{"id":682,"date":"2018-06-29T22:45:43","date_gmt":"2018-06-29T22:45:43","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=682"},"modified":"2019-07-12T02:57:46","modified_gmt":"2019-07-12T02:57:46","slug":"escritaria-pois-falta-um-recorte","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/escritaria-pois-falta-um-recorte\/","title":{"rendered":"ESCRITARIA: POIS, FALTA UM RECORTE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas talvez essa introdu\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja cumprindo seu papel \u2014 ou possivelmente, sendo fragilmente executado. \u00c9 prov\u00e1vel que a amarra\u00e7\u00e3o do conjunto tenha deixado no seu entorno muitas pontas soltas, e que seu conte\u00fado se pare\u00e7a mais com o Odradek de Kafka do que com o Cogito de Descartes. Mas se trata de uma Introdu\u00e7\u00e3o ao modo de uma introdu\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo: e se os procedimentos adotados aqui, como parecem apontar a pesquisa-texto, se constituem num M\u00e9todo Labir\u00edntico em jogo? Aqui nos encontramos: entre bifurca\u00e7\u00f5es e encruzilhadas, sobre um mapa que passa a existir somente no presente atualizando-se na caminhada-escrita, e que sempre corre o risco de apagar-se a nossas costas. Soma-se a esse labirinto (compreendido enquanto um labor interno) uma po\u00e9tica: inven\u00e7\u00f5es desdobradas via autofic\u00e7\u00e3o, produzidas numa escrita que se escreve ao (es)correr pela superf\u00edcie de seus dias. Como introduzir tal pesquisa, ent\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Performando o exagero em escrita, dir\u00edamos que essa pesquisa-texto n\u00e3o opera sobre um tema espec\u00edfico, mas \u00e9 empreendida nos transcursos de movimentos variados, os quais a toma de assombro e, em desequil\u00edbrios passa-se a titubear em dire\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas: facilmente demarcado como dispersivo, provavelmente considerado no desfeito do &#8220;falta um recorte&#8221;, inevitavelmente exagerado \u2014 mas assim \u00e9 solicitado pela vida desmedida, por hora ocupada nesta pesquisa. Mais prudentes, dir\u00edamos n\u00e3o se tratar de um exagero, mas justamente de um pulo cauteloso e planejado, que assim se fez necess\u00e1rio pelo cuidado que deve ter quem joga com o improviso: que precisa de saltos em amplos territ\u00f3rios desconhecidos e ainda, em c\u00e1lculos precisamente estudados, aparecer e desaparecer. Pol\u00edticos, dir\u00edamos se tratar, sobretudo, de uma \u00e9tica, que resiste a imposi\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00f5es via modos de pesquisar que se apartam de significativas parcelas da vida em prol da energia dirigida ao objeto de estudo \u2014 lan\u00e7ando para a periferia o que &#8220;n\u00e3o importa&#8221;, e suprimindo neste feito significativa vitalidade corporal, e diminuindo assim sua pot\u00eancia de agir. Transgressores, dir\u00edamos se tratar de prazer, de frui\u00e7\u00e3o do texto via pesquisa, de amores que esquentam as frias paredes institucionais, pois n\u00e3o querem se restringir entre as quatro paredes de seu quarto; ent\u00e3o, n\u00e3o capazes de se comportar, jorram por onde passam. Intelectuais, dir\u00edamos se tratar de uma escolha que n\u00e3o pode ser explicada, pois o que a fundamenta \u00e9 justamente o que n\u00e3o se sabe, uma vez que tal escolha n\u00e3o \u00e9 a reafirma\u00e7\u00e3o de saberes da ordem de um indiv\u00edduo, tampouco determinada por ele, mas a for\u00e7a da convoca\u00e7\u00e3o de um desconhecido, que se encontra sempre um passo a nossa frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desse modo, a escrita n\u00e3o est\u00e1 aqui a operar sobre suposi\u00e7\u00f5es acerca de um objeto de estudo, uma escrita que funcionaria como instrumento da investiga\u00e7\u00e3o: ela \u00e9 aqui a pr\u00f3pria pesquisa, ao mesmo tempo objeto e processo, mat\u00e9ria e express\u00e3o: uma escrita em jogo que improvisa a todo momento uma outra realidade\u00a0(ou assim intenta), na qual passamos, enquanto outros-eu-n\u00f3s, pesquisadores, a habitar. Nos ocorre agora que o texto desta pesquisa se comp\u00f5e em algo como uma escritaria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas talvez essa introdu\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja cumprindo seu papel \u2014 ou possivelmente, sendo fragilmente executado. \u00c9 prov\u00e1vel que a amarra\u00e7\u00e3o do conjunto tenha deixado no seu entorno muitas pontas soltas, e que seu conte\u00fado se pare\u00e7a mais com o Odradek de Kafka do que com o Cogito de Descartes. 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