{"id":673,"date":"2018-06-29T22:29:44","date_gmt":"2018-06-29T22:29:44","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=673"},"modified":"2019-07-12T02:38:38","modified_gmt":"2019-07-12T02:38:38","slug":"os-defeitos-do-sujeito-implicado-nesta-pesquisa","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/os-defeitos-do-sujeito-implicado-nesta-pesquisa\/","title":{"rendered":"OS (DE)FEITOS DO SUJEITO IMPLICADO NESTA PESQUISA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 somente nesses movimentos incertos, de idas e vindas, que podemos falar do sujeito implicado neste pesquisar: sobre a imagem do guerreiro que, via combate consigo, busca se desfazer como sujeito. \u201cA ideia do combate tem retornado em meio aos meus escritos da\/na pesquisa (pesquisa-texto) do mestrado. Na disserta\u00e7\u00e3o, que versa acerca do jogo e improviso (no que seria esse seu tema), a imagem do combate tem surgido por diversos motivos\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o, al\u00e9m dos pontos que j\u00e1 tratamos no que tange o t\u00f3pico anterior da viagem, o destaque aqui, indispens\u00e1vel para determinadas compreens\u00f5es poss\u00edveis desta pesquisa-texto, est\u00e1 em tal considera\u00e7\u00e3o: trata-se de uma explora\u00e7\u00e3o, antes de mais nada, de si: um si considerado anterior e posterior a um eu pessoal; trata-se de tentar viajar nas paisagens que esse corpo, entendido como uma zona de passagem e inscri\u00e7\u00e3o dos encontros via linguagem, \u00e9 capaz de produzir. \u00c9 ent\u00e3o, a partir de uma dobra, da releitura desses registros, em todo o seu pendor inventivo, que pode-se perspectivar a si: como uma criatura que s\u00f3 pode ser mirada enquanto toma forma em visibilidades nas superf\u00edcies moduladas nos encontros; sozinho e por si, mat\u00e9ria estanque no espa\u00e7o sem os movimentos resultantes dos encontros, fica reduzido a v\u00edcios, se demora em problemas vencidos, se debate nas quest\u00f5es que, sem a intrus\u00e3o de um pensar no pensamento, n\u00e3o o leva a lugares mais longes do que um j\u00e1 compreendido sujeito demarcado. \u00c9 por essa via que nos reencontramos com a no\u00e7\u00e3o de Corpo Potencial, uma tentativa sempre por se refazer em torno de uma imagem, um mito, ou mesmo uma fantasia de escritura<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, que tenta apresentar n\u00e3o um corpo formado, mas um estado, um modo de viver para sacudir as estruturar do sujeito, para desequilibrar, para se chegar alhures.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse processo, outrora afirmado na quest\u00e3o que dava t\u00edtulo \u00e0 disserta\u00e7\u00e3o, \u201ccomo criar para si um Corpo Potencial?\u201d, est\u00e1 estritamente ligado ao modo como compreendemos a realidade; trata-se da produ\u00e7\u00e3o de verdades enquanto fic\u00e7\u00f5es eficazes que, por sua vez, produzem realidades. Tal considera\u00e7\u00e3o, notadamente apresentada no texto \u201cPo\u00e9tica da Nota\u00e7\u00e3o: invent\u00e1rio de encontros e composi\u00e7\u00e3o da pesquisa\u201d, afirma uma imbricada rela\u00e7\u00e3o de um feito po\u00e9tico que inventa coisas, a si e a realidade, sob a ideia de autofic\u00e7\u00e3o. Abaixo, um fragmento, direto da Disserta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso texto, portanto, conta que pesquisar \u00e9 um modo de perguntar, onde a pergunta funciona como uma lupa para encontrar ind\u00edcios de respostas, pistas; essa lupa n\u00e3o aumenta a realidade, mas funciona como uma janela transcriadora: o que se v\u00ea [entre o imagin\u00e1rio, sonho e arquivos do saber] \u201catrav\u00e9s\u201d dela \u00e9 um fragmento encontrado por um personagem que sabe que \u00e9 um personagem a contar uma hist\u00f3ria enquanto a escreve [e conta a si mesmo e aos outros &#8211; e nisso \u00e9 narrador-educador, al\u00e9m de pesquisador]. Fic\u00e7\u00f5es com as quais podemos escolher viver: n\u00e3o nos dizem como a vida [e a realidade] \u00e9, mas insinua como pode ser; texto-imagens-em-jogo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 poss\u00edvel aqui apontar, mais uma vez, para al\u00e9m das paredes deste pr\u00e9dio, percebendo em projetos paralelos a esta pesquisa, o que, de todo modo, se costura com ela, neste pr\u00e9dio-resid\u00eancia-ateli\u00ea-laborat\u00f3rio: assim podemos perceber, no <a href=\"http:\/\/unoego.com\/\">Unoego<\/a>, projeto iniciado em 2017, mesmo per\u00edodo em que se d\u00e1 este estudo de mestrado, que:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A d\u00favida \u00e9 uma certeza da exist\u00eancia, porquanto o viver nunca est\u00e1 completo, findado e desde j\u00e1, sempre iniciado. Nosso espa\u00e7o, tamb\u00e9m por isso, oscila entre decidir-se como um ateli\u00ea, que comp\u00f5e, que cola, costura, e um laborat\u00f3rio, que dissolve, que mistura, que transmuta. O mais certo \u00e9 que as duas coisas aconte\u00e7am ao mesmo tempo, sem nenhum preju\u00edzo de sentido: na vida temos sentidos em demasia, nunca em falta \u2013 por isso o Unoego est\u00e1 imiscu\u00eddo em raspar um pouco desses excessos, ampliar as fissuras que a\u00ed se encontram, ou conectar o que, aparentemente, era inconect\u00e1vel.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[3]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desta perspectiva de conex\u00f5es heterog\u00eaneas, da mistura de coisas, poder\u00edamos apontar dois espet\u00e1culos datados, respectivamente de 2010 e 2013, e denominados como <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/cena\/2016\/01\/19\/coisarada-3\/\">Coisarada<\/a> e <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/cena\/2016\/01\/19\/mistureba\/\">Mistureba<\/a>. E, se se tratar de inven\u00e7\u00f5es e de usos poss\u00edveis da vida, apontar para <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/cena\/2016\/01\/19\/o-inventor-de-usamentos\/\">O Inventor de Usamentos<\/a>, montagem de 2012, mas antes, aos questionamentos presentes tamb\u00e9m, ambos sobre o efeito da poesia de Manoel de Barros, na obra intitulada <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/cena\/2016\/01\/19\/gestos-e-restos\/\">Gestos e Restos<\/a>, de 2009-2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda, dentre essas cria\u00e7\u00f5es, podemos destacar outros dois projetos, mais voltados ao processo do que em sua conclus\u00e3o como espet\u00e1culos: trata-se de <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/cena\/2016\/01\/19\/tubo-de-ensaio-1a-e-2a-edicao\/\">Tubo de Ensaio<\/a> (2011 e 2012), experimentos e cria\u00e7\u00f5es em espa\u00e7os cotidianos, e o projeto <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/cena\/2016\/01\/19\/desdobramentos-1a-a-10a-ed\/\">Desdobramentos<\/a> (2013 a 2015), processos de pesquisa continuada em artes da cena e transversalidades. E do \u00faltimo espet\u00e1culo solo que intenta coabitar processo e obra acabada, sem abrir m\u00e3o de certa ironia: <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/cena\/2017\/02\/10\/enquanto-o-novo-espetaculo-nao-vem\/\">Enquanto o novo espet\u00e1culo n\u00e3o vem<\/a>, de 2016. Sem tempo para nos debru\u00e7armos sobre esses projetos, do que neles podemos pressupor que reverbera nesta pesquisa-texto, an\u00e1lise que deixamos para a curiosidade do leitor, nos parece significativo frisar a perspectiva assumida antes a ideia de projetar:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Projetos nos potencializam, n\u00e3o mais especificamente pela sua realiza\u00e7\u00e3o, mas pelo processo: projetamos algo, planejamos os procedimentos, administramos as escolhas, e lidamos com todos os contratempos que ocorrem a partir da\u00ed, pois a vida nunca \u00e9 exatamente como planejamos, como projetamos, mas o projeto nos torna ativos nessas viv\u00eancias onde o indeterminismo prevalece, mesmo que o projeto esteja determinado.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[4]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/2018\/03\/27\/combate\/\">http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/2018\/03\/27\/combate\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver texto da Sala de Ensaio: Em tese um Corpo Potencial (primeira aproxima\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[3]<\/a> Ver em: <a href=\"http:\/\/unoego.com\/atelie-laboratorio\/\">http:\/\/unoego.com\/atelie-laboratorio\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><\/a><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[4]<\/a> Fragmento de texto publicado em: <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/2013\/05\/23\/desdobramentos-1-comecando-a-desdobrar\/\">http:\/\/diegoesteves.in\/escritos\/2013\/05\/23\/desdobramentos-1-comecando-a-desdobrar\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 somente nesses movimentos incertos, de idas e vindas, que podemos falar do sujeito implicado neste pesquisar: sobre a imagem do guerreiro que, via combate consigo, busca se desfazer como sujeito. \u201cA ideia do combate tem retornado em meio aos meus escritos da\/na pesquisa (pesquisa-texto) do mestrado. 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