{"id":257,"date":"2018-06-27T19:49:43","date_gmt":"2018-06-27T19:49:43","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=257"},"modified":"2018-07-17T11:39:30","modified_gmt":"2018-07-17T11:39:30","slug":"73-26-12-2017","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/73-26-12-2017\/","title":{"rendered":"[73] 26\/12\/2017"},"content":{"rendered":"<p><code><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/72-24-12-2017\/\">Voltar para nota anterior<\/a><\/code><\/p>\n<p><code>Nota que aponta para esta: <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/10-10-08-201740\/\">[10]<\/a><\/code><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALGUMAS CONSIDERA\u00c7\u00d5ES ACERCA DO M\u00c9TODO \u201cADOTADO\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste momento parece importante fazer algumas considera\u00e7\u00f5es sobre a pesquisa. Sobre o tema da pesquisa, sobre o que se pesquisa, mas, sobretudo, sobre como se pesquisa. Sem embargo, de alguma maneira, esse \u201ccomo\u201d \u00e9 a pr\u00f3pria pesquisa. Esse \u201ccomo\u201d n\u00e3o pressup\u00f5e um \u201ccomo chegar ao lugar\u201d; esse como \u00e9 um modo, um fazer-se, uma experimenta\u00e7\u00e3o. Assim, o ato de pesquisar se confunde com o ato de educar, com uma autoeduca\u00e7\u00e3o. Assim tamb\u00e9m, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 entendida como um pesquisar a si, um pesquisar a si que se pesquisa com o mundo, pois n\u00e3o se divide eu e mundo, corpo e mente, sujeito e objetos (ainda que se entenda a especificidades destes corpos, e que se busque compreender o modo como cada um \u00e9 composto e se comp\u00f5e nesse jogo da exist\u00eancia). Ent\u00e3o, se neste momento da pesquisa pareceu importante algumas defini\u00e7\u00f5es, \u00e9 porque de algum modo essas \u201cdefini\u00e7\u00f5es\u201d chegam at\u00e9 n\u00f3s. Ainda que se de alguma forma s\u00e3o buscadas, n\u00e3o as s\u00e3o num sentido de pega-esconde, de quem sup\u00f5e uma verdade e objetiva encontra-la por detr\u00e1s da realidade (e dos textos), mas de uma brincadeira ao modo de uma explora\u00e7\u00e3o, uma jornada, um viajante em seu jardim de inf\u00e2ncia \u2013 e a inf\u00e2ncia como esse estado de inoc\u00eancia, de jogo com o acaso [link para Nietzsche e Her\u00e1clito]. O que importa, ent\u00e3o, \u00e9 o que \u00e9 importado, o que vem \u201cao dentro\u201d: \u00e9 como uma intui\u00e7\u00e3o que se desdobra em conhecimento, ou seja, o que percebo e invento como um conhecido (ou o que noto e anoto, conforme venho pensando como uma po\u00e9tica notacional, mas isso ainda \u00e9 uma fantasia meio disforme \u2013 a qual cito desta forma, como po\u00e9tica notacional, talvez pela primeira vez).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas defini\u00e7\u00f5es ent\u00e3o: n\u00e3o h\u00e1 uma verdade para encontrar, as verdades s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es; n\u00e3o se pesquisa como um sujeito pesquisador, mas intenta-se se dispor nesse jogo de for\u00e7as, como quem brinca, como quem dan\u00e7a; n\u00e3o se parte de um sentido e m\u00e9todo pr\u00e9-existente, mas se exercita na afina\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o, da intui\u00e7\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o de sentidos; n\u00e3o se escreve sobre o que pesquisou, mas se escreve como uma pesquisa que encontra ao escrever, que improvisa com os encontros e que cria esses encontros aos escrev\u00ea-los (que transcreve algo inexpress\u00e1vel enquanto identifica\u00e7\u00e3o); n\u00e3o busca caminhos retos, evita que o corpo busque caminhos conhecidos e equilibrados, produz desvios, incomoda a si; n\u00e3o h\u00e1 uma chegada, pois n\u00e3o estamos a buscar caminhos e uma meta, nosso m\u00e9todo \u00e9 a inven\u00e7\u00e3o dos caminhos e esses caminhos s\u00e3o errantes, desviantes: s\u00e3o caminhos que v\u00e3o ganhando terreno em movimentos circulares, que eventualmente retornam para o ponto de partida, e em novas espirais ganham mais espa\u00e7o dentro do espa\u00e7o j\u00e1 percorrido (e encontram, e inventam, mais coisas junto ao j\u00e1 conhecido, j\u00e1 inventado); trata-se de um m\u00e9todo que se faz ao fazer-se pesquisa; trata de uma pesquisa que se educa ao pesquisar a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que, tamb\u00e9m, nos leva a escrever essas considera\u00e7\u00f5es, \u00e9 o encontro com uma cita\u00e7\u00e3o de Nietzsche (com o qual temos nos encontrado nessa leitura escrita dan\u00e7ante). Digo tamb\u00e9m, pois, s\u00e3o diversos encontros que ganham for\u00e7a ao se repetirem \u2013 uns vis\u00edveis, outros, talvez, somente \u201csent\u00edveis\u201d. Esses encontros ganham for\u00e7a na sua apresenta\u00e7\u00e3o enquanto palavras. Dessas que se repetem ganha for\u00e7a a ideia da viagem, uma viagem sem caminhos definidos (ainda que eventualmente se caminhe nos caminhos de outros que nos afetam, e que se caminhe junto). E essa viagem \u00e9 desviante, como teimo em repetir-me. Essa viagem \u00e9 uma repeti\u00e7\u00e3o, que teima em desviar-me. Ao retornar por outro caminho se v\u00ea o \u201cj\u00e1 visto\u201d por outra perspectiva. \u00c9 uma viagem que constr\u00f3i seus caminhos, ora com caminhos de outros, ora ao acaso (e com a intui\u00e7\u00e3o), ora sem saber se inventou um caminhou ou encontrou um caminho j\u00e1 existente (pois tamb\u00e9m somos tomados pela for\u00e7a da hist\u00f3ria, de, talvez, um inconsciente coletivo, ou a for\u00e7a que ganha a repeti\u00e7\u00e3o desses caminhos feitos e refeitos outrora \u2013 por outros e por n\u00f3s mesmos[link para fragmento po\u00e9tico que fala sobre o repetir-se e dos caminhos]). Esse caminho inventado \u00e9 um labirinto: caminhos em superf\u00edcie, caminhos subterr\u00e2neos, arenosos, mergulhos em \u00e1guas rasas (e profundas), plan\u00edcies e tamb\u00e9m pontes elevadas, de onde, por alguns instantes, podemos vislumbrar o labirinto enquanto uma paisagem, at\u00e9 onde nossos olhos (ou nossa inven\u00e7\u00e3o criativa) podem ver. Ent\u00e3o, \u201ccom\u201d os caminhos de Zaratustra, com Nietzsche:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por muitos caminhos diferentes e de m\u00faltiplos modos cheguei eu \u00e0 minha verdade; n\u00e3o por uma \u00fanica escada subi at\u00e9 a altura onde meus olhos percorrem o mundo. E nunca gostei de perguntar por caminhos, &#8211; isso, ao meu ver, sempre repugna! Preferia perguntar e submeter \u00e0 prova os pr\u00f3prios caminhos. Um ensaiar e perguntar foi todo o meu caminhar &#8211; e, na verdade, tamb\u00e9m tem-se de aprender a responder a tal pergunta! Este \u00e9 o meu gosto, do qual j\u00e1 n\u00e3o me vergonho nem o escondo. \u201cEste \u00e9 o meu caminho, onde est\u00e1 o vosso?\u201d, assim respondia eu aos que perguntavam \u201cpelo caminho\u201d. O caminho, na verdade, n\u00e3o existe! (NIEZSCHE apud LARROSA, 2009, p.40).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/74-26-12-2017\/\"><code>Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/code><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior Nota que aponta para esta: [10] &nbsp; ALGUMAS CONSIDERA\u00c7\u00d5ES ACERCA DO M\u00c9TODO \u201cADOTADO\u201d Neste momento parece importante fazer algumas considera\u00e7\u00f5es sobre a pesquisa. Sobre o tema da pesquisa, sobre o que se pesquisa, mas, sobretudo, sobre como se pesquisa. Sem embargo, de alguma maneira, esse \u201ccomo\u201d \u00e9 a pr\u00f3pria pesquisa. 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