(e a última postagem é de abril de 2017; e quase passou um ano; e eu deveria dizer: “me ausentei desse blog… blá, blá…”; nesse meio tempo estudei, entrei no mestrado, estudei e sigo estudando; escrevendo.)
A ideia do combate tem retornado em meio aos meus escritos da/na pesquisa (pesquisa-texto) do mestrado. Na dissertação, que versa acerca do jogo e improviso (no que seria esse seu tema), a imagem do combate tem surgido por diversos motivos. Não é deles que vou falar agora, senão de uma questão correlata.
Fato que os fatos da vida não se apagam por completo, mas vão perdendo seus contornos. Isso se dá, sobretudo, creio, por não retornarmos a eles e, a cada vez que com eles nos reencontramos alguma linha se desfez (talvez a matéria que compunha essa linha tenha sido reciclada para compor uma história mais recente). Nessa linha de raciocínio, tanto o retorno à imagem em nosso painel mental, no diálogo interior, tanto quanto o contar histórias, reforçariam ou ao menos dariam mais vida aos traços desses fatos. Mas não é disso que vou falar agora.
Iniciei minha prática de Taekwondo aos 9 anos de idade (9 anos e duas semanas, para ser mais preciso, em 7 de dezembro de 1992). Aos 13 anos passei a ser monitor das aulas e aos 15 iniciei minha carreira solo como professor, na escola Goiás, mesmo local onde iniciei esta prática e onde completei todos os meus estudos básicos. Logo em seguida, aos 16 anos, assumi a Academia Olímpica, criada e administrada pelo meu professor. Essa academia passou a se chamar, mais tarde, Academia Esteves. Mas não vou contar essa história agora.
O fato é que desde os 9 anos eu passei a competir (Taekwondo é aquela arte marcial que ao se desenvolver como esporte ganhou protetores, meio como armaduras, ainda que um pouco mais flexíveis e macias, onde se senta a porrada). E desde a primeira luta (assim é como eu me lembro) minha estratégia era relativamente simples: no menor gesto do árbitro, no preciso segundo no qual ele ergue o braço que separa os lutadores, o que simboliza o início do combate, eu partia para cima do meu oponente, como um trem descarrilando ou um animal louco grunhindo e babando em direção a sua presa (sei que não é uma imagem muito bonita, mas é assim que eu me lembro).
O fato é que recentemente me dei conta, ao escrever minha dissertação, que eu tenho seguido essa estratégia ao longo da minha vida desde então: ninguém me vê babando e grunhindo por aí, mas minha estratégia segue a de partir para cima, de começar atacando, para depois administrar o combate.
Mas que não se enganem, o combate do qual falo é comigo mesmo. E no caso da escrita não é diferente: pensar demais convida as hesitações, essas se desdobram em dúvidas, incertezas, desconfiança (senso autocrítico, autocobranças… blá, blá…). É como se você segurasse o primeiro ataque na luta, inseguro, e de cara toma uma porrada e então começa a duvidar de suas qualidades de combatente. E pode ser o começo do fim.
Claro que tem gente que vira o jogo nos quarenta e cinco do segundo tempo, meio como Rocky Balboa, que apanha apanha e no final sai por cima (e eu invejo esse tipo de lutadores). O fato é que, partindo para cima ou não, as porradas sempre vem; e como dizia o sábio Rocky, em tradução livre: o mais importante não é o quanto você pode bater, mas o quanto consegue apanhar e seguir em frente. Resiliência seria a palavra. Eu gosto de perseverança.
São fatos (e sempre que escritos, ou relembrados, inventados). Sigamos nos combates e, como tem me apetecido também pensar (e escrever), um combate que também é uma dança, e uma dança que ri.







