{"id":1089,"date":"2019-05-20T17:40:28","date_gmt":"2019-05-20T17:40:28","guid":{"rendered":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/?p=1089"},"modified":"2019-05-24T19:44:41","modified_gmt":"2019-05-24T19:44:41","slug":"por-uma-ecosofia-em-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diegoesteves.in\/estudos\/2019\/05\/20\/por-uma-ecosofia-em-educacao\/","title":{"rendered":"Por uma ecosofia em educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nosso esfor\u00e7o mais recente, que retorna sobre os processos passados, sobretudo no que tange o <a href=\"http:\/\/necitra.com\/\">NECITRA<\/a> (destaque para o <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/cena\/2016\/01\/19\/desdobramentos-1a-a-10a-ed\/\">Desdobramentos<\/a> e o <a href=\"http:\/\/diegoesteves.in\/cena\/2016\/01\/19\/tubo-de-ensaio-1a-e-2a-edicao\/\">Tubo de Ensaio<\/a>), se direcionam para o estudo do processos coletivos, mas justamente no que eles tem a ver com processos &#8220;internos&#8221;, individuais, mentais. Para tanto, tomamos a ideia de ecosofia, de F\u00e9lix Guattari, presente no livro &#8220;As tr\u00eas ecologias&#8221;, que aparece em cita\u00e7\u00e3o no fragmento da disserta\u00e7\u00e3o que copiamos abaixo. Trata-se de considerar no que a ecologia mental (os movimentos em torno do pensamento e do n\u00e3o-pensado), repercutem numa ecologia social e numa ecologia ambiental (e vice-versa); ainda, que esse exerc\u00edcio de produzir notas e de compartilh\u00e1-las num espa\u00e7o comum, p\u00fablico, funciona (enquanto produ\u00e7\u00e3o de efeitos) no \u00e2mbito de uma ecologia social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa pesquisa atual se orienta no sentido de um estudo das for\u00e7as agentes num espa\u00e7o \u2014 das \u00a0din\u00e2micas, com Nietzsche-Deleuze \u2014, ecoando numa ecosofia, em uma proposta para espa\u00e7os participativos que se articulem com esta no\u00e7\u00e3o, conforme nos apresenta Guattari (2012, p.55):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A subjetividade, atrav\u00e9s de chaves transversais, se instaura ao mesmo tempo no mundo do meio ambiente, dos grandes Acontecimentos sociais e institucionais e, simetricamente, no seio das paisagens e dos fantasmas que habitam as mais \u00edntimas esferas do indiv\u00edduo. A reconquista de um grau de autonomia criativa num campo particular invoca outras reconquistas em outros campos. Assim, toda uma cat\u00e1lise da retomada de confian\u00e7a da humanidade em si mesma est\u00e1 para ser forjada passo a passo e, \u00e0s vezes, a partir dos meios os mais min\u00fasculos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Seguimos com o fragmento da disserta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiro paradoxo: o ser inteiro e o que \u00e9 poss\u00edvel fazer hoje? <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se \u00e9 verdade que, no sentido em que se costuma entend\u00ea-lo, o homem de a\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser um homem inteiro, o homem inteiro guarda uma possibilidade de agir. [&#8230;] \u00c9 preciso distinguir de um lado o mundo dos motivos, onde cada coisa \u00e9 sensata (racional), e o mundo do n\u00e3o-sentido (livre de todo sentido). Cada um de n\u00f3s pertence em parte a um, em parte a outro. (BATAILLE, 2017, p.33).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O paradoxo se encontra nesta afirma\u00e7\u00e3o: o CorPo \u00e9 um corpo em estado de prontid\u00e3o e ao mesmo tempo se coloca em jogo (enquanto movimento em dire\u00e7\u00e3o ao Fora, mas tamb\u00e9m, nos jogos de verdade, no plano dos estratos). Entende que manter-se inteiro, como nos apresenta Bataille (2017), seria imposs\u00edvel, ou s\u00f3 poderia ser alcan\u00e7ado por breves instantes de tempo \u2014 o que o autor afirma como o \u00e1pice, seguido do decl\u00ednio inevit\u00e1vel. Ao manter-se inteiro, enquanto ser que n\u00e3o insere sua a\u00e7\u00e3o no tempo, n\u00e3o se direcionando ao outro entendido como um externo a si, se colocaria a olhar para o nada, gritar para o deserto, queimar, sozinho, at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ademais, se o ser fosse inteiro, n\u00e3o haveria sentido no que propomos enquanto um compor-se com as for\u00e7as. \u00c9 s\u00f3 por sermos fragment\u00e1rios que o jogo passa a ter motivo. De todo modo, a imagem do \u201chomem \u00edntegro\u201d det\u00e9m for\u00e7a, enquanto liberdade do ser que n\u00e3o se fragmenta ao se identificar com uma causa de antem\u00e3o e, sobretudo, indefinidamente, numa marcha eterna ao horizonte inalcan\u00e7\u00e1vel. Nossa integridade se afirma na liberdade compreendida nas possibilidades de escolher nossas rela\u00e7\u00f5es, como seres sociais; em processos, por essa via, educacionais: de afirmar o que \u00e9 poss\u00edvel fazer hoje, em quais agenciamentos posso me inserir, por quais causas quero combater, e ao lado de quem. Como nos diz Guattari (2012, p.55), que \u201cos indiv\u00edduos devem se tornar ao mesmo tempo solid\u00e1rios e cada vez mais diferentes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Almejar sua integridade enquanto inteireza de quem se move como um n\u00f4made (DELEUZE E GUATTARI, 1997), para o qual os pontos n\u00e3o subjugam as linhas: de um agenciamento a outro se ressignificar, recompondo-se ao travar contato com for\u00e7as diversas, ao ativar-se nos processos vitais aos qual escolhe n\u00e3o ficar alheio (h\u00e1 nisso uma escolha \u00e9tica); mas, de todo modo, nos quais n\u00e3o se reduz como uma fun\u00e7\u00e3o. Como um n\u00f4made, mover-se num espa\u00e7o exterior, liso (espa\u00e7o do pensamento, do paradoxo, das for\u00e7as n\u00e3o formadas, n\u00e3o materializadas), mas se projetando no espa\u00e7o estriado da cidade, do cotidiano, das rela\u00e7\u00f5es, onde atua-se (como um performer), na realidade produzida, compreendida numa rede de fic\u00e7\u00f5es reais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Segundo paradoxo: desviar da raz\u00e3o pela raz\u00e3o (e retornar a ela) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do jogo humano ao jogo ideal. H\u00e1 um primeiro jogo poss\u00edvel, o humano, que divide o acaso, que busca uma meta; jogo de probabilidades, que identifica os meios e resultados, opera pela recogni\u00e7\u00e3o. Outro jogo, o ideal, que reafirma o acaso. Estamos numa varia\u00e7\u00e3o entre esses jogos, ao produzir, ent\u00e3o, um desviar pela raz\u00e3o (em certa medida calculado), para p\u00f4r-se em jogo, via descentramento e consequente desequil\u00edbrio autoimposto (e retornamos assim ao M\u00e9todo Labir\u00edntico).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apolo \u00e9 o deus da forma, da claridade, do contorno n\u00edtido, do sonho iluminado e, sobretudo, da individualidade e da raz\u00e3o. [&#8230;] Dioniso, por sua vez, \u00e9 o selvagem deus da embriaguez, do sentimento, do desmedido e da vertigem coletiva. Todavia, ambos aspectos \u2013 o dionis\u00edaco e o apol\u00edneo \u2013 constituem respostas frente as pot\u00eancias elementares da vida. [&#8230;] Dioniso e Apolo significam a oposi\u00e7\u00e3o entre sentimento e raz\u00e3o, vontade e representa\u00e7\u00e3o, coletividade e individualidade. (SAFRANSKI, 1998, p.94. TRADU\u00c7\u00c3O NOSSA).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a imagem de Apolo, conforme nos apresenta Nietzsche (2005), representamos os estratos, a linguagem, o sujeito, o gesto calcado no tempo, a a\u00e7\u00e3o objetivada, a imagem sempre a ser formada, reapresenta\u00e7\u00e3o do ideal, do belo. E ainda que Dion\u00edsio nos reapresente essa for\u00e7a sempre pulsando ante o subsolo sobre o qual se apresenta as apar\u00eancias apol\u00edneas (uma vez que n\u00e3o se trata de oposi\u00e7\u00e3o, mas de complementariedade), sua for\u00e7a tende a ser demasiadamente contida pelos estratos (as institui\u00e7\u00f5es a todo tempo reafirmam o sujeito, buscam interpreta\u00e7\u00f5es, identifica\u00e7\u00f5es, significa\u00e7\u00f5es e condu\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es dos\/nos corpos). Como afirma Deleuze e Guattari (1996, p.19):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s n\u00e3o paramos de ser estratificados. Mas o que \u00e9 este n\u00f3s, que n\u00e3o sou eu, posto que o sujeito n\u00e3o menos do que o organismo pertence a um estrato e dele depende? Respondemos agora: \u00e9 o CsO, \u00e9 ele a realidade glacial sobre o qual v\u00e3o se formar estes aluvi\u00f5es, sedimenta\u00e7\u00f5es, coagula\u00e7\u00e3o, dobramentos e assentamentos que comp\u00f5em um organismo \u2013 e uma significa\u00e7\u00e3o e um sujeito.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa hip\u00f3tese \u00e9 a de que o jogo autoimposto numa autoexperimenta\u00e7\u00e3o (ou compartilhado, como parte de uma aula) \u00e9 um modo de produzir fissuras no solo dos estratos. Que \u00e9 a raz\u00e3o que cria o jogo, mas ela sede espa\u00e7o para a intui\u00e7\u00e3o, para a sensa\u00e7\u00e3o, para uma composi\u00e7\u00e3o que s\u00f3 pode resultar num devir-outro ao operar via esquecimento ativo, ao p\u00f4r-se em improvisa\u00e7\u00e3o. Um jogo que se d\u00e1 no pensamento, como n\u00e3o-sentido e paradoxo, e no corpo como sensa\u00e7\u00e3o e intui\u00e7\u00e3o; movimentos que possibilitam, como uma chance que sempre retorna, no porvir que, paradoxalmente, se torna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nosso esfor\u00e7o mais recente, que retorna sobre os processos passados, sobretudo no que tange o NECITRA (destaque para o Desdobramentos e o Tubo de Ensaio), se direcionam para o estudo do processos coletivos, mas justamente no que eles tem a ver com processos &#8220;internos&#8221;, individuais, mentais. 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