{"id":309,"date":"2018-06-27T20:29:00","date_gmt":"2018-06-27T20:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=309"},"modified":"2018-07-17T12:50:29","modified_gmt":"2018-07-17T12:50:29","slug":"97-24-04-2018","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/97-24-04-2018\/","title":{"rendered":"[97] 24\/04\/2018"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/96-20-04-2018\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p><code>Notas que apontam para esta: <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/16-22-08-2017\/\">[16]<\/a>\u00a0\u00a0<\/code><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, inaugurando este ato, que nada mais \u00e9 do que o desdobramento de um pensar a pesquisa na escrita e, de todo modo, um pensar a si mesmo neste espa\u00e7o de escritor de e num pesquisar, \u00e9 preciso considerar que esse eu impl\u00edcito no enunciado &#8220;o que est\u00e1 em jogo quando escrevo?&#8221; n\u00e3o \u00e9 um sujeito dotado de inten\u00e7\u00f5es claras, verific\u00e1vel, pois alocado institucionalmente, presum\u00edvel, portanto, num ponto espacial (tomado como geogr\u00e1fico) e temporal (tomado enquanto cronol\u00f3gico). Esse eu \u00e9, com efeito, um efeito de linguagem, uma afirma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de um incerto ser que escreve, mas que, de modo algum, toma a escrita como proje\u00e7\u00e3o do que possui, se n\u00e3o, como resultado, tomando forma, e sempre parcial, do e no ato de procurar, de explorar. Ato que se ocupa de suas aus\u00eancias, na espreita de suas ignor\u00e2ncias, tornadas ativas, para encontrar novos acontecimentos, pensamentos e ideias que venham a ocupar esses espa\u00e7os &#8220;vazios&#8221; e, com isso, reorganizar todo o conjunto de seu corpo, e nisso, ainda, num entrela\u00e7amento, compor o corpo do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse eu que escreve n\u00e3o escreve porque sabe, tampouco escreve com o que \u00e9: escreve justamente para mudar-se (a si e sua localidade) e, para isso, \u00e9 preciso ganhar for\u00e7a de deslocamento: e essa for\u00e7a surge, justamente, desta atra\u00e7\u00e3o do desconhecido, uma for\u00e7a do Fora. Refor\u00e7amos, ent\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 o conhecimento (como o que j\u00e1 foi conhecido) que possibilita andar e pesquisar, pois esse ac\u00famulo, inclusive, resultaria num peso que dificultaria a caminhada. Consideramos que o que o foi conhecido j\u00e1 est\u00e1 registrado em outros escritos e, portanto, podem e precisam ser abandonados para que, mais leve, possamos tomar outros rumos. Contudo, \u00e9 necess\u00e1rio considerar que em nosso corpo levamos o que de nossa experi\u00eancia e investiga\u00e7\u00f5es passadas mais importou e, justamente por isso, n\u00e3o \u00e9 algo que carregamos, se n\u00e3o a pr\u00f3pria mat\u00e9ria que constitui nosso corpo que, ao passar pela digest\u00e3o da pesquisa, tornou-se os m\u00fasculos que nos movem, a mat\u00e9ria dos neur\u00f4nios que nos possibilitam pensar: o conhecimento n\u00e3o mais compreendido como algo externo e, se \u00e9 conte\u00fado, \u00e9 porque comp\u00f5e a nossa anatomia e fisiologia corporal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, caminha-se n\u00e3o como um emigrante que consigo carrega todos os pertences importantes que pode carregar, mas como um n\u00f4made que s\u00f3 leva o estritamente necess\u00e1rio, o que, por motivos pr\u00e1ticos ou amorosos, n\u00e3o pode deixar para tr\u00e1s. E mesmo que nada carregasse em suas m\u00e3os, muito transporta em sua hist\u00f3ria, na mem\u00f3ria inscrita nas linhas de seu corpo, nas suas curvas, curvaturas e alongamentos, no modo como anda, como v\u00ea, como se move. Seu corpo que \u00e9 e n\u00e3o \u00e9 seu, pois composto de tantos outros corpos com quais entrou em contato, seja em combate, seja em dan\u00e7as &#8211; de todo modo, em suas andan\u00e7as. Ademais, se o que j\u00e1 se conhece, como resultado de pesquisas passadas, segue desde antes j\u00e1 escrito, a eles podemos retornar quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que est\u00e1 em jogo, portanto, \u00e9 uma escrita que n\u00e3o se apresenta como a\u00e7\u00e3o descritiva de um real supostamente verific\u00e1vel, tampouco como prescri\u00e7\u00e3o de modifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o desenvolvimento de uma presum\u00edvel realidade; \u00e9 um jogo a ser tra\u00e7ado, inventado e projetado nos tra\u00e7os e marcas deixadas nos caminhos do pesquisar; caminhos esses que s\u00e3o constantemente revisitados, como trajetos de um labirinto que ora passamos a dominar e onde por vezes nos perdemos: sem ressentimentos, mas alegres com as possibilidades do que podemos, perdidos, encontrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa como uma po\u00e9tica da e na exist\u00eancia; tra\u00e7os escritos que se inscrevem nas linhas do nosso corpo, e se projetam no texto, num ato deliberado de escritor que, mesmo se reconstituindo no escrever, e talvez justamente por isso, intenta que o texto possa ele mesmo ser um corpo, tamb\u00e9m, por sua vez, n\u00f4made: corpo-texto disposto ao encontro de outros corpos; para que possa, assim, em outros jogos, num convite ao leitor jogador, e nas linhas t\u00eanues entre dor e prazer, mov\u00ea-los, numa dan\u00e7a, ou num combate onde, de todo modo, intenta-se, como resultado desse encontro, outras composi\u00e7\u00f5es em aumento de grau de pot\u00eancia; em outras palavras, para que possa vitalizar a vida que se vive e ainda, compor outros modos poss\u00edveis de se viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/98-01-05-2018\/\"><code>Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/code><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior Notas que apontam para esta: [16]\u00a0\u00a0 &nbsp; Em primeiro lugar, inaugurando este ato, que nada mais \u00e9 do que o desdobramento de um pensar a pesquisa na escrita e, de todo modo, um pensar a si mesmo neste espa\u00e7o de escritor de e num pesquisar, \u00e9 preciso considerar que esse eu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-309","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=309"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":870,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/309\/revisions\/870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}