{"id":972,"date":"2019-03-08T21:19:57","date_gmt":"2019-03-08T21:19:57","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=972"},"modified":"2019-03-08T21:29:32","modified_gmt":"2019-03-08T21:29:32","slug":"104-04-01-2019","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/104-04-01-2019\/","title":{"rendered":"[104] 04\/01\/2019"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/103-04-01-2019\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[Por Espa\u00e7os de Passagens]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passagem primeira \u2014 <em>uma quest\u00e3o de fundo <\/em>\u2014 Compreender a exist\u00eancia no sentido de um movimento cont\u00ednuo: mas, imaginar dela um corpo no qual passam os espa\u00e7os; por em d\u00favida o que se move: os corpos ou os espa\u00e7os? Os corpos ou as coisas? De que movimento se trata, portanto? Deixemos esta quest\u00e3o como fundo, sejamos um pouco mais simples: reduzamos, ent\u00e3o, a exist\u00eancia \u00e0 uma quest\u00e3o de peso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Passagem segunda \u2014 <em>corpo que vago vaga<\/em>\u2014 Viver \u00e9 manter-se leve para deslocar-se; leveza de um corpo dotado de espa\u00e7os, vagos, nele mesmo, um corpo que vaga: que pegam, usa, solta, e segue. Leveza da perspic\u00e1cia: saber usar o que est\u00e1 \u00e0 m\u00e3o, perspectivar, valorar e compor ao seu corpo, momentaneamente, como um combust\u00edvel ao qual se serve para seguir a viagem. Ap\u00f3s usado, deixa-o em prol da manuten\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os vagos, e de leveza para vagar. Cabem, assim, algumas considera\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 leveza e for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Passagem terceira \u2014 <em>leveza e for\u00e7a <\/em>\u2014 Desta leveza emana for\u00e7as, pois a for\u00e7a n\u00e3o \u00e9 consequente da bruteza, mas das possibilidades de agenciamento de for\u00e7as menores que, compostas pela agilidade de um corpo em movimento, constituem um campo de for\u00e7as que passam a constituir as possibilidades de a\u00e7\u00e3o deste corpo \u2014 assim, um corpo potencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Passagem quarta \u2014 <em>leveza e agilidade <\/em>\u2014 Da leveza, ent\u00e3o, resulta a agilidade: uma certa irrever\u00eancia de um corpo que n\u00e3o se fixa numa forma, ideia, conhecimento, lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Passagem quinta \u2014 <em>uma quest\u00e3o de sa\u00fade <\/em>\u2014 A problem\u00e1tica da exist\u00eancia pode ser resumida, quanto a sa\u00fade, ou, em outras palavras, para o que nos alegra, numa quest\u00e3o de peso; sempre perguntar: isso me \u00e9 leve ou pesado? E, se pesado, em nome de qual leveza por vir? Em que possa pesar um tom conceitualmente leviano, viver pode ser resumido por essa leveza, num permanente exerc\u00edcio de n\u00e3o segurar pesos, de manter-se leve para bailar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Passagem sexta \u2014 <em>n\u00e3o cimentar<\/em> \u2014 Perspectivar, ent\u00e3o, pela via da leveza, o conhecimento que, cimentado, perde seu valor para o que nos interessa: o deslocamento, a dan\u00e7a, o riso, o salto! Conhecer ent\u00e3o, \u00e9 apreender uma localidade, apropriar-se de for\u00e7as que me permitem seguir. O conhecimento como o que define uma localidade, centralidade, especialidade, fun\u00e7\u00e3o, assim n\u00e3o nos interessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Passagem s\u00e9tima \u2014 <em>entre pesos<\/em> \u2014<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Dentre os pesos, ent\u00e3o, qual o mais pesado? O cimento do conhecimento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Sim e n\u00e3o. O maior peso \u00e9 o da verdade cimentada pela moral, um cimento que, de t\u00e3o pesado, sem se deslocar no tempo, esqueceu que foi inventado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 \u00d3, n\u00e3o podemos escapar da verdade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 De fato, n\u00e3o! Todavia, se nos mantivermos leves o suficiente \u2014 n\u00e3o obstante fortes, perspicazes e sedutores \u2014, com a irrever\u00eancia de quem n\u00e3o suporta pesos por op\u00e7\u00e3o, poderemos convidar a verdade para uma dan\u00e7a! Com o tempo nos perceberemos num baile de verdades, e nesse momento nos olharemos, rindo: a verdade \u00e9, na verdade, uma multiplicidade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 \u00c9 a isso que chamas de Po\u00e9tica da Exist\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Passagem oitava \u2014 <em>uma quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o <\/em>\u2014 Assim tomamos a Educa\u00e7\u00e3o: espa\u00e7os em movimento; uma aula, semin\u00e1rio, ateli\u00ea, laborat\u00f3rio, oficina, qualquer que seja: um espa\u00e7o de contingenciamento do tempo, um recorte na exist\u00eancia, ele tamb\u00e9m, evidentemente, uma exist\u00eancia, onde, contudo, nos colocamos em outro estado de aten\u00e7\u00e3o para o que passa, para o que acontece \u2014 em outras palavras, aos movimentos que, se no cotidiano suplantado pelas fun\u00e7\u00f5es pelas quais somos demandados, acabam por passar despercebidos. Cabe, ent\u00e3o, considerar a escola enquanto lugar de \u00f3cio, a aula enquanto um espa\u00e7o de estudo; o ateli\u00ea, assim, um lugar de composi\u00e7\u00e3o; o laborat\u00f3rio de mistura e experimenta\u00e7\u00e3o; a oficina, de aprendizagem de t\u00e9cnicas. O que nos importa \u00e9 perspectivar os espa\u00e7os pelo que ali passa, e pelo que passa nos corpos neste espa\u00e7o, tendo em vista o manter-se leve, para manter-se em movimento. Por essa via, esse estudo \u2014 ele mesmo se constituindo como um espa\u00e7o a partir das mat\u00e9rias que toma de outros espa\u00e7os: aulas, semin\u00e1rio, livros, e mesmo do cotidiano \u2014 perspectiva os espa\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o pela via do improviso, e este pelo jogo. Trata-se da improvisa\u00e7\u00e3o como composi\u00e7\u00f5es consequentes \u00e0 um corpo em jogo, num estado de prontid\u00e3o ao que passa, que comp\u00f5e e decomp\u00f5e, pega e larga, utiliza e deixa \u2014 esquece, mas n\u00e3o apaga: nele ficam as marcas que no tempo aumentam sua pot\u00eancia, por retornar, por rever-se em novas improvisa\u00e7\u00f5es que, sem embargo, se valem da experi\u00eancia de um corpo que se manteve em jogo, enquanto constitui\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o: esta que nos convida ao estudo enquanto um exerc\u00edcio de lidar com as mat\u00e9rias, considerando seus imprevistos; de improvisar possibilidades, at\u00e9 onde elas nos valem pela vitalidade que nos prop\u00f5e (que nos comp\u00f5e).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Passagem nona \u2014 <em>utilismo vital<\/em> \u2014 considerar que esse pegar e largar tem rela\u00e7\u00e3o com as possibilidades de um corpo: para al\u00e9m da consci\u00eancia (como ci\u00eancia de si, conhecimento e raz\u00e3o), compreender que este esquecer, este deixar, est\u00e1 para a consci\u00eancia (para essa ci\u00eancia que ressente), n\u00e3o necessariamente para a totalidade do corpo, como nos prop\u00f5e Nietzsche: \u201cCom efeito, podemos pensar, sentir, querer, lembrar; poderemos igualmente \u201cagir\u201d em todas as acep\u00e7\u00f5es do termo, sem ter consci\u00eancia de tudo isso. A vida inteira poder\u00e1 passar sem que se olhe neste espelho da consci\u00eancia\u201d (2005, p.194).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Passagem dez \u2014 <em>um rein\u00edcio <\/em>\u2014 Assim, para seguir, faremos algumas considera\u00e7\u00f5es sobre for\u00e7a e energia, para pensar a educa\u00e7\u00e3o enquanto um campo de for\u00e7a (campo e espa\u00e7o s\u00e3o assim correlatados). Ap\u00f3s, de como for\u00e7as reativas podem se instaurar em nosso corpo, sendo delas necess\u00e1rio se desviar ou, doutro modo, dobr\u00e1-las para uma for\u00e7a ativa. Passaremos ent\u00e3o a perspectivar a rela\u00e7\u00e3o entre corpo, espa\u00e7o e coisa, em detrimento das ideias de for\u00e7as e das passagem: tendo essas os sentidos do que passa num espa\u00e7o, e passa por n\u00f3s; de como passamos n\u00f3s pelos espa\u00e7os; e do que nele, espa\u00e7o de possibilidades, passa de um estado ao outro, em devir, metamorfoses intermitentes. Por essa via, a da metamorfose, passaremos por um breve estudo sobre a ideia de apropria\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o deste corpo que nisso se transforma \u2014 e da\u00ed o car\u00e1ter educacional deste jogo. Assim, por \u00faltimo, faremos algumas considera\u00e7\u00f5es sobre os espa\u00e7os que comportam esta disserta\u00e7\u00e3o, seu modo de lidar com esta proposta, uma quest\u00e3o que, de todo modo, ser\u00e1 tratada nas demais passagem textuais que a constitui, desdobrando e variando o tema, pegando e largando, esquecendo, mas n\u00e3o apagando.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/105-23-02-2019\/\"><code>Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/code><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior [Por Espa\u00e7os de Passagens] Passagem primeira \u2014 uma quest\u00e3o de fundo \u2014 Compreender a exist\u00eancia no sentido de um movimento cont\u00ednuo: mas, imaginar dela um corpo no qual passam os espa\u00e7os; por em d\u00favida o que se move: os corpos ou os espa\u00e7os? Os corpos ou as coisas? 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