{"id":303,"date":"2018-06-27T20:25:59","date_gmt":"2018-06-27T20:25:59","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=303"},"modified":"2018-06-28T21:51:36","modified_gmt":"2018-06-28T21:51:36","slug":"94-10-04-2018","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/94-10-04-2018\/","title":{"rendered":"[94] 10\/04\/2018"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/93-02-04-2018\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estado de improviso, o espa\u00e7o e a improvisa\u00e7\u00e3o: s\u00e3o tr\u00eas pontos que me parecem, agora, importantes de serem pensados para desdobrar o texto sobre o Corpo Potencial (em processo de cria\u00e7\u00e3o) e os pr\u00f3ximos &#8211; entre os quais, a Did\u00e1tica da Improvisa\u00e7\u00e3o. Ocorreu-me tamb\u00e9m, entre outras ideias poss\u00edveis, escrever um ensaio sobre o t\u00edtulo \u201cO que \u00e9 a improvisa\u00e7\u00e3o?\u201d. Tomando ent\u00e3o esse emaranhado problem\u00e1tico, do qual podemos destrinchar algumas perguntas, vamos tentar reafirmar e ampliar o alcance do nosso plano de iman\u00eancia conceitual (plano entendido tamb\u00e9m sobre a ideia de um plano de composi\u00e7\u00e3o, modulando-se com conceitos, mas avan\u00e7ando numa apresenta\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica onde a ideia se pretende imiscu\u00edda com os atos atualizados numa vida revitalizada). Da\u00ed poder\u00edamos tirar uma primeira afirma\u00e7\u00e3o: a improvisa\u00e7\u00e3o \u00e9 um fazer-se intrinsicamente atravessado pela teoria e pr\u00e1tica num espa\u00e7o onde ambas se confundem; aqui, o paralelismo entre pensamento e mat\u00e9ria (Spinoza) funciona para pensarmos que os movimentos s\u00e3o paralelos e concomitantes: pensamento e a\u00e7\u00e3o, ideia e composi\u00e7\u00e3o se fazem numa improvisa\u00e7\u00e3o sobre o \u201cprinc\u00edpio\u201d da pot\u00eancia (soma da for\u00e7a com a velocidade). Princ\u00edpio que sup\u00f5e o esquecimento, onde a \u201cideia\u201d se atualiza em ato improvisado, que retorna para a ideia do que se fez, ao mesmo tempo em que se segue fazendo; h\u00e1 a\u00ed algo como um controle descontrolado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas vamos tentar desdobrar alguns pontos, nessa escrita que se pensa ao escrever: um pensamento da e na escrita. Partimos de algumas anota\u00e7\u00f5es feitas ontem, ap\u00f3s ler o texto \u201cO que \u00e9 o contempor\u00e2neo?\u201d, de Agamben, e uma releitura da introdu\u00e7\u00e3o do livro \u201cO que \u00e9 a Filosofia?\u201d, de Deleuze e Guattari. Listarei, ent\u00e3o, alguns pontos \u00e0 serem desdobrados (e claro, alguns deles, talvez boa parte, vem sendo aqui investigados, reafirmados ou revistos, desde o in\u00edcio da pesquisa-texto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 Desdobrar-se sobre os clich\u00eas da improvisa\u00e7\u00e3o, entre os quais dois me chamam a aten\u00e7\u00e3o, nos extremos: \u201ctudo deu errado, e agora, o que fa\u00e7o? S\u00f3 me resta improvisar&#8230;\u201d e \u201cele tem o dom da improvisa\u00e7\u00e3o, \u00e9 espont\u00e2neo, expressivo, a arte flui por ser corpo: \u00e9 um artista nato!\u201d;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u2013 N\u00e3o me parece que exista, nem existir\u00e1, nem \u00e9 de nosso interesse, circunscrever o que \u00e9 o que n\u00e3o \u00e9 a improvisa\u00e7\u00e3o \u2013 um tal discurso talvez serviria para classificar os processos, as a\u00e7\u00f5es, os feitos, e isso n\u00e3o nos interessa; pelo todo do que vem se afirmando nessa pesquisa e nos textos sobre os quais ela se firma, n\u00e3o seria necess\u00e1rio afirmam que n\u00e3o pretendemos definir um modelo, sen\u00e3o instaurar e proliferar uma problem\u00e1tica. De todo modo, e para tanto, estamos a questionar a for\u00e7a de algumas pr\u00e1ticas as quais tem se entendido por improvisa\u00e7\u00e3o: questionando sua for\u00e7a de cria\u00e7\u00e3o, de produ\u00e7\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o, e por isso de desequil\u00edbrio, descentramento, de imprevisto. Tomamos como exemplo o \u201cdan\u00e7ar livre\u201d como sin\u00f4nimo de improvisa\u00e7\u00e3o; seriam ent\u00e3o poss\u00edveis algumas perguntas iniciais: por n\u00e3o estar seguindo uma coreografia pr\u00e9via se estaria em contato com o imprevisto ou reordenado fragmentos coreogr\u00e1ficos anteriores, sendo, portanto, revistos? A improvisa\u00e7\u00e3o seria um reordenar as coisas, fissurando a ordem, ou um fissurar as coisas, desordenando a ordem? N\u00e3o h\u00e1 nenhum descabimento em afirmar que ambos processos podem ser entendidos como improviso, pois tomam for\u00e7a dessa ampla ideia de n\u00e3o reproduzir algo tal como era. Contudo, se nos ampararmos na etimologia da palavra, chegamos nessa defini\u00e7\u00e3o: trazer ao dentro, dando a ver o que n\u00e3o era poss\u00edvel, o que era imprevisto a partir do que se tinha. Assim, o improviso \u00e9 como uma \u00edntima permuta com o fora, com o poss\u00edvel, onde \u201cmeu\u201d corpo \u00e9 espa\u00e7o para atualiza\u00e7\u00e3o de virtuais, para forma-se das energias informes, num ato de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 \u2013 Talvez seja necess\u00e1rio retomar o clich\u00ea de arte, enquanto espontaneidade, express\u00e3o dos sentimentos criando belas formas, comunicando a partir de uma contempla\u00e7\u00e3o das coisas \u2013 onde a interioridade do artista funciona como um espa\u00e7o de amadurecimento e posterior oferta das imagens que podem ser fru\u00eddas pelos normais. Excessos apol\u00edneos. Arte como institui\u00e7\u00e3o; arte como t\u00e9cnica que formaliza&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 \u2013 Acerca do estado de improviso, considerando a improvisa\u00e7\u00e3o como um dar-se a ver o que n\u00e3o era visto \u2013 tornando poss\u00edvel pensar (e fazer) o que era improv\u00e1vel, considera-se para fins e efeitos deste estudo: o estado de improviso \u00e9 um estado de prontid\u00e3o, e esta pressup\u00f5e um esquecimento ativo, estado de espera, aten\u00e7\u00e3o dispersa, sup\u00f5e um corpo presente, mas sem foco, sem objetivo; essa presen\u00e7a se posiciona no limiar do seu equil\u00edbrio f\u00edsico, de seu saber centrado, da afirma\u00e7\u00e3o de si: \u00e9 esse estado de fronteira, de borda, de equil\u00edbrio inst\u00e1vel; \u00e9 um estar em jogo, ainda que \u201cim\u00f3vel\u201d, pronto a precipitar-se na primeira afec\u00e7\u00e3o que possa desloca-lo, for\u00e7as de atra\u00e7\u00e3o: inicia-se assim o jogo da improvisa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um jogar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 \u2013 Para que a improvisa\u00e7\u00e3o ocorra, tal qual estamos a entendendo, sup\u00f5e-se ent\u00e3o um estado de improviso, que \u00e9 um estado de jogo (considerando que pensamos com o jogo ideal de Deleuze, em que cada jogada afirma o acaso, n\u00e3o h\u00e1 regras pr\u00e9vias, nem objetivos externos, nem vit\u00f3ria); mas tamb\u00e9m, um espa\u00e7o para que essa improvisa\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a. Espa\u00e7o agora entendido como o espa\u00e7o de um acontecimento: cena, aula, cotidiano. Tomamos ent\u00e3o a ideia da amizade, em Agamben (ano): um espa\u00e7o como este que estamos pensando, precisa de uma pol\u00edtica compreendida como amizade, ou seja, a pressuposi\u00e7\u00e3o de que minha vida \u00e9 condividida. N\u00e3o se trata da amizade em sua distin\u00e7\u00e3o social, mas de um princ\u00edpio de exist\u00eancia: existo por existirem outros, e sou parte irredut\u00edvel e insepar\u00e1vel desse \u201ctodo\u201d \u2013 e ainda que naufragado em uma ilha, n\u00e3o estaria s\u00f3 (Barthes, como viver junto); evocamos aqui a afirma\u00e7\u00e3o de Guattari, de que os indiv\u00edduos precisam ser, ao mesmo tempo, cada vez mais singulares e solid\u00e1rios; o jogador afirma sua diferen\u00e7a no jogo, n\u00e3o numa meta externa, tampouco na competi\u00e7\u00e3o com outro jogador, mas pela intensidade do jogar, por reafirmar um si poss\u00edvel no jogo. O espa\u00e7o do jogo \u00e9 amizade, \u00e9 pol\u00edtico: n\u00e3o h\u00e1 meta externa, em nosso labor interno, num jogo que pode ser entendido como uma brincadeira, constru\u00edmos v\u00ednculos (brincar tem esse sentido etimol\u00f3gico), afetamos e somos afetados, somos os singulares poss\u00edveis entre as possibilidades imanentes \u00e0 todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 \u2013 Para desdobrar essa ideia do espa\u00e7o de jogo como um espa\u00e7o de amizade, e essa entendida como pol\u00edtica, fa\u00e7amos uma composi\u00e7\u00e3o com a ideia do amigo (Deleuze e Guattari, o que \u00e9 a filosofia intro): o amigo como um intruso no pensamento, mas que nos leva ao pensar, como um entre, e como aquele que faz: o marceneiro, amigo da madeira; o filosofo, amigo dos conceitos. E o improvisador, amigo das coisas: aquele que faz de seus gestos coisas, que \u00e9 coisa que faz coisas, amigo do imprevisto, que \u201cfaz ver\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: Deleuze em diferen\u00e7a e repeti\u00e7\u00e3o fala dos fil\u00f3sofos que fazem ver (ou \u00e9 sobre os estoicos na l\u00f3gica do sentido); por refer\u00eancias nesse texto e desdobra-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><code><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/95-18-04-2018\/\">Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/a><\/code><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior &nbsp; Estado de improviso, o espa\u00e7o e a improvisa\u00e7\u00e3o: s\u00e3o tr\u00eas pontos que me parecem, agora, importantes de serem pensados para desdobrar o texto sobre o Corpo Potencial (em processo de cria\u00e7\u00e3o) e os pr\u00f3ximos &#8211; entre os quais, a Did\u00e1tica da Improvisa\u00e7\u00e3o. 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