{"id":253,"date":"2018-06-27T19:47:33","date_gmt":"2018-06-27T19:47:33","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=253"},"modified":"2018-07-17T12:36:40","modified_gmt":"2018-07-17T12:36:40","slug":"71-24-12-2017","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/71-24-12-2017\/","title":{"rendered":"[71] 24\/12\/2017"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/70-12-12-2017\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p><code>Notas que apontam para esta: <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/9-10-08-2017\/\">[9]<\/a> <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/15-10-08-2017\/\">[15]<\/a><br \/>\n<\/code><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, se tudo \u00e9 texto, nos cabe pensar a leitura, a leitura que fazemos, a leitura que somos capazes de fazer e, sobretudo, a leitura que queremos fazer. Qual a nossa leitura do mundo? Dessa leitura precisamos prover nossa for\u00e7a, nossa pot\u00eancia. Essa leitura precisa ser inacabada, uma leitura que deixe aberturas para outras leituras, para que a narrativa continue; para uma nova curva deste labirinto-mundo-texto. \u201c\u00c9 a vida em sua totalidade, e n\u00e3o s\u00f3 a intelig\u00eancia, a que interpreta, a que l\u00ea. Mais ainda, viver \u00e9 interpretar, dar um sentido ao mundo e atuar em fun\u00e7\u00e3o desse sentido\u201d (LARROSA, 2009, p.17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso nossa afirma\u00e7\u00e3o de uma pesquisa-texto que interpreta o mundo e nisso faz o seu mundo. E ao fazer o \u201cseu\u201d mundo inventa um si neste mundo. E ao inventar um si inventa \u201cuns\u201d outros. E nisso inventa uma comunidade e nisso uma \u00e9tica. E em tudo um modo e nesse modo um estilo.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estilo \u00e9, para Nietzsche, uma forma m\u00faltipla para a express\u00e3o do inexpress\u00e1vel, uma m\u00fasica, um gesto, um punho, um martelo; a personalidade \u00e9 um sistema hierarquizado de for\u00e7as; a verdade n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o que esqueceu o que \u00e9. [&#8230;] A escrita de Nietzsche n\u00e3o pretende transmitir um conte\u00fado de verdade, n\u00e3o pretende enfrentar um saber contra outro saber, n\u00e3o pretende nem ao menos \u201cinstruir\u201d o leitor. O que busca \u00e9 expressar uma for\u00e7a que combine com outras for\u00e7as, com outras experi\u00eancias, com outros temperamentos, e os leve al\u00e9m de si mesmos. (LARROSA, 2009, p.19).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim afirmamos uma intersec\u00e7\u00e3o, um cruzamento e uma sobreposi\u00e7\u00e3o entre um fazer pesquisa e um \u201cfazer\u201d aula; e esse cruzamento tem seu ponto comum precisamente no estilo. E nesse estilo uma forma jogada, dan\u00e7ada, improvisada. Essa escolha \u00e9 quase uma imposi\u00e7\u00e3o que se apresenta a partir da leitura que fizemos do mundo (das coisas), qual seja: o que vemos (lemos) \u00e9 uma coisa, o que escrevemos \u00e9 outra, e o que ser\u00e1 lido \u00e9 ainda outra. Trata-se sempre de uma tentativa de interpretar (no sentido teatral do termo, de encenar) o inexpress\u00e1vel. E essa tentativa \u00e9 improvisada com o que temos, e com o que somos capazes de prover com o que temos. Desta feita n\u00e3o pode uma pesquisa que pesquisa a Educa\u00e7\u00e3o, ou uma pesquisa que comp\u00f5e-se em uma aula (em educa\u00e7\u00e3o), pensar-se (e apresentar-se) para ser compreendida, entendida \u2013 ou mesmo para elucidar algu\u00e9m. Se a realidade \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o que se comp\u00f5e a partir do que podemos apreender\/compreender do mundo, esse feito (e efeito) se d\u00e1 em jogo combinat\u00f3rio no qual passa um jogo de fundo: um complexo jogo de for\u00e7as que constitui quem somos e nisso nossa capacidade de ler e escrever, ou seja, de perceber e compor; de inventar e de criar.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o \u201ceu\u201d do leitor n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o o resultado superficial de uma certa organiza\u00e7\u00e3o hierarquizada de for\u00e7as que, em grande medida, permanece inconsciente. O que somos capazes de ler em um livro \u00e9 o resultado de nossas disposi\u00e7\u00f5es an\u00edmicas mais profundas: a finura e o car\u00e1ter de nossos sentidos, nossas disposi\u00e7\u00f5es corporais, nossas viv\u00eancias passadas, nossos instintos, nosso temperamento essencial, a qualidade de nossas entranhas. (LARROSA, 2009. p.17).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o se apresenta ent\u00e3o como um jogo de leituras; e de uma leitura desapegada, pois n\u00e3o se trata de pegar nada, n\u00e3o h\u00e1 o que pegar. Essa leitura nota, percebe, e nisso se apresenta o pensamento, como \u201calgu\u00e9m\u201d anotando o que percebeu. O pensamento \u00e9 uma nota\u00e7\u00e3o do mundo. Se pega o que se inventa, n\u00e3o os fatos. Todavia, esse percebido est\u00e1 comprometido com o que somos capazes de ler, de reconhecer num ato recognitivo <sup>[linkar com imagem do pensamento em Deleuze].<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Educa\u00e7\u00e3o que aqui interpretamos em nossa pesquisa-palco-texto entende esse processo como uma reescrita na leitura, ou seja, de se ver no que v\u00ea, e a\u00ed reescrever, ao seu modo, o que l\u00ea. Portanto, enquanto escritores-educadores, comprometer-se nesse jogo a desvios (em nossa escrita e na disposi\u00e7\u00e3o desta para a leitura), para que o que retorne seja outro, para produzir diferen\u00e7as na repeti\u00e7\u00e3o. \u201cEm \u00faltima inst\u00e2ncia ningu\u00e9m pode escutar nas coisas, inclu\u00eddos os livros, mais daquilo que j\u00e1 sabe. [&#8230;] Quem acreditou ter compreendido algo de mim, esse refez algo de mim \u00e0 sua imagem\u201d (NIETZSCHE, 1971, p.57\u00a0 ?conferir). Ou seja, neste ler um texto \u00e0 sua imagem, refaz sua pr\u00f3pria imagem, nesse encontro e combina\u00e7\u00e3o com um outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><code><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/72-24-12-2017\/\">Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/a><\/code><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior Notas que apontam para esta: [9] [15] E, se tudo \u00e9 texto, nos cabe pensar a leitura, a leitura que fazemos, a leitura que somos capazes de fazer e, sobretudo, a leitura que queremos fazer. Qual a nossa leitura do mundo? Dessa leitura precisamos prover nossa for\u00e7a, nossa pot\u00eancia. 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