Na 2ª edição do Desdobramento

Arrumando a casa

Para quem não conhece, o Desdobramentos é um projeto do NECITRA, que engloba a pesquisa e criação cênica, e a gestão e produção coletiva das ações. Em cada edição são apresentados e experimentados os “resultados” deste processo.

A próxima edição será no dia 5 de outubro.

Apresento a 2ª edição:

Para cada edição é produzido também um vídeo-convite:

 

 

 

Sobre o Sistema Estadual de Cultura e os Colegiados Setoriais

Entender a cultura como algo transversal, e não a cereja do bolo.

Em reunião na Secretaria de Cultura ouvi esta frase, creditada ao ex-ministro Gilberto Gil. Pra mim, ela é a chave dos movimentos que estão em processo, com o Sistema de Cultura. É entender as políticas culturais como resultantes de um planejamento, com metas, numa gestão compartilhada com a sociedade civil, e através de um diagnóstico da situação atual da cultura no país.

Reconhecer e se apropriar desse novo modelo de gestão, que rompe com uma forma não sistêmica de gerir os recursos públicos para cultura, refém dos interesses do governo da vez, é perceber que estamos construindo uma política de Estado, permanente, e que assegura, por isso, princípios básicos como acesso, democratização, ampliação progressiva dos recursos, entre outros.

Com intuito de compartilhar estas informações, produzi um vídeo pelo IEACen. Embora com recursos reduzidos de captação, design do prezi e mesmo de conteúdo (a minha inserção recente nestas questões abriu espaço para alguns equívocos nas informações) acredito que esse vídeo possa contribuir para quem ainda está tentando compreender como tudo isso funciona, o que mudou, e porque será diferente participar agora – já que muitos estão descrentes nesse sentido.

Espero que possa ser útil, e que possa ser compartilhado, se útil achar. 🙂

 

 

Detalhes

São tanto detalhes esquecidos, que me pergunto da importância do que lembrei.

São tantas opções não vividas, que me questiono do porque não escolhi.

São tantas vidas latentes, que cambaleio na vida que me fiz.

E de tudo, o que nos resta é a crença, a fé, de ter consigo que é isso que se é, pois é isso que havia de ser e que, se não for, amanhã não mais será. E que a escolha é nossa. E que esse nós não é nós mesmos, que o controle não existe, que esse eu não pode ser eu, pois se fosse, não seria eu mesmo…

O que me resta, me parece, é olhar para fora, é olhar para o outro, para os outros.

É me pensar como um meio, como algo que se movimenta, e que movimenta coisas.

É me ver – e sentir – como algo que atravessa e que é atravessado.

É me potencializar em trocas, e nas trocas potencializar outros.

É potencializar os processos, para que os processos sigam potentes, sem mim, com outros.

Dizem que é andando que se faz o caminho. Acho que é andando, também, que se faz o caminhante.

E por mais que essa crença me acalme, eu sofro por perder os detalhes.

Ás 22 e tantas

De ser mais do que cabe nesse corpo que se limita à mim

Dia 17 de agosto, um dia depois da mudança de apartamento, um dia antes de viajar para Charqueadas, com o NECITRA, para apresentação do Coisarada. Muitas coisas se movendo em conexões atravessadas, conectadas.

Compro um livro para esperar Fernanda, porque o cinema não tem mais sessão. Não importa. Café, pastéis.

Rilke

Olho para as pessoas e as conheço,

não mais do que meu anseio de querer tomar o mundo para mim,

de me expandir para além da minha história,

da minha memória.

De ser mais do que cabe nesse corpo que se limita à mim

(e eu a ele?).