Sobre ser inacabado, e criar

Pensar em viver a vida como uma obra de arte.
Quando eu crio?
Crio quando sou afetado por algo. Há então um sentimento de falta, sentido como um problema, ou mesmo uma curiosidade por algo. Preciso apreender esse algo. Preciso me ampliar, crescer, transbordar. Há uma lacuna entre onde estou e onde posso estar. É como se esse afeto viesse de lá, do depois, de algum lugar onde seja possível estar, de outra forma, com outros saberes, estados, sabores. Para chegar lá, não posso mais ser o mesmo, sou outro, um outro talhado por mim mesmo – esse mim que já então deixou de existir. De lá, do depois, novos afetos, novos processos, fluxos – criações para dar conta do ser, da vida: sempre inacabado, até a morte.