{"id":659,"date":"2018-06-29T21:46:36","date_gmt":"2018-06-29T21:46:36","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=659"},"modified":"2019-07-12T01:58:58","modified_gmt":"2019-07-12T01:58:58","slug":"exercicios-constantes-tentativas-afirmacoes-e-hesitacoes","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/exercicios-constantes-tentativas-afirmacoes-e-hesitacoes\/","title":{"rendered":"EXERC\u00cdCIOS CONSTANTES: TENTATIVAS, AFIRMA\u00c7\u00d5ES E HESITA\u00c7\u00d5ES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A partir de agora passamos a constituir, o que, devemos considerar, n\u00e3o \u00e9 mais do que uma tentativa bem intencionada de uma introdu\u00e7\u00e3o ao que esse espa\u00e7o, em sua totalidade, parece querer propor. Tal inten\u00e7\u00e3o precisa afirmar ent\u00e3o, desde seu in\u00edcio, o car\u00e1ter incerto desta empreitada, uma vez que operando com as mais variadas mat\u00e9rias, as quais detemos a nossa frente e, sob um olhar estrangeiro, tentamos dot\u00e1-las de um sentido de totalidade: produzindo assim a amarra\u00e7\u00e3o de um conjunto at\u00e9 ent\u00e3o disperso e que, s\u00f3 passa a ser um conjunto, no ato que lhe afirma. Ato que n\u00e3o se afirma s\u00f3, pois se trata de um estrangeiro que, ao chegar primeiro a este espa\u00e7o, reconhecidamente textual, tratou de com ele alinhar \u00edntimas rela\u00e7\u00f5es e, ap\u00f3s certo tempo de afinidade, parece crer ser capaz de apresenta-lo aos outros que chegam: ainda mais estrangeiros, portanto, que este primeiro. Notadamente, \u00e9 preciso tamb\u00e9m ponderar, no in\u00edcio desta jornada \u2014 que nada mais \u00e9 do que uma jornada dentro de uma jornada, ao fim das quais somos sempre estrangeiros \u2014, que ela se faz com tantos outros que se atualizam em inconstantes passos deste percurso (passos ora firmes, ora titubeantes). Podemos assim imaginar-nos como andarilhos em um deserto onde pouco se v\u00ea no embotamento e confus\u00e3o que sentimos ante os ventos que reverberam em nosso corpo, e sobre a poeira que, como fragmentos heterog\u00eaneos vagando pelo tempo, parecem de in\u00edcio atrapalhar nossa vis\u00e3o. De tempos em tempo, no esfor\u00e7o desta caminhada, e como numa vertigem, ao nosso lado aparecem outros forasteiros que nos contam de seus conhecimentos acerca desta geografia incerta, que nos auxiliam a ver o que pode estar ali e, com isso, passamos a ver: a mat\u00e9ria que vaga, poeira caosmica, toma forma em imagens que passamos, por nossa vez, forasteiros dotados de um recente saber adquirido, a contar \u00e0 outros tamb\u00e9m. \u00c9 um exerc\u00edcio constante de, sem querer sair do ex\u00edlio, construir sua volta para casa. E \u00e9 nesse exerc\u00edcio-caminhada, e como efeito dele, que propomos esta constitui\u00e7\u00e3o, tal como nos foi poss\u00edvel pensar, e nisso ver, nos passos dados junto a Paul Val\u00e8ry.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A continuidade desse conjunto furta-se ao nosso conhecimento, tal como acontece com esses informes farrapos de espa\u00e7o que separam objectos conhecidos e vagueiam segundo o capricho dos intervalos; tal como se perdem a todo o instante mir\u00edades de factos, \u00e0 margem do reduzido n\u00famero que a linguagem desperta. Importa, contudo, que nos demoremos, que nos habituemos a eles, que superemos as dificuldades impostas \u00e0 nossa imagina\u00e7\u00e3o por um conjunto de elementos que lhe parece heterog\u00eaneos. Toda a intelig\u00eancia se confunde aqui com a inven\u00e7\u00e3o duma ordem \u00fanica, de um s\u00f3 motor, desejando animar com uma esp\u00e9cie de similitude o sistema que a si mesmo se imp\u00f5e. (VAL\u00c9RY, 1979, p.12).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Trata-se ent\u00e3o de, mesmo ciente de estar caminhando em um labirinto, empreender uma esp\u00e9cie de retorno, de tentar compreender a g\u00eanese deste espa\u00e7o; ainda que sabendo, que ao tent\u00e1-lo, estaremos produzindo um duplo. Esta empreitada se anima ao considerar que \u201co que est\u00e1 em jogo \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o dos estados, a confronta\u00e7\u00e3o de uma obra com todas as possibilidades que a comp\u00f5em, tanto com rela\u00e7\u00e3o ao que vem antes quanto ao que vem depois. \u00c9 a mobilidade complexa e a estabilidade prec\u00e1ria das formas\u201d (SALLES, 2008, p.49). Portanto, estamos \u00e0 espreita de um feito que \u201cprocura compreender e explicar a a\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que convive com a continuidade e dura\u00e7\u00e3o da g\u00eanese: planos, d\u00favidas, anota\u00e7\u00f5es, ideias tomando corpo, obras se formando, ang\u00fastias e prazeres\u201d (SALLES, 2008, p.52).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0 Neste in\u00edcio ent\u00e3o ousamos afirmar que esta pesquisa-texto (termo constantemente utilizado no decorrer dela), se prop\u00f5e a este modo de an\u00e1lise cr\u00edtica no momento em que, deliberadamente, apresenta o passo-a-passo de seu desdobramento compositivo: os encontros, conflitos e o texto tomando forma nos escritos di\u00e1rios s\u00e3o datados e expostos no que aqui se apresenta como uma <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/\">Sala de Estudos<\/a><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. O cotidiano da pesquisa, seus encontros e os dados coletados sobre uma perspectiva po\u00e9tica<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, s\u00e3o registrados com certa crueldade \u2014 no sentido de que n\u00e3o passam por um refinamento de ju\u00edzo est\u00e9tico ou de premissas das demandas cient\u00edficas. \u00c9 sobre essa mat\u00e9ria \u201ccoletada\u201d que a pesquisa se dobra, e assim se desdobra, numa esp\u00e9cie de eterno retorno e reescrita que difere na produ\u00e7\u00e3o dos textos que passam a ocupar a <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/saladetextos\/\">Sala de Textos<\/a>,\u00a0 que por sua vez, se comp\u00f5em numa composi\u00e7\u00e3o combinada e meditada em seu acabamento, no que intenta dar a ver, ao intentar dar o que pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 como se a pesquisa aqui apresentada se constitu\u00edsse num pr\u00e9dio que pode ser observado em seu acabamento refinado, por\u00e9m sempre provis\u00f3rio e, ao mesmo tempo, na materialidade crua da estrutura que o formaliza; um acabamento do qual este texto passa a fazer parte, na <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/antessala\/\">Antessala<\/a>, de modo que, num futuro, poderia ser analisado como desdobramento da pesquisa, em produ\u00e7\u00e3o de outro texto \u2014 an\u00e1lise esta que tamb\u00e9m poderia ser feita sobre o texto que analisaria este, e, assim, sucessivamente, desdobrando e constituindo este pr\u00e9dio-texto ao infinito.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Os textos que s\u00e3o apresentados nesta sala como notas comp\u00f5e no seu conjunto um <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/bloco-de-notas\/\">Bloco de Notas<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> No\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 ser compreendida no texto <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/sobre-uma-poetica-da-notacao\/\">Sobre uma Po\u00e9tica da Nota\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A partir de agora passamos a constituir, o que, devemos considerar, n\u00e3o \u00e9 mais do que uma tentativa bem intencionada de uma introdu\u00e7\u00e3o ao que esse espa\u00e7o, em sua totalidade, parece querer propor. 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