Consequente ou consequência?

Céu

Tenho pensado e escrito sobre questões e questionamentos que aqui vou configurar sobre essa pergunta: eu sou consequente ou consequência? Eu, você, e os demais…

Já escrevi aqui da importância que invoco aos projetos, bem como da relação da vida com o andar, com os processos, com a permanência.

Então, sou consequente ou consequência neste viver? Considerando todo processo entre o nascimento e a morte, considerando as escolhas dentro de um sistema pré-determinado, como me relaciono com isso, como me posiciono frente a vida, a sociedade, às pessoas.

Quero então resumir, não de forma inconsequente (espero), mas delimitando palavras-conceitos: consequente e consequência.

Consequente: pessoa que decide ser decidido. Individuo que escolhe ser individual, único, que define escolhas, que projeta seu futuro. Sujeito que está sujeito as curvas da vida, aos tropeços, mas está e é sujeito por escolha. Mede, decide, opta, e arca com as consequências. Sofre por escolhas, consciente, íntegro.

Consequência: sujeito que está alheio aos processos (seus e do todo), que é levado pelos fatos, que roda na esteira do sistema, e é consequência deste. Indivíduo que se assemelha aos demais, um indivíduo que é copia de um modelo, ou tenta ser, ou tentam que ele seja. Sofre por que aconteceu, por que a vida quis, por que não tem como ser diferente, porque vê a vida assim, porque  vê o que é mostrado, não o que escolhe ver.

Esta relação está colocada na física quântica sobre os conceitos de causação ascendente e causação descendente. No primeiro caso, somos causados pelo meio, pela matéria, pela sociedade, poderíamos dizer  que somos um produto. No segundo, somos causadores do meio, somos a causa, projetamos o mundo, projetamos no mundo, criamos, somos produtores. No primeiro, somos consequência, no segundo, somos o consequente.

Provavelmente você, ou alguém, pensou ou disse: não é tão simples assim. Não, não é. Mas como me apetece dizer: para fazer, é só fazer. Para começar, é só começar.

Simples assim, só que não.

Estar ciente, presente, é o começo.

Desdobramentos 1: começando a desdobrar

Desdobramentos todos

 

Projetos, para mim, tem funções primordiais na vida, cito:

1- Projetar, no sentido de lançar ao longe, vislumbrar um possibilidade futura, medir o tamanho da vida a médio e longo prazo (junto a isso, vem o planejamento!);

2- Romper a tendência a inércia, a apatia, a estagnação: como o sagitariano que lança a flecha e depois fica correndo atrás (só tomo cuidado para não me perder neste intermeio entre a partida e o ponto de chegada da flecha, de ser consistente no caminho);

3- Criar! O projeto é uma criação, e é aí que pulsa a vida, onde fica latente a potência de viver: o projeto é uma escolha minha, eu posso ser pretensioso, ou medíocre. 

4- O projeto agrega, o projeto junta, une pessoas. Criar projetos coletivos coloca um todo em prol de um objetivo, promovendo assim coesão em trabalhos colaborativos.

5- Projetos nos potencializam, não mais especificamente pela sua realização, mas pelo processo: projetamos algo, planejamos os procedimentos, administramos as escolhas, e lidamos com todos os contratempos que ocorrem a partir daí, pois a vida nunca é exatamente como planejamos, como projetamos, mas o projeto nos torna ativos nessas vivências onde o indeterminismo prevalece, mesmo que o projeto esteja determinado.

O Desdobramentos é mais um projeto, que demarca um momento e escolhas importantes nessa vida, nesta etapa da vida. Por acreditar em tudo isso, e nesse todo que compartilha esse projeto comigo, criei um vídeo com o intuito de compartilhar isso vocês – o público, os colegas, os amigos, os leitores deste blog -, sendo o vídeo parte do projeto. E o evento, no dia 02 de junho, o primeiro deles, começando a desdobrar: todos convidados!

IEACen, políticas, escolhas e um blog

 

Logo IEACen 2011 (1)

Não me recordo ao certo, mas faz algo em torno de um ano que recebi o convite para assumir o cargo de coordenador de dança da Secretaria de Estado da Cultura, junto ao IEACen – Instituto Estadual de Artes Cênicas. Minha resposta: fico feliz com o convite, mas não posso assumir.

Três ou mais meses depois, eu estava ainda mais inserido nas políticas culturais de estado, através de duas entidades representativas: ASGADAN – Associação Gaúcha de Dança, da qual era então conselheiro, e Colegiado Estadual de Circo, do qual ainda sou coordenador. Com isso, crescia a vontade de poder ser mais ativo, de ter poder, no sentido da autonomia de mobilizar algo da estrutura do estado, tão densa e difícil de deslocar. Sentia que tinha que estar mais próximo, que estando dentro da estrutura, poderia ser mais eficiente no meu intento. Mesmo assim, ainda me preocupava com a questão do tempo: de dar conta deste compromisso e manter as atividades do NECITRA e da Canto…

Retornei o contato com o Instituto, e assumi um mês depois.

Oito meses se passaram.

Acredito que o Instituto tem conseguido êxitos nas políticas para as artes cênicas, e faço aqui indispensável menção ao diretor Marcelo Restori, por ser um inteligente combatente neste campo onde a cultura tem pouco espaço.

Ontem, dia 16 de maio, lançamos o novo site do IEACen. Nele, estão os projetos, principais ações e o mapeamento das artes cênicas no estado, ação que tenho gerenciado, com a indispensável contribuição das estagiárias Alessandra, Paula, Camille e Cândida.

Cá está, visite, compartilhe e seja bem-vindo ao IEACen, o endereço está no link “sobre”.  🙂 http://ieacen.wordpress.com/

O vencedor da floricultura e os projetos

Dalai Lama

 

Hoje pelo meio dia, no meu trânsito entre a Casa de Cultura Mário Quintana e a Casa Cultural Tony Petzhold, às pressas, como quase sempre, leio em um pequeno banner com um colorido exagerado, uma frase sobre vencedores e perdedores. Minha primeira reação foi sorrir, antes mesmo de me apegar aos detalhes do texto.

Um sorriso um tanto melancólico, resultado do contraponto entre o discurso do sucesso colado na frágil banca de floricultura, no canteiro central da rua, e a realidade no entorno dessa – pernas velozes, costas curvadas, cigarros acesos, celulares, olhares distantes. Sucesso? Ele está pelas calçadas da Otávio Rocha, ou nos prédios da Carlos Gomes?

Pensamentos que passaram rápido, quando retomei minha atenção para o texto:

O perdedor nunca tenta

O fracassado nunca termina

O vencedor nunca desiste

Me senti leviano e injusto. Não era o texto uma afirmação do sucesso, mas sim da perseverança. E existem poucas coisas na vida que eu prezo tanto quanto a perseverança: o vencedor é aquele que nunca desiste. É esse o sucesso da vida, sempre continuar, sempre. Talvez nem sempre com a mesma velocidade, certamente com variações de ânimo, de confiança, muita vezes com medo, mas sempre andar, sempre ir, repetir, refazer, recriar.

O vencedor é aquele que se mantém no processo. E o processo pressupõe um projeto, pois do contrário, seguirá o processo do discurso do sucesso: trabalhar a custo de tudo, da saúde, da vida – perder a saúde para ganhar dinheiro e perder o dinheiro para ganhar saúde – a atitude dos seres humanos que mais intriga Dalai Lama.

E qual é o seu projeto?

Começando a desdobrar…

para postagem 13.05

 

O NECITRA está entrando em seu quinto ano de atividade. No início, éramos eu e uma equipe de profissionais no entorno da criação do espetáculo “Gestos e Restos”. Ao final do primeiro ano, chegou a Genifer. Logo depois, o Rafael e, na sequência, o Psico. Tivemos a breve participação da Giovana e assim nos encaminhamos para o ano de 2011. O “Coisarada” já estava em processo de criação. Neste ano, juntam-se ao grupo Fernanda, Kalisy e Juliana (que permaneceu até o ano seguinte). Criamos o primeiro “Tubo de Ensaio”, realizado no Dhomba. Em 2012, entram para o núcleo Viviana e Ana Cláudia. E, eu, apresento pela primeira vez “O Inventor de Usamentos”. No mesmo ano, realizamos a 2ª edição do “Tubo de Ensaio”, dessa vez no apartamento da Vivi.

2013: nossa primeira audição inicia os trabalhos do ano. Dentre os que chegaram estão Béthany, Caroline, Gabriel, Fernando, Ludmila, Paola, Pryia e Ramon. E, neste momento, estamos em um novo processo, ou melhor, processos: DESDOBRAMENTOS.

Desdobramentos, palavra que, em resumo, significa, desdobrar o processo de fazer obras (obramentos), fazer dos processos individuais um processo coletivo, e do processo coletivo, pontuado em um evento, um fim. Uma sequência de fins que compõe este meio, sem fim. Desdobramentos é, portanto, mais do que um evento em forma de mostra experimental, é a efetivação de projetos de pesquisas do núcleo, da criação de obras, a maioria cênicas, mas também vídeos, esculturas, textos – enfim, desdobramentos.

Dentre os vídeos, estão sendo feitos registros desse(s) processo(s), para compartilhamentos e trocas dessas experiências. No primeiro destes vídeos, que pretendo finalizar nesta semana, explico um pouco mais deste projeto, bem como exponho uma breve apresentação sobre o núcleo, para quem está nos conhecendo agora. Até lá!

2 todos

Coisas que você precisa saber – se quiser.

consumismo

Essa é a postagem inaugural que resulta de um engajamento na pesquisa por informações (e compartilhamento delas!) sobre a produção, comercio e consumo de produtos. Ela é parte de uma busca pessoal por uma atitude não alienada, por uma presença crítica no consumo de bens e em ações concretas que possam diminuir os impactos ambientais: por exemplo, ter parado com o consumo de carne e a redução de produtos de origem animal, evitando alimentos industrializados e mantendo a coerência pessoal de somente comprar o necessário – de carregar pouco peso nessa vida.

Não se trata de entrar no discurso da sustentabilidade, tão frágil, mas de estar coerente com algumas questões relacionadas à saúde e, sobretudo, éticas:

– Como o budismo, que afirma que não posso viver bem e em harmonia, enquanto existir outros seres sofrendo. Lembro aqui da charge, que minha mãe leu na internet e veio me contar, pois associou a mim. Nela, um menino pergunta para sua mãe: porque o lobo mau é mau? – Porque ele quer comer os porquinhos – diz a mãe, completando – agora vem pra mesa comer seu sanduíche de presunto.

– Porque é essa hipocrisia, essa distância entre o que se diz e o que se faz, que trava a nossa evolução enquanto sociedade, enquanto seres humanos, espirituais (como quiser). Todos ficam chocados com a história de alguém ter maltratado um cão, mas comem tranquilamente gado, porco, galinha…

– Pelos prejuízos que o consumo de carne, derivados e alimentos industrializados podem trazer a saúde. O que são de fato todos aqueles produtos de nomes estranhos inseridos nos alimentos? Qual o efeito deles em meu organismo? Se está entrando no meu corpo, acho justo e responsável comigo mesmo, estar munido destas informações.

Qual o resultado das ações de uma sociedade consumista. De pensar em como seria o mundo se todos consumissem como eu? Como funciona toda essa engrenagem da industrialização, da sociedade de consumo, para manter o capitalismo?

Então, analisando este sistema, de onde vem (e para onde vão) as coisas?

Um eu de mim mesmo: um blog para transgredir a identidade

Enquadrado
Crédito: Martha Reichel Reus

Diegoesteves.in é o Diego Esteves na versão internet. Não se trata de uma réplica online de uma identidade física, uma vez que é justamente essa coerência identitária que me aflige e que busco, através desse meio virtual, e mais uma vez, transgredir.

Diego Esteves demarca, em nome, os contornos que delineiam um corpo físico. Uma forma-matéria, datada de nascimento e com fim incerto. Transcorre então toda uma vida mais ou menos autônoma e onde busco, ao máximo, a ação presente e consciente: ser protagonista neste processo – mesmo que isso signifique, na maioria das vezes, desapego e aceitação- e fazer da vida uma obra de arte.

Entendo e tomo o corpo (e suas manifestações) como um lugar de passagem, como o lugar de acontecimento, que afeta e é afetado. Com isso, tento me colocar nos contextos onde atuo receptivo a todas as forças que agem sobre ele, respondendo e atuando no sentido da potencialização – não do bom ou ruim, de certo ou errado, mas da potência, uma ética da potência. O que demanda entender os processos, os mecanismos, aceitar o que precisa ser aceito e se engajar em ações concretas, como projetos de vida.

Sujeito em jogo
Crédito: Martha Reichel Reus

O corpo é um lugar de combate, com toda a força necessária para se movimentar, carregando essa matéria que tende ao repouso, à estagnação. A identidade é mais uma representação desta tendência à estagnação. Diego Esteves não é uma identidade, é um nome dado a um processo delineado por um corpo (que como todo corpo, renova praticamente todas as suas células num período de sete anos). O que se sustenta nesse processo é uma história e uma ética, quanto ao resto, se trata de todo um todo de ações em diferentes contextos sociais. Essas ações podem ser identificadas, configurando então uma identidade, mas, uma vez que essas ações são mutáveis, assim como os contextos, tendo como pano de fundo uma coerência ética, as identidades são múltiplas.

Sendo assim, o que este espaço virtual faz é, num primeiro momento, registrar um pouco dessa história em projetos, obras, cursos, dentro de um contexto do mercado de trabalho, ou seja: uma espécie de portfólio, e de registro de processos artísticos.

Junto a isso, um engajamento político, na produção e publicação de material em texto, foto ou vídeo, tratando destes contextos sociais onde atuo, onde sou sujeito: como cidadão, artista, empresário, educador, produtor cultural, gestor público.