{"id":263,"date":"2018-06-27T20:02:58","date_gmt":"2018-06-27T20:02:58","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=263"},"modified":"2018-07-17T11:51:25","modified_gmt":"2018-07-17T11:51:25","slug":"76-22-01-2018","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/76-22-01-2018\/","title":{"rendered":"[76] 22\/01\/2018"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/75-10-01-2018\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p><code>Nota que aponta para esta: <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/10-10-08-201740\/\">[10]<\/a><\/code><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa fatalidade (n\u00e3o h\u00e1 foto sem alguma coisa ou algu\u00e9m) leva a fotografia para a imensa desordem dos objetos &#8211; de todos os objetos do mundo: por que escolher (fotografar) tal objeto, tal instante, em vez de tal outro? A fotografia \u00e9 inclassific\u00e1vel porque n\u00e3o h\u00e1 qualquer raz\u00e3o para <em>marcar <\/em>tal ou tal de suas ocorr\u00eancias; ela gostaria, talvez, de se fazer t\u00e3o gorda, t\u00e3o segura, t\u00e3o nobre quanto um signo, o que lhe permitiria ter acesso \u00e0 dignidade de uma l\u00edngua; mas para que haja signo, \u00e9 preciso que haja marca (BARTHES, 1984, p.16).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barthes me remete novamente ao texto, n\u00e3o por acaso: buscava um aliado que comigo pudesse delinear o in\u00edcio (mesmo que me abandonasse depois). N\u00e3o sei se ele continuar\u00e1, mas provavelmente n\u00e3o, pois n\u00e3o estava no meu itiner\u00e1rio de leituras atuais. Contudo, estar com ele de alguma maneira me motiva a escrita \u2013 seus textos movem em mim algo que me convoca \u00e0 escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi ent\u00e3o de minha parte um ato calculado. N\u00e3o me oponho ao c\u00e1lculo, aos objetivos, \u00e0 raz\u00e3o. E mesmo, por vezes, aceito que os fins justificam os meios. O que est\u00e1 em jogo aqui \u00e9 que o jogo \u00e9 soberano e nele criamos nossas estrat\u00e9gias \u2013 e nestas valem os fins como um mover-se de um ponto ao outro, para sair do est\u00e1tico, desde que entenda que este ponto faz farte de um desalinhar ao infinito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim estruturo a escrita (e a desestruturo) em um planejamento que n\u00e3o \u00e9 mais do que a tentativa de antever: uma vis\u00e3o, uma miragem que pode se confirmar como realidade &#8211; se por fim for composta de fato como antevisto, ou pode cair no esquecimento (para que possivelmente retorne depois, tendo em vista que o esquecimento n\u00e3o \u00e9 desaparecimento, no m\u00e1ximo um desaparecimento da vis\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontro ent\u00e3o em Barthes for\u00e7as para retornar a escrita, pois assim havia previsto (conforme esbo\u00e7ado no fragmento anterior a este, e que, por sua vez, surgiu ao acaso [link, creio que seja o que cita Guattari (06\/03)). De tempos em tempos &#8211; em espa\u00e7os percorridos, portanto \u2013 sinto ser necess\u00e1rio fechar certo bloco de notas dentro desse Bloco de Notas (assim agora chamado conforme decis\u00e3o recente e explicitada em textos ainda por serem escritos, mas que se iniciam por aqui&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o ent\u00e3o, desviando da fotografia para a escrita (para a pesquisa-texto): de todos os objetos do mundo, por que escolher tal objeto e tal instante ao inv\u00e9s de outro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, a partir disso, e para al\u00e9m, perguntar: quem \u00e9 esse que escolhe? E a\u00ed inserimos o problema da autoria, da escrita, da linguagem, e desse jogo entre sujeito e devir, estratos e fora, que tanto nos interessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao escrever o que escrevemos, e ao empregar determinadas palavras, e n\u00e3o outras, fizemos escolhas. Essas escolhas por sua vez apresentam determinada imagem de pesquisa. Os usos da l\u00edngua, as marcas deixadas na p\u00e1gina em branco, dizem tal mundo ao inv\u00e9s de outro. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o de pesquisa, da defini\u00e7\u00e3o do que se quer pesquisar e do que (e como) se pretende apresentar; mas \u00e9, ao mesmo tempo, a quest\u00e3o do improviso: entre o que passa num dado momento, qual a\u00e7\u00e3o realizo? Em quais possibilidades afirmo minha exist\u00eancia? Qual gesto, qual palavra? O que mostro e o que n\u00e3o dou a ver? Mas antes, quais possibilidades sou capaz de perceber? E a\u00ed retornamos ao Corpo Potencial: deste e da pot\u00eancia como lat\u00eancia de possibilidades, como quem percebe os movimentos nos quais pode se inserir e compor. Esse que percebe e faz boas escolhas, faz boas composi\u00e7\u00f5es, \u00e9 um bom inventor e escreve boas fic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso (e impreciso, sem ressalva) saber escolher, bem como realizar boas alian\u00e7as (e alinhan\u00e7as): precisamos se aliar, fazer amigos e ser nossos pr\u00f3prios inimigos, porquanto \u00e9 necess\u00e1rio combater um tanto de si, do sujeito, para possibilitar fluir os fluxos que vitalizam a vida \u2013 com a ajuda desses outros que nos d\u00e3o for\u00e7as ao mesmo tempo que nos deslocam (e a din\u00e2mica do movimento inicia ao sair do eixo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim iniciamos mais uma nota, abrindo o portal da inven\u00e7\u00e3o, jogando com o que surge, e com os textos j\u00e1 lidos, com conex\u00f5es mais ou menos imprecisas enquanto defini\u00e7\u00e3o de um roteiro, mesmo assim preciosas nas marcas que deixam, e nos efeitos que produzem (falamos acerca da nossa leitura, com f\u00e9 de que seja potente para outros leitores tamb\u00e9m).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguimos para outras notas, at\u00e9 durar o estoque.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><code><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/78-22-01-2018\/\">Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/a><\/code><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior Nota que aponta para esta: [10] &nbsp; Essa fatalidade (n\u00e3o h\u00e1 foto sem alguma coisa ou algu\u00e9m) leva a fotografia para a imensa desordem dos objetos &#8211; de todos os objetos do mundo: por que escolher (fotografar) tal objeto, tal instante, em vez de tal outro? 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