Perdi o controle sobre mim
Sobre minha mente
Sobre o meu corpo
Perdi o controle
Porque
E tão somente porque
Procurava controlar
Perdi e me perdi
A mim mesmo
Pois procurava um eu
Que eu mesmo não podia
Encontrar
Não há um sobre
Não estou acima de nada
Nem abaixo
Estou em todos os lugares
E em lugar nenhum
Tanta luta, tanto fora, que me faltou o dentro.
Chegou um momento, o momento, de se aprofundar uma segunda luta, um bom combate: o combate consigo mesmo.
Não que exista mais que um eu, mas existe.
E existem coisas guardadas, das quais não lembro. Ou das quais quis esquecer.
Preciso cuidar e olhar para o que é pequeno. É neste pequeno que está a importância.
O que foi importado, agora é preciso exportar. Transbordar.
Meu corpo, que não é meu, é meu momento, meu lugar de passagem.
É preciso que as coisas passem.
É preciso que eu passe por ele.
É preciso que eu não seja eu.
É preciso não precisar.
É preciso ser passagem.
E só.
Passar.