{"id":311,"date":"2018-06-27T20:30:37","date_gmt":"2018-06-27T20:30:37","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=311"},"modified":"2018-07-17T12:55:23","modified_gmt":"2018-07-17T12:55:23","slug":"98-01-05-2018","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/98-01-05-2018\/","title":{"rendered":"[98] 01\/05\/2018"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/97-24-04-2018\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p><code>Notas que apontam para esta: <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/16-22-08-2017\/\">[16]<\/a>\u00a0<\/code><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me ocupo agora dos pensamentos que se projetam, e do que deles consigo apropriar e modular em texto escrito, a partir do texto anterior, produzido no dia 24 de abril [link], quando, excitado com as leituras de um dos Semin\u00e1rios (citar o semin\u00e1rio e o texto espec\u00edfico, Do \u00d3 com Foucault), parei a leitura e me dispus com a escrita. Deste ponto da escrita<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, deste desdobramento de um pesquisar, retomo a ideia, que acredito estar presente em outros textos-notas deste arquivo (compreens\u00e3o que, ali\u00e1s, preciso desdobrar, talvez com Benjamin e, suponho, enfaticamente, com Derrida) do of\u00edcio da escrita enquanto um pesquisar, da procura que se afirma ao escrever. Quest\u00e3o afirmada durante o semin\u00e1rio, em di\u00e1logo com meu questionamento compartilhado acerca da rela\u00e7\u00e3o entre literatura e ci\u00eancia, tomado das quest\u00f5es que me inquietam, e que ecoam na leitura recente de Barthes<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Trata-se deste ponto, que me \u00e9 caro, enquanto artista: a arte \u00e9 um fazer laboral, um of\u00edcio que solicita um empreendimento reafirmado no ato da repeti\u00e7\u00e3o, do refinamento do que e no que se empreende e que, paradoxalmente, n\u00e3o se sabe o que \u00e9, o que ser\u00e1 &#8211; e a\u00ed o tom angustiante que as vezes toma o fazer art\u00edstico e que, creio, o aproxima das grandes quest\u00f5es exist\u00eancias (grandes justamente por n\u00e3o podermos alcan\u00e7a-las e, mesmo assim, e justamente por isso, n\u00e3o paramos de procurar, ainda que resignados, sem contudo desocupar-nos certa dose de indigna\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ponto ent\u00e3o refor\u00e7o o que havia se apresentado no texto anterior<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, da pesquisa como um explorar, um ato em dire\u00e7\u00e3o ao exterior (exterior esse que habita a interioridade de meu corpo, porquanto a pele \u00e9 porosa, infinitamente aberta ao externo que me ocupa, ainda que eu resista em sair e me perder neste espa\u00e7o). Esse eu que percebe-se escoar, escapar, fugir para todos os lados enquanto algo ainda clama por coes\u00e3o, investindo energia num ato conc\u00eantrico. Esse ser concentrado que busca, que se provoca, ou \u00e9 provocado por outro que comp\u00f5e sua dividualidade [nota para Nietzsche de Safranski]. Sinto-me solicitado a ocupar esse espa\u00e7o da escrita junto aos escritos recentes sobre os quais me ocupei e que, sem embargo, se ocuparam de mim. Afirma-se a inten\u00e7\u00e3o de compor o texto em m\u00faltiplas vozes, dando vida, com outros trabalhadores da escrita, a esse espa\u00e7o coabitado por uma comunidade e onde, com efeito, esses dedos que projetam as palavras no branco, n\u00e3o s\u00e3o mais do que instrumentos titubeantes entre o espa\u00e7o de um texto sempre por vir, de um lado e, de outro, um corpo que se abre ao infinito, ao incerto, \u00e0s outras vozes que ocupam um sil\u00eancio aterrador, para o qual se sente a atra\u00e7\u00e3o e no qual teme diluir-se enfim. \u00c9 um rumor sempre presente, um sil\u00eancio que sabemos estar contido no fundo de cada voz, de cada cita\u00e7\u00e3o que ocupa esse espa\u00e7o e que nos desvia do palco que representa o Mesmo (que funciona como zona de conhecimento e seguran\u00e7a), mas ao mesmo tempo projeta um outro palco, uma esp\u00e9cie de plataforma de jogo, onde brincamos cientes do risco abismal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passaremos ent\u00e3o (essa comunidade do qual sou um sujeito, e no qual estou sujeito a dissolver-me) a ocupar-se esse espa\u00e7o vital, superf\u00edcie branca-buraco-negro do texto, com as vozes manifestadas no encontro da leitura (leituras tomadas a partir do j\u00e1 referido Semin\u00e1rio). Tal composi\u00e7\u00e3o se dar\u00e1 numa outra nota, pois antes, me parece importante (e agora me imponho como senhor desse of\u00edcio, of\u00edcio no qual sou aprendiz) inscrever uma cita\u00e7\u00e3o que surge deste exerc\u00edcio que tenho imposto na pesquisa, e que se repete nos momentos de um esgotamento que s\u00f3 pode ser contornado, assim me parece, por uma for\u00e7a de fora: abrir um livro, justo aquele que se destacou \u00e0 pele que v\u00ea, e naquelas palavras compreendidas p\u00f4de voltar ao exerc\u00edcio da escritura, e que assim, por vias incertas, nos trouxe at\u00e9 aqui.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Do fundo da s\u00e9tima solid\u00e3o &#8211; <\/em>Um dia o andarilho fechou a porta atr\u00e1s de si, deteve-se e chorou. E ent\u00e3o disse: \u201cEsta necessidade e pendor para o verdadeiro, esta sede do real, do certo&#8230; Oh! Como lhes quero mal! Por que \u00e9 que terei sempre atr\u00e1s de mim este melanc\u00f3lico e apaixonado batedor? Por que eu? Aspiro ao repouso, mas ele n\u00e3o me concede. Quantas coisas me exortam, tentadoras, a que me detenha! Encontro por toda a parte jardins de Armida para mim: e, em fun\u00e7\u00e3o disso, novos temas de sofrimento, novos temas de amargura sem fim! \u00c9 necess\u00e1rio voltar a partir, fazer avan\u00e7ar este p\u00e9 cansado e ferido; e, porque \u00e9 necess\u00e1rio que o fa\u00e7a, volto-me muitas vezes para lan\u00e7ar um olhar feroz para as belas coisas que n\u00e3o me puderam reter&#8230;\u00a0 porque n\u00e3o me puderam reter!\u201d (NIETZSCHE, A GAIA CI\u00caNCIA, p.160-161).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><code><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/99-02-05-2018\/\">Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/a><\/code><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Um \u00edmpeto me antecipou para escreve \u201cdo ponto onde estou\u201d mas, cada vez mais, ressoa em minha cabe\u00e7a (nos pensamentos, num jogo de quebra-cabe\u00e7a): \u201cque importa quem fala?\u201d (citar Foucault) E sempre respondo: \u201cmas estou aqui, estou aqui\u201d. Qui\u00e7a h\u00e1 um medo de desaparecimento: o que restaria (ou restar\u00e1) quando esse medo passar? A escrita acaba, ou justamente a\u00ed ela inicia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> \u201cDeixa inteiro o dilema de que se falou de in\u00edcio, alegoricamente sugerido pela oposi\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e literatura, na medida em que essa assume sua pr\u00f3pria linguagem \u2013 sob o nome de escritura \u2013 e que aquela a aluda \u2013 fingindo acreditar que \u00e9 puramente instrumental\u201d (BARTHES, 2004, p.8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> E aqui novamente fui demandado a escrever \u201co que havia escrito no texto anterior\u201d: esse h\u00e1bito impregnado em nosso corpo por uma linguagem fascista que tem dificuldade de dizer sem afirmar o Eu. E, mesmo que se compreenda esse eu como um espa\u00e7o que se ocupa (e \u00e9 ocupado) pela linguagem na escrita, penso que, tanto quanto poss\u00edvel, parece mais potente que a escrita possa se apresentar, de alguma forma, como um ser que diz: e diz tanto a quem l\u00ea quanto a quem escreve, como um esquizofr\u00eanico que ouve vozes, um esquizofr\u00eanico que l\u00ea escritas que n\u00e3o s\u00e3o suas e, ainda s\u00e3o, emanam de suas m\u00e3os. Talvez eu intente, num ato imiscu\u00eddo na loucura recoberta em cada ato, mesmo os presum\u00edveis mais coerentes e racionais, dar voz a essas vozes que n\u00e3o podem se manifestar na fala que foge para os lugares de sempre: essa escrita que surge do combate entre a linguagem fascista t\u00e3o bem assimilada, e de bom grado, pela centralidade de um sujeito egocentrado; saud\u00e1vel loucura compreendida no senso do n\u00e3o sentido; uma escrita portanto combativa, uma tens\u00e3o que martela de dentro, cujo efeitos se sente na pele, na plasticidade reformada a cada impacto, por esse outro que escreve, e ante o qual preciso estar atento, ao mesmo tempo servo e senhor; tal fato produz, ou parte, talvez, de uma esquizografia, uma reparti\u00e7\u00e3o coabitada na excrita (esse erro gr\u00e1fico que agora recolho ao texto, como a ideia possivelmente apresentada por um pensamento que desviou meus dedos, e que leva a escrita ao exterior).<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior Notas que apontam para esta: [16]\u00a0 &nbsp; Me ocupo agora dos pensamentos que se projetam, e do que deles consigo apropriar e modular em texto escrito, a partir do texto anterior, produzido no dia 24 de abril [link], quando, excitado com as leituras de um dos Semin\u00e1rios (citar o semin\u00e1rio e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-311","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=311"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":873,"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/311\/revisions\/873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}