{"id":275,"date":"2018-06-27T20:11:37","date_gmt":"2018-06-27T20:11:37","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=275"},"modified":"2018-06-28T21:34:18","modified_gmt":"2018-06-28T21:34:18","slug":"81-30-01-2018","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/81-30-01-2018\/","title":{"rendered":"[81] 30\/01\/2018"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/80-22-01-2018\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos cabe portanto interpretar o mundo. E n\u00e3o que ele esteja ali a nossa espera, repetimos que n\u00e3o h\u00e1 o que descobrir, n\u00e3o h\u00e1 nada encoberto: o mundo \u00e9 superf\u00edcie e sob seus efeitos nos colocamos como interpretes que fazem suas tradu\u00e7\u00f5es criadoras. O \u00fanico sentido de encoberto se encontra por detr\u00e1s dos limites do nosso conhecimento: se existe um v\u00e9u ele \u00e9 resultado dos limites do nosso conhecimento. E aqui podemos retomar a ideia da vontade de pot\u00eancia como vontade de afirmar sua diferen\u00e7a [link para um dos posts recentes janeiro ou dezembro]; bem como a composi\u00e7\u00e3o de si nesses encontros em pesquisa e doc\u00eancia: \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9, assim, aquele conhecimento \u00e1gil, ardente e basicamente dispon\u00edvel, aquele conhecimento em muta\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua, que \u00e9 exigido para a explora\u00e7\u00e3o do mundo real\u201d (GARNIER, 2009, p.60).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso chegamos num ponto central desta pesquisa (um dos m\u00faltiplos centros dela): a pesquisa como essa rela\u00e7\u00e3o com o mundo sempre na proximidade do caos, no limite do conhecido, nas bordas. Assim,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A interpreta\u00e7\u00e3o se estrutura segundo dois conceitos essenciais: o \u201ctexto\u201d e o \u201ccaos\u201d, estreitamente associados aos conceitos de \u201cperspectivismo\u201d e de \u201cvalor\u201d. [&#8230;] Estamos, indica Nietzsche, perante \u201cum texto misterioso e <em>ainda n\u00e3o decifrado, <\/em>cujo sentido se nos revela cada vez mais\u201d. O \u201ccada vez mais\u201d \u00e9 precisamente a localiza\u00e7\u00e3o do limite, sempre fugidio, onde se desenha a proximidade do \u201ccaos\u201d. (GRANIER, 2009, p.61).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nietzsche afirma ent\u00e3o que o mesmo texto possibilita m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existindo, portanto, uma defini\u00e7\u00e3o exata.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, o conhecimento deve se contentar em ser um minucioso e paciente deciframento, sob a forma de um <em>ensaio <\/em>avan\u00e7ando na base de \u201chip\u00f3teses reguladoras\u201d e aplicando-se mais a \u201cdescrever\u201d os fen\u00f4menos do que a explic\u00e1-los por raz\u00f5es e provas (IDEM, p.62).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se ent\u00e3o de uma apropria\u00e7\u00e3o do mundo: de um gesto paciente de tomar para si o que lhe afeta e transform\u00e1-lo em seu; de notar, ou seja, perceber, e de anotar para si, em seu corpo, tendo essa nota um valor real (e ent\u00e3o a realidade vale por sua pot\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o de vida \u2013 essa realidade, e n\u00e3o outra). Seguimos com Granier (2009. p.65):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o onde se realiza a pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o do texto n\u00e3o \u00e9 sofrida por um int\u00e9rprete que se limitaria a \u201crefletir\u201d passivamente as imagens e as significa\u00e7\u00f5es cambiantes, ela \u00e9 moldada em favor de uma atividade original de cada \u201ccentro de interpreta\u00e7\u00e3o\u201d, e portanto \u00e9, de certa maneira, uma <em>produ\u00e7\u00e3o<\/em>; mais exatamente, uma <em>constru\u00e7\u00e3o de formas<\/em>, de maneira que o sentido para Nietzsche \u00e9 sempre o resultado de uma <em>mise em forme <\/em>\u2013 uma configura\u00e7\u00e3o expressiva; \u201co homem\u201d, diz ele, \u201c\u00e9 um criador de formas e de ritmos; em nada ele \u00e9 t\u00e3o experiente, nada lhe agrada mais do que a inven\u00e7\u00e3o de formas e de tipos\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nietzsche nos diz que \u201c\u00e9 preciso reconduzir aquilo que se chama <em>o instinto do conhecimento <\/em>a um instinto de <em>apropria\u00e7\u00e3o e de conquista<\/em>\u201d (NIETZSCHE apud GRANIER, 2009, p.66). Assim, portanto, o conhecer o mundo \u00e9 um ato de apropria\u00e7\u00e3o, uma vontade de travar com ele um contato, quer na forma de uma dan\u00e7a ou um combate, e assim compor sua realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 o regime de verdade que est\u00e1 em jogo, n\u00e3o se trata de separar ju\u00edzos certos e falsos, com Nietzsche, estamos para al\u00e9m do bem e do mal. O que nos interessa \u00e9 que tal ju\u00edzo, tal interpreta\u00e7\u00e3o e valora\u00e7\u00e3o do mundo, lhe traga for\u00e7a, potencialize e vitalize a vida. Numa palavra: err\u00fatil. Palavra errada, desviada, palavra err\u00e1til.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, \u201cpara o pragmatismo vital, a utilidade de um conhecimento \u00e9 em si mesma o crit\u00e9rio de sua verdade, ao passo que, perante a arbitragem mais rigorosa da veracidade nitzschiana, ela mant\u00e9m apenas o estatuto de uma <em>fic\u00e7\u00e3o eficaz<\/em>\u201d (GRANIER, 2009, p.76). Ent\u00e3o nos reencontramos com o tema da fic\u00e7\u00e3o, enquanto um modo de pensar a produ\u00e7\u00e3o da pesquisa, e com a autofic\u00e7\u00e3o, ao lidar com o mito do pesquisar-autor [link para fragmento anterior]. Performamos a pesquisa performando a escrita. Travamos nossos encontros com o mundo e sobre suas apar\u00eancias produzimos nossa realidade (como uma po\u00e9tica da nota\u00e7\u00e3o [talvez link]) para com ela perspectivar a educa\u00e7\u00e3o e a vida. Ante os m\u00faltiplos movimentos, entre as diversas for\u00e7as em jogo criamos nossos pontos de ancoragem, solidificamos em notas, palavras (nossos valores-\u00fateis), somos interpretes desta realidade: performers da transcria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, simplifica\u00e7\u00e3o e solidifica\u00e7\u00e3o, como meios privilegiados de domar a realidade do devir, n\u00e3o s\u00e3o viol\u00eancias infligidas ao devir, de modo que este fica <em>deformado <\/em>e <em>incognosc\u00edvel <\/em>devido a essa interpreta\u00e7\u00e3o vital que pretende <em>lhe dar formas <\/em>a fim de o <em>conhecer<\/em>? Sim, sem d\u00favida! Nietzsche, portanto, tinha raz\u00e3o ao recusar aos valores-\u00fateis o t\u00edtulo de \u201cverdades\u201d e de inclu\u00ed-los sob a rubrica das fic\u00e7\u00f5es engenhosas. (GRANIER, 2009, p.79).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><code><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/82-30-01-2018\/\">Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/a><\/code><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior &nbsp; Nos cabe portanto interpretar o mundo. E n\u00e3o que ele esteja ali a nossa espera, repetimos que n\u00e3o h\u00e1 o que descobrir, n\u00e3o h\u00e1 nada encoberto: o mundo \u00e9 superf\u00edcie e sob seus efeitos nos colocamos como interpretes que fazem suas tradu\u00e7\u00f5es criadoras. 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