{"id":975,"date":"2019-03-08T21:28:21","date_gmt":"2019-03-08T21:28:21","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?page_id=975"},"modified":"2019-06-27T20:31:52","modified_gmt":"2019-06-27T20:31:52","slug":"105-23-02-2019","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/105-23-02-2019\/","title":{"rendered":"[105] 23\/02\/2019"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/104-04-01-2019\/\"><code>Voltar para nota anterior<\/code><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">UMA TENTATIVA DE DESCRI\u00c7\u00c3O, IMPOSS\u00cdVEL<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde nos encontramos? O que est\u00e1 em jogo em \u201cnosso tempo\u201d, quais as t\u00e9cnicas, tecnologias e procedimentos nos servem (ou \u00e0 eles somos servis, ou \u00edntimos cumplices?) para compreender \u2014 ou ao menos tentar, com certa desenvoltura \u2014 nosso tempo e espa\u00e7o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos, pois, desdobrando estudos acerca da Educa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 preciso, todavia, recuar um pouco, diminuir o <em>zoom <\/em>e visualizar o hipercampo; sem preju\u00edzo, ponderando que esse ponto que define uma perspectiva\u00e7\u00e3o poss\u00edvel remete \u00e0 nossa conting\u00eancia e suas singularidades. Portanto, n\u00e3o almejamos qualquer constitui\u00e7\u00e3o de uma verdade sobre \u201cnosso tempo\u201d, contudo, sem conjecturar nossas condicionantes, as for\u00e7as e tens\u00f5es \u2014 ou a aus\u00eancia delas\u2014, corremos o risco de pautar nossos estudos sobre um fundo, digamos, desatualizado: como se tiv\u00e9ssemos olhando para uma imagem de duas d\u00e9cadas atr\u00e1s \u2014 a qual, se considerarmos a velocidade com que se propagam as informa\u00e7\u00f5es \u00a0e se proliferam imagens, resulta em consider\u00e1vel defasagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passamos a postular, ent\u00e3o, o seguinte: o dimensionamento euclidiano do espa\u00e7o, o qual emoldurou nossa rela\u00e7\u00e3o com o real, j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 conta, h\u00e1 muito, da realidade; o mesmo passaria com a dimens\u00e3o Reiminiana, estudada por Deleuze e Guattari (ainda que ela seja de nosso interesse e seria, por assim dizer, mais atualizada). Postulamos ent\u00e3o que nossos estudos sejam tomados tendo em vista uma dimens\u00e3o qu\u00e2ntica, o que significa, em poucas palavras, ser operado sobre uma incerteza fundamental, ou seja, n\u00e3o como um estado transit\u00f3rio \u00e0 meio caminho da conquista de uma verdade \u2014 esque\u00e7amos, ao menos por um momento, o ideal de senso cr\u00edtico \u2014, mas como condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non <\/em>da exist\u00eancia (e logo, do pensamento sobre ela). Vejamos, com Baudrillard (2002, p.25):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O princ\u00edpio da incerteza, segundo o qual \u00e9 imposs\u00edvel calcular simultaneamente a velocidade e a posi\u00e7\u00e3o de uma part\u00edcula, n\u00e3o se limita \u00e0 f\u00edsica. O mesmo se d\u00e1 com a impossibilidade de avaliar ao mesmo tempo a realidade e a significa\u00e7\u00e3o do acontecimento na informa\u00e7\u00e3o, de distinguir as causas e os efeitos em tal processo complexo, o terrorista e o ref\u00e9m (na S\u00edndrome de Estocolmo) ou o v\u00edrus e a c\u00e9lula (na patologia viral) \u2014 t\u00e3o imposs\u00edvel quanto desemaranhar o sujeito e o objeto na experimenta\u00e7\u00e3o microf\u00edsica. Cada uma de nossas a\u00e7\u00f5es est\u00e1 no mesmo est\u00e1gio err\u00e1til que o da part\u00edcula microsc\u00f3pica: n\u00e3o se pode nelas avaliar ao mesmo tempo o fim e os meios. N\u00e3o se pode ao mesmo tempo calcular o pre\u00e7o de uma vida e seu valor estat\u00edstico. A incerteza se infiltrou em todos os dom\u00ednios da vida.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerar, de antem\u00e3o, e ainda com Baudrillard (2002), que a realidade \u00e9 uma impostura, projetada sobre um real compreendido como uma ilus\u00e3o fundamental. Mas, a partir desta perspectiva, o que nos resta, sobretudo enquanto pesquisadores, se operamos sobre uma ilus\u00e3o? Ora, que se jogue o jogo da ilus\u00e3o, por uma via po\u00e9tica, numa incurs\u00e3o de pesquisa que, desde sua partida, sabe que inventara suas realidades \u2014 a qual ter\u00e1 que abarcar a incerteza e sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso em fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o da complexidade dos par\u00e2metros (essa podemos sempre vencer), mas de uma incerteza definitiva ligada ao car\u00e1ter irreconcili\u00e1vel dos dados existentes. Se n\u00e3o podemos captar ao mesmo tempo a g\u00eanese e a singularidade do acontecimento, a apar\u00eancia das coisas e seu sentido \u2014 das duas uma: ou dominamos o sentido e as apar\u00eancias nos escapam, ou o sentido nos escapa e as apar\u00eancias s\u00e3o salvas. Pelo pr\u00f3prio jogo das apar\u00eancias, as coisas se afastam cada vez mais de seu sentido e resistem \u00e0 viol\u00eancia da interpreta\u00e7\u00e3o (BAUDRILLARD, 2002, p.25).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que tange, ent\u00e3o, um dimensionamento qu\u00e2ntico em nossa rela\u00e7\u00e3o com o real, haveria um trato dos nosso objeto de estudo que passa a considerar essa tens\u00e3o entre apar\u00eancia e sentido (lembramos do paradoxo da dupla fenda, onde um el\u00e9tron sobre o observador \u00a0\u00e9 part\u00edcula e na aus\u00eancia dele \u00e9 onda, n\u00e3o estando, portanto, em nenhum ponto em espec\u00edfico [criar nota de rodap\u00e9]). Essa abordarem registra uma orienta\u00e7\u00e3o para a apar\u00eancia, em exerc\u00edcios de pesquisa que possibilitem apreender esses movimentos, agir num espa\u00e7o-tempo a-significante: ou seja, constituir condi\u00e7\u00f5es de possibilidade onde o objeto permane\u00e7a, embora em destaque, sobre o Nada, envolto, portanto, em incertezas. Esses procedimentos foram desdobrados no que chamamos de uma Ci\u00eancia N\u00f4made do Improviso. Mas, ponderemos, ainda com Baudrillard (2002, p.14) a rela\u00e7\u00e3o com o Nada.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se \u00e9 o Nada, cujo o esquecimento e denega\u00e7\u00e3o acarretam a desregula\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica dos sistemas, de nada serve conjurar esse processo pela associa\u00e7\u00e3o m\u00e1gica de um corretivo <em>ex machina <\/em>\u2014 regula\u00e7\u00e3o que vemos ser feita nas ci\u00eancias f\u00edsicas, biol\u00f3gicas, econ\u00f4micas, por interven\u00e7\u00e3o de sempre novas hip\u00f3teses, novas for\u00e7as, novas part\u00edculas, para resolver as equa\u00e7\u00f5es. Se \u00e9 o Nada, cuja a aus\u00eancia faz falta, \u00e9 o Nada que deve ser posto ou reposto em jogo, sob o risco de uma incessante cat\u00e1strofe interna.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos termos do que nos apresenta Nietzsche (2005b), estamos sobre o fundo tr\u00e1gico da exist\u00eancia, ou, nas palavras de Deleuze (1988) do sem-fundo. Desta feita que, o que nos resta (e s\u00e3o, aqui, os restos que importam) \u00e9 tomar a exist\u00eancia como fen\u00f4meno est\u00e9tico, no sentido de que operamos sobre apar\u00eancias, num real como ilus\u00e3o fundamental, e sobre ela agimos na produ\u00e7\u00e3o de imagens, de sentidos, como uma po\u00e9tica da exist\u00eancia. De tal modo que, essa agencia no entorno da pesquisa, como exerc\u00edcio de apropria\u00e7\u00e3o deste objeto de estudo, da significa\u00e7\u00e3o, num segundo momento antecedido pelos procedimentos de uma Ci\u00eancia N\u00f4made, passa a ser tratado, em nossa proposi\u00e7\u00e3o, por Po\u00e9ticas da Nota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos, ainda, colocar outra quest\u00e3o em cena, no entorno desta proposta de uma Pesquisa-improvisa\u00e7\u00e3o, pois, enquanto ela se comp\u00f5e de procedimentos de uma Ci\u00eancia N\u00f4made do Improviso que, no seu limiar, se confunde com Po\u00e9ticas da Nota\u00e7\u00e3o, precisamos apontar para outro problema, numa palavra: Antropocentrismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><code><a href=\"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/106-23-02-2019\/\">Seguir para a pr\u00f3xima nota<\/a><\/code><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltar para nota anterior UMA TENTATIVA DE DESCRI\u00c7\u00c3O, IMPOSS\u00cdVEL Onde nos encontramos? 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