{"id":688,"date":"2018-06-29T22:54:19","date_gmt":"2018-06-29T22:54:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=688"},"modified":"2019-07-12T03:07:48","modified_gmt":"2019-07-12T03:07:48","slug":"o-acaso-tem-sobre-mim-mais-direito-do-que-eu","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/o-acaso-tem-sobre-mim-mais-direito-do-que-eu\/","title":{"rendered":"O ACASO TEM SOBRE MIM MAIS DIREITO DO QUE EU"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao chegar ao final desta introdu\u00e7\u00e3o, o leitor prostrado ante este texto pode encontrar-se em d\u00favida: como saber se os fragmentos apresentados s\u00e3o mesmo retirados de manuscritos ou s\u00e3o mais uma inven\u00e7\u00e3o na ordem desta escrita? N\u00e3o seria este que escreve um mesmo a escrever sobre o que outrora havia escrito? E qual a implic\u00e2ncia disso? Poderia este ser um outro? Mas que outro? Qual os motivos, ou as condi\u00e7\u00f5es, ou as convoca\u00e7\u00f5es que lhe colocam a produzir tal texto? Um texto aut\u00f4nomo, uma escrita impessoal, s\u00e3o poss\u00edveis? Mas, de outro modo, \u00e9 essa a inten\u00e7\u00e3o? Acreditamos que a leitura do conjunto pode, no encontro com os exerc\u00edcios de escrita tomados sobre a m\u00e9trica incerta da experimenta\u00e7\u00e3o (e sob uma postura de leitor, pressuposta tamb\u00e9m em exerc\u00edcio experimental) desdobrar essas quest\u00f5es, simular boas respostas (enquanto boas composi\u00e7\u00f5es) e, talvez, sobretudo, incitar outras perguntas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cessamos diante do que pudemos alcan\u00e7ar at\u00e9 aqui, do que nos foi poss\u00edvel com a for\u00e7a motriz das nossas pernas que parecem n\u00e3o ter nos levado t\u00e3o longe e, ainda ao final, sentimos estar no mesmo lugar: um deserto labir\u00edntico que agora podemos chamar de casa (e que as vezes nos aparece como um jardim). Parece que o passado nos toma: esse outro que fomos insiste em bater \u00e0 porta ao mesmo tempo em que, por vezes, antevemos nosso porvir. Desta antevista, e que por fim talvez reforce a d\u00favida sobre a veracidade deste texto introdut\u00f3rio, passamos a apresentar o que, assim nos parece, tende a ser uma cita\u00e7\u00e3o com a qual assinaremos o final do projeto de pesquisa, numa \u00faltima nota na Sala de Estudos (<a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/100-06-07-2018\/\">a de n\u00famero 100<\/a>), numa data prov\u00e1vel que aqui registramos: 06 de julho de 2018, exatamente um ano ap\u00f3s a <a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/1-06-07-2017\/\">primeira nota<\/a>. Pois este labirinto, este jogo autoimposto, se coaduna com a ascese e com o cuidado de si em planejamentos que permitem a constitui\u00e7\u00e3o deste territ\u00f3rio no qual se projeta \u2014 ainda que para depois, eventualmente, possa se perder. Mas e como se saber se este par\u00e1grafo que agora finaliza esta Introdu\u00e7\u00e3o ao M\u00e9todo foi aqui escrito antes daquela nota, de 06 de julho? F\u00e1cil, basta confirmar na data registrada ao final desta introdu\u00e7\u00e3o. Ao fim e ao cabo, qual seria a diferen\u00e7a entre real e fic\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m dos nossos anseios de controle e compreens\u00e3o em demasia?<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o tenho bom dom\u00ednio e decis\u00e3o sobre mim mesmo; o acaso tem sobre mim mais direito do que eu, a circunst\u00e2ncia, a companhia, o pr\u00f3prio balan\u00e7o de minha voz tiram mais de meu esp\u00edrito do que nele encontro quando o sondo e utilizo por mim mesmo. [&#8230;] Tamb\u00e9m acontece de eu n\u00e3o me encontrar onde me procuro, e de me encontrar mais por acaso do que por investiga\u00e7\u00e3o de meu julgamento [&#8230;] Perdi tanto a mem\u00f3ria que n\u00e3o sei o que quis dizer, um estranho por vezes o descobre antes de mim. Se suprimisse todos os trechos em que isso acontece comigo, me desfaria de tudo. O acaso me iluminar\u00e1, alguma outra vez, com luz mais clara do que a do meio-dia; e me deixar\u00e1 surpreso com minha hesita\u00e7\u00e3o. (MONTAIGNE, 2017, p.70-73).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Porto Alegre, 23 de maio de 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(texto iniciado em 19 de maio do mesmo ano)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao chegar ao final desta introdu\u00e7\u00e3o, o leitor prostrado ante este texto pode encontrar-se em d\u00favida: como saber se os fragmentos apresentados s\u00e3o mesmo retirados de manuscritos ou s\u00e3o mais uma inven\u00e7\u00e3o na ordem desta escrita? N\u00e3o seria este que escreve um mesmo a escrever sobre o que outrora havia escrito? 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