{"id":265,"date":"2018-06-27T20:04:47","date_gmt":"2018-06-27T20:04:47","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=265"},"modified":"2018-06-28T20:48:16","modified_gmt":"2018-06-28T20:48:16","slug":"77-22-01-2018","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/77-22-01-2018\/","title":{"rendered":"[77] 22\/01\/2018"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/76-22-01-2018\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui estamos ent\u00e3o, e damos a ver ao texto, possivelmente, caso caia aos olhos do leitor, n\u00f3s mesmos. Estamos sempre em jogo e aqui, damos a ver outro jogo \u2013 provavelmente um jogo que estamos a jogar desde o in\u00edcio desta pesquisa, mas que somente agora ganha forma o suficiente para que sobre ele se escreva. Trata-se da rela\u00e7\u00e3o entre o desaparecimento do autor, passando a ser um corpo no qual a linguagem se registra, como veremos com Barthes, ou a partir da fun\u00e7\u00e3o-autor, com Foucault. No outro lado desta quest\u00e3o est\u00e1 o lugar de fala, um certo ser identit\u00e1rio que escreve, que vive em condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, que se localiza ante um <em>ethos<\/em> social. Adentramos a quest\u00e3o ent\u00e3o, abrindo um novo caminho, com as seguintes palavras:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A auto-fic\u00e7\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1quina produtora de mitos do escritor, que funciona tanto nas passagens em que se relatam viv\u00eancias do narrador quanto naqueles momentos da narrativa em que o autor introduz no relato uma refer\u00eancia \u00e0 pr\u00f3pria escrita, ou seja, a perguntar pelo lugar de fala (O que \u00e9 ser escritor? Como \u00e9 o processo de escrita? Quem diz eu?). Reconhecer que a mat\u00e9ria da auto-fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a biografia mesma e sim o mito do escritor, nos permite chegar pr\u00f3ximos da defini\u00e7\u00e3o que interessa para nossa argumenta\u00e7\u00e3o. Qual a rela\u00e7\u00e3o do mito com a auto-fic\u00e7\u00e3o? O mito, diz Barthes, \u201cn\u00e3o \u00e9 uma mentira, nem uma confiss\u00e3o: \u00e9 uma inflex\u00e3o\u201d. \u201cO mito \u00e9 um valor, n\u00e3o tem a verdade como san\u00e7\u00e3o\u201d. (KLINGER, ano, p.55).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deslocando um pouco a via afirmamos que \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que a mat\u00e9ria da pesquisa \u2013 e essa entendida como fic\u00e7\u00e3o (desdobrada por vezes em autofic\u00e7\u00e3o)- n\u00e3o \u00e9 a realidade, e sim o mito do pesquisador. O mito do pesquisador que coleta os dados da realidade e que nos apresenta uma descoberta cient\u00edfica. N\u00e3o h\u00e1 o que ser descoberto [link para conversa do whats 2], tudo est\u00e1 por ser inventado. E por essa via precisamos compreender que a inven\u00e7\u00e3o [link sobre inven\u00e7\u00e3o do verbete do texto do wagner que preciso comprar] \u00e9 outra forma de lidar com o real, nem melhor nem pior do que, por exemplo, a t\u00e3o venerada racionalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos ent\u00e3o a falar, e a jogar, atrav\u00e9s da escrita, com o mito do pesquisador e, sem embargo, com o mito da pesquisa. A pesquisa que pressup\u00f5e uma autoria. Inevitavelmente estamos nesse jogo. N\u00f3s. N\u00f3s quem? Seguimos com Klingler para mais a frente (2006, p.58), expressar-nos (ou melhor, performar-nos):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo nossa hip\u00f3tese, o texto autoficcional implica uma <em>dramatiza\u00e7\u00e3o de si <\/em>que sup\u00f5e, da mesma maneira que ocorre no palco teatral, um sujeito duplo, ao mesmo tempo real e fict\u00edcio, <em>pessoa <\/em>(ator) e personagem. Ent\u00e3o n\u00e3o se trata de pensar, como o faz Phillipe Lejeune, em termos de uma \u201ccoincid\u00eancia\u201d entre \u201cpessoa real\u201d e personagem textual, mas a dramatiza\u00e7\u00e3o sup\u00f5e a <em>constru\u00e7\u00e3o<\/em> simult\u00e2nea de ambos, autor e narrador. Quer dizer, trata-se de considerar a auto-fic\u00e7\u00e3o como uma forma de performance.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobretudo aqui, ao intentar uma pesquisa-cria\u00e7\u00e3o, um fazer n\u00e3o calcado numa imaginada representa\u00e7\u00e3o da realidade, onde portanto n\u00e3o h\u00e1 nada a descobrir, sen\u00e3o tudo por investigar e inventar, a no\u00e7\u00e3o da autoria \u00e9 posta em cheque. E ainda que nos agrade a ideia do desaparecimento, a academia e o fazer cient\u00edfico demandam uma autoria, bem como uma fun\u00e7\u00e3o para a pesquisa. Essa busca pela verdade que n\u00e3o poder\u00e1 ser encontrada pois:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO imagin\u00e1rio, &#8211; diz Barthes \u2013 mat\u00e9ria fatal do romance e labirinto de redentes nos quais se extravia aquele que fala de si mesmo, o imagin\u00e1rio \u00e9 assumido por v\u00e1rias m\u00e1scaras (personae), escalonadas segundo a profundidade do palco (e, no entanto, ningu\u00e9m por detr\u00e1s)\u201d. Da\u00ed que ele anuncie em <em>Roland Barthes por Roland Barthes<\/em>, um texto autobiogr\u00e1fico, que \u201ctudo o que aqui se diz deve ser considerado como dito por um personagem de um romance\u201d. Trata-se da posi\u00e7\u00e3o oposta: n\u00e3o \u00e9 que \u201ca verdade sobre si mesmo s\u00f3 pode ser dita na fic\u00e7\u00e3o\u201d, mas \u201cquando se diz uma verdade sobre si mesmo deve ser considerada fic\u00e7\u00e3o\u201d. No final das contas, uma e outra posi\u00e7\u00e3o s\u00e3o duas faces da mesma moeda. (KLINGER, 2006, p.43).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas e porque estamos a falar de personagem, romance, auto-fic\u00e7\u00e3o e biografia se estamos a fazer uma pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa hip\u00f3tese \u00e9 de que a pesquisa, ao se embaralhar entre o real (enquanto apar\u00eancias e efeitos [link p Nietzsche]) e o pr\u00f3prio corpo do pesquisador (com tudo do que \u00e9 constitu\u00eddo) se projeta no texto como uma certa autobiografia, caso essa seja entendida na esteira da fic\u00e7\u00e3o, assim como o corpo pode ser visto como um palco onde se representa a realidade \u2013 uma reapresenta\u00e7\u00e3o diferencial.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sujeito, diz Derrida, n\u00e3o se define apenas como lugar e a localiza\u00e7\u00e3o de suas representa\u00e7\u00f5es: ele mesmo, como sujeito fica apreendido como um <em>representante<\/em>. O homem, determinado em primeiro lugar como <em>sujeito<\/em>, se interpreta ao mesmo tempo na estrutura da representa\u00e7\u00e3o. O sujeito, segundo Lacan, \u00e9 aquilo que o significante representa para outro significante. [&#8230;] Quando o homem determina tudo o que existe como represent\u00e1vel, ele mesmo se p\u00f5e em cena, no c\u00edrculo do represent\u00e1vel, colocando-se a si mesmo como a cena da representa\u00e7\u00e3o, cena na qual o <em>ente<\/em> deve se \u201cre-presentar\u201d, ou seja apresentar-se novamente. (KLINGER, 2006, p.53).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nesse apresentar-se novamente o ente torna-se outro. O escrevente tamb\u00e9m. O escritor se confunde com o narrador de um pesquisar; pesquisa que por sua vez pode ser vista como um conto: conto que se assemelha a um pesquisar, enquanto conta os feitos de uma voz que conta o que busca \u2013 e o drama est\u00e1 nesta tens\u00e3o dos (des)encontros.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/78-22-01-2018\/\"><code>Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/code><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior &nbsp; Aqui estamos ent\u00e3o, e damos a ver ao texto, possivelmente, caso caia aos olhos do leitor, n\u00f3s mesmos. 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