Poesia para não virar pedra. Por mais luz. Por passagens

Perdi o controle sobre mim

Sobre minha mente

Sobre o meu corpo

Perdi o controle

Porque

E tão somente porque

Procurava controlar

Perdi e me perdi

A mim mesmo

Pois procurava um eu

Que eu mesmo não podia

Encontrar

Não há um sobre

Não estou acima de nada

Nem abaixo

Estou em todos os lugares

E em lugar nenhum

Tanta luta, tanto fora, que me faltou o dentro.

Chegou um momento, o momento, de se aprofundar uma segunda luta, um bom combate: o combate consigo mesmo.

Não que exista mais que um eu, mas existe.

E existem coisas guardadas, das quais não lembro. Ou das quais quis esquecer.

Preciso cuidar e olhar para o que é pequeno. É neste pequeno que está a importância.

O que foi importado, agora é preciso exportar. Transbordar.

Meu corpo, que não é meu, é meu momento, meu lugar de passagem.

É preciso que as coisas passem.

É preciso que eu passe por ele.

É preciso que eu não seja eu.

É preciso não precisar.

É preciso ser passagem.

E só.

Passar.