e1vel, colocadas no solo da arte \u2013 porque o problema da ci\u00eancia n\u00e3o pode ser conhecido no solo da ci\u00eancia -, um livro talvez para artistas com um complemento de capacidades anal\u00edticas e retrospectivas (ou seja, para uma esp\u00e9cie excepcional de artistas que t\u00eam de ser procurados e que gostar\u00edamos de nem procurar&#8230;), plenos de inova\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gicas e dons ocultos de artista, com um fundo de metaf\u00edsica de artista, uma obra de juventude plena de alento e desalento, [&#8230;] em suma, uma obra de principiante, mesmo nesse mau sentido da palavra, presa a todos os problemas da juventude, apesar de seu problema de avan\u00e7ada idade. (NIETZSCHE, 2005, p.9).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nietzsche nos apresenta esse reencontro consigo, sobre o qual faz sua autocr\u00edtica. A n\u00f3s interessa esse movimento de releitura, no qual se encontra, talvez, as sementes do que mais tarde veio a florescer, e para o qual n\u00e3o se mensurava os frutos. Ou seja, os problemas da exist\u00eancia, e junto aquele outro eu que se intui e sobre o qual n\u00e3o se pode conhecer \u2013 nem antes nem agora, apesar da maior proximidade no presente. Para Nietzsche, a for\u00e7a que Dioniso teve para seu pensamento, e a estranheza da releitura desse outro, t\u00e3o pr\u00f3ximo e t\u00e3o distante.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um livro comprovado, quero dizer um livro que em todo o caso satisfez \u201cos melhores da sua \u00e9poca\u201d. J\u00e1 por causa disso ele deveria ser tratado com alguma considera\u00e7\u00e3o e algum sil\u00eancio; apesar disso, n\u00e3o quero calar totalmente qu\u00e3o desagrad\u00e1vel \u00e9 o modo como ele me surge agora, qu\u00e3o estranha \u00e9 a forma como se encontra diante de mim, dezesseis anos depois \u2013 diante de um olhar mais idoso, cem vezes mais mal-habituado, mas de modo algum mais frio e que tampouco se tornou mais estranho, mesmo \u00e0 tarefa que aquele livro temer\u00e1rio ousou pela primeira vez empreender \u2013 ver a ci\u00eancia sobre a \u00f3tica do artista, a arte, por\u00e9m, sob a da vida&#8230; (NIETZSCHE, 2005, p.10).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com Nietzsche, reafirmamos o intento da pesquisa que inventa e que tem no texto o instrumento (e ao mesmo tempo a mat\u00e9ria) sobre o qual modula a energia e constitui a realidade. Nietzsche, conforme afirmou SAFRANSKI <sup>[link] <\/sup>, fez da sua exist\u00eancia, atrav\u00e9s da filosofia, e essa como pensamento e texto, uma autoeperimenta\u00e7\u00e3o. Procedimentos que aqui buscamos, ao tentar fazer da\/na pesquisa o \u201cobjeto\u201d sobre o qual pesquisamos, qual seja: o Corpo Potencial como autoexperimentador (e autoficionador) em pesquisa que inventa suas mat\u00e9rias-pe\u00e7as e com elas comp\u00f5em num pesquisa-inven\u00e7\u00e3o. O CorPo que ensaio, um texto que ensaia, numa vida que se apresenta enquanto apar\u00eancia \u2013 e a\u00ed nossa sala de estar se transforma num palco e, ao mesmo tempo, numa sala de jogos \u2013 e ambos numa sala de aula!<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pr\u00f3prio livro surge repetidamente a ousada proposi\u00e7\u00e3o segundo a qual s\u00f3 como fen\u00f4meno est\u00e9tico se v\u00ea legitimada a exist\u00eancia do mundo. Com efeito, todo o livro conhece apenas um sentido pr\u00f3prio e oculto de artista por detr\u00e1s de tudo o que acontece \u2013 um \u201cdeus\u201d se quiser, mas decerto apenas um deus de artista, totalmente irrefletido e imoral, pretendendo comprenetrar-se do seu prazer e de sua autoglorifica\u00e7\u00e3o imediatos tanto no ato de construir como no de destruir, no bem e no mal, libertando-se ao criar mundos da necessidade da abund\u00e2ncia e sobreabund\u00e2ncia do sofrimento das oposi\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o impostas. (NIETZSCHE, 2005,p.13).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo do sofrimento, mesmo com as oposi\u00e7\u00f5es que nos s\u00e3o impostas, das escolhas inerentes ao viver. Com elas, dan\u00e7ar aos p\u00e9s do acaso [link], brincar, jogar. Com elas errar. Com as oposi\u00e7\u00f5es apresentadas atrav\u00e9s dos mitos Apolo e Dioniso, mas n\u00e3o s\u00f3. Oposi\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es que a linguagem nos apresenta &#8211; ele ou ela, claro ou escuro-, onde nem sempre varia\u00e7\u00f5es de tons s\u00e3o poss\u00edveis, mas podem ser inventados, por isso um trabalho de artista. Nisso perspectivamos nossa vida, numa exist\u00eancia que n\u00e3o se pauta por nenhum fim, irrefletida, onde o erro ganha outro sentido; e onde o sentido \u00e9 sempre (re)inventado nas composi\u00e7\u00f5es do qual \u00e9 efeito.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma filosofia que ousa colocar a pr\u00f3pria moral do mundo no fen\u00f4meno, fazendo-a descer n\u00e3o apenas para o meio dos \u201cfen\u00f4menos\u201d (no sentido<em> terminus technicus <\/em>idealista) mas para o meio das \u201cilus\u00f5es\u201d, enquanto apar\u00eancia, alucina\u00e7\u00e3o, erro, interpreta\u00e7\u00e3o, arranjo, arte. [&#8230;]\u00a0 Pois toda a vida assenta na apar\u00eancia, arte, ilus\u00e3o, \u00f3tica, necessidade do perspectivismo e do erro. (NIETZSCHE, 2005,p.14).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/69-12-12-2017\/\"><code>Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/code><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior &nbsp; Nos caminhos desta pesquisa-texto que se autoexperimenta ao inventar(se) nos encontramos com Nietzsche. Nesta sala de estar, juntos, est\u00e3o Apolo e Dioniso. Um novo jogo se inicia, portanto, mas que n\u00e3o deixa de ser uma nova linha desdobrada dos pensamentos anteriores \u2013 da autoexperimenta\u00e7\u00e3o, da cria\u00e7\u00e3o de mitos, das fic\u00e7\u00f5es. 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