Desdobrando da primeira para a segunda edição

Dia internacional do amigo, retorno ao blog para atualizar os fatos, para prever os atos.

Atualizando os fatos: na postagem anterior eu escrevi sobre os processos coletivos, do meu trânsito entre uma uma perspectiva positiva e outra, nem tanto. Ontem estive numa segunda reunião no IEACen (continuidade daquela citada na postagem do dia 08 de julho) onde se concretizou ainda mais, a construção coletiva de um evento, convergindo as ideias em uma proposta única, em um encontro das diferenças – para um encontro da dança. Na segunda-feira, no blog do IEACen, atualizaremos mais informações.

Ensaio Desdobramentos 2ª edição

Também, nessas últimas duas semanas, o NECITRA muito se reuniu, a maioria das vezes por solicitação minha – quase um exagero, confesso, mas com o intuito de manter a coesão na gestão dessas 2ª edição do Desdobramentos. É normal e importante a dispersão que se dá nesses processos, e é sempre uma exercício de todos, e um compromisso da coordenação, observar quando é o momento de focar – quando teremos que abandonar ideias, compromissos, vontades, em prol de um projeto que queremos, com o qual nos comprometemos coletivamente. E escolher é fazer concessões.

Não quero, mesmo, que esse blog se torne “o meu querido diário”, mas quero deixar registrado o quanto esses processos tem me potencializado e apontam, creio, para um novo momento da gestão planetária (exagero meu), onde os processos coletivos tomam força, amadurecem sobre novos procedimentos, com a internet, com uma nova apropriação da cultura, da política, da arte…

Ensaio + criação do vídeo-convite

E falando em arte, e atualizando os fatos… já viu o vídeo da primeira edição do Desdobramentos? E já agendou para ir ver a segunda? Fica o convite então: dia 27 de julho, a partir das 19 horas, na Casa Cultural Tony Petzhold.

Ponto, linhas e paisagens.

As vezes acredito mais nos processos coletivos, as vezes menos. Na semana passada transitei entre estes dois pólos. Registro aqui alguns pontos que formaram as linhas deste pensamento, projetados nestas linhas de escritas. O ponto de partida, da escrita, ocorreu o dia 05 de julho, após uma reunião no IEACen… o ponto de partida, dos pensamentos, no dia anterior.

No Desdobramentos 1
Parte final da 1ª edição do Desdobramentos – projeto coletivo

Dia 04 de julho, Casa Cultural Tony Petzhold.

Começo a condução de mais um encontro do NECITRA, com a rotina de aquecimento/condicionamento físico. Percebo que o grupo, inclusive eu, está disperso e cansado. Interrompi então a rotina no final da primeira de duas partes, para propor um jogo.

Uma proposta bem aberta, que de início provocou um certa inquietação (e questionamentos) pela falta de especificidade desta proposta… O jogo: entrar em cena quando quiser, sair quando quiser. Propor uma ação, criar um contexto, um jogo, o que quiser, como quiser. Outros entram nesta cena, compartilham, complementam, contrapõem, mudam, repetem, como quiser…

E o jogo se fez, e a conversa, logo após, se iniciou.

Após as primeiras falas, eu abordei as questões levantadas da seguinte forma: “Ouvi em algum lugar o seguinte dizer: quer conhecer alguém de verdade? Coloca ele para jogar…”

Se falou, durante a conversa, da falta de convergência no jogo, da falta de atenção nas propostas. Questionei então: não é isso que tende a acontecer nos processos coletivos?

Se comentou então de, às vezes, mesmo compartilhando a cena, se sentir só. E eu pergunto agora, e lá: mas ficar só estando junto é estar só? A diferenças que se manifestam nos caminhos individuais dentro dos processos coletivos acabam por suscitar esta sensação de solidão. Acredito. Mas se diferentes, estamos juntos, convergindo algo sob os mesmos procedimentos, então não estamos sós. E os procedimentos são os meios com os quais convergimos este algo: a criação.

Somos criadores, compartilhando o mesmo espaço (o mesmo canto). Somos do circo, da dança, do teatro, das artes visuais. Somos artistas e produtores que acreditam – às vezes mais, às vezes menos – que a colaboração nos aprimora em nosso fazer, que o compartilhamento dos processos nos deixa mais conscientes, se vendo no olhar do outro. Que assim nos potencializamos. Acreditamos, às vezes mais, às vezes menos.

E a conversa se deu, do jogo do jogo, para o jogo do dia-a- dia. Para a importância do estado presente no jogo, para o estado presente no treino, no ensaio, na autonomia para ser o proponente, o diretor,  o coreógrafo de seus próprios atos.

E os pontos de vista compuseram linhas convergentes e divergentes. Mas as linhas são abstrações, composições de pontos sobre pontos. E o NECITRA é a convergência de linhas compostas por estes pontos que, transversalmente, se cruzam: uma paisagem complexa que se sustenta, enquanto se sustentam os proponentes destes pontos.

E assim foi o dia 04 de julho, uma composição de pontos num canto, onde o núcleo amadureceu mais um pouco, e cada um de nós, na aceitação da diferença, estando sós estando juntos, sendo um ponto que monta uma linha, uma linha que é um núcleo…

IEACen
IEACen, Casa de Cultura Mário Quintana

Dia 05 de julho, Instituto Estadual de Artes Cênicas, Casa de Cultura Mario Quintana.

Reunião para tratar de evento de dança a ser realizado no 2º semestre. Proposição feita pelo IEACen, para ser discutida e reformulada em conjunto com as entidades: ASGADAN, SATED, Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre e cursos de dança das universidades.  Novamente entra em cena a questão do coletivo. Neste caso, a partir de coletivos instituídos, de representatividades do setor.

Hoje, dia 08 de julho, tento finalizar o texto iniciado no dia 05, após aquela reunião. Nas três horas que se passaram, permaneci no escritório, pensando, e me pus a escrever, para tentar organizar as ideias, unir os pontos. Não consegui tal êxito, nem lá, nem cá. Mas sei que, naquele dia, tal como no dia anterior – em processos coletivos bem distintos – fui atravessado por um satisfação em propor, vivenciar e compartilhar esses processos. Sei que, naqueles momentos, os pontos de vista convergiram, na maioria das vezes, em linhas de pensamento, na criação de projetos colaborativos, na organização de gestões coletivas.

E para o ponto final, deixo um ditado oriental, que li na parede de um banheiro, em um restaurante, em 2011, Caxias do Sul:

“Nenhum de nós é mais inteligente do que todos nós”.

Mas, complemento: só existirá inteligência coletiva quando houver uma convergência mínima nos pensamentos, nas ações, nas produções. Já que, pontos dispersos podem não formar nada, podem não formar uma paisagem, podem ser somente pontos. Pontos que formem linhas. Linhas que formem contornos, direções… Aí entraríamos nos projetos, nas consequências… Aí estou refazendo a paisagem deste blog… Aí estou devaneando… Aí paro por aqui. Boa noite. Ponto. Agora final mesmo. Ponto.

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