São tanto detalhes esquecidos, que me pergunto da importância do que lembrei.
São tantas opções não vividas, que me questiono do porque não escolhi.
São tantas vidas latentes, que cambaleio na vida que me fiz.
E de tudo, o que nos resta é a crença, a fé, de ter consigo que é isso que se é, pois é isso que havia de ser e que, se não for, amanhã não mais será. E que a escolha é nossa. E que esse nós não é nós mesmos, que o controle não existe, que esse eu não pode ser eu, pois se fosse, não seria eu mesmo…
O que me resta, me parece, é olhar para fora, é olhar para o outro, para os outros.
É me pensar como um meio, como algo que se movimenta, e que movimenta coisas.
É me ver – e sentir – como algo que atravessa e que é atravessado.
É me potencializar em trocas, e nas trocas potencializar outros.
É potencializar os processos, para que os processos sigam potentes, sem mim, com outros.
Dizem que é andando que se faz o caminho. Acho que é andando, também, que se faz o caminhante.
E por mais que essa crença me acalme, eu sofro por perder os detalhes.
