Sobre perspectivas da paixão

Nas minhas pesquisas encontrei um livro sobre sintomas e diagnósticos de psicopatologia e tive receio de abri-lo: não pela possibilidade de encontrar ali sintomas que poderia identificar como próprios do meu cotidiano (pois isso me parece inevitável), mas pelo risco de ser coagido por tais palavras: pois se eu abrir um livro de poesia encontro ali os mesmos “sintomas”, e prefiro ver a paixão pela perspectiva da potência.

Dragões

Sobre o que cai bem num dia como esse, com a chuva: ficar na caverna do dragão.
“Como poderíamos esquecer aqueles antigos mitos que se encontram nos primórdios de todos os povos, os mitos sobre os dragões que, no último momento, transformam-se em princesas; talvez todos os dragões da nossa vida sejam princesas, que só esperam nos ver um dia belos e corajosos. Talvez todo terror não passe, em última instância, do desamparo que requer nossa ajuda”. Rilke, Cartas a um jovem poeta.

7 pontos sobre uma corrida

Preciso confessar uma coisa (para mim mesmo, e vocês são testemunhas): sou como aqueles corredores entusiasmados que, ao enxergar a linha de chegada, projetam seu peito a frente, em postura vigorosa, sem mensurar as forças das pernas que, já cansadas do longo percurso, titubeiam e, incapazes da mesma determinação e vontade da cabeça, levam todo o corpo em queda ao solo.
A essa imagem é preciso acrescentar que: 1- esse não é o primeiro tombo; 2- não sei o que essa linha de chegada pode significar e qual a distância que estou de fato dela (uma vez que ela parece avançar junto com os meus passos); 3-provavelmente, enquanto se está a ler essas linhas, eu já levantei e estou a correr novamente; 4- que talvez eu esteja a pensar demais, quando parece que o que importa (para quem?) é a corrida; 5- (com cara de conclusão) pensar é resistir; 6- (em tom profético) é preciso variar, experimentar, e encontrar seus próprios ritmos; 7- (em tom sobre tom) mas que diabos eu tô pensando mesmo (e fazendo)?

Combate

(e a última postagem é de abril de 2017; e quase passou um ano; e eu deveria dizer: “me ausentei desse blog… blá, blá…”; nesse meio tempo estudei, entrei no mestrado, estudei e sigo estudando; escrevendo.)

A ideia do combate tem retornado em meio aos meus escritos da/na pesquisa (pesquisa-texto) do mestrado. Na dissertação, que versa acerca do jogo e improviso (no que seria esse seu tema), a imagem do combate tem surgido por diversos motivos. Não é deles que vou falar agora, senão de uma questão correlata.

Fato que os fatos da vida não se apagam por completo, mas vão perdendo seus contornos. Isso se dá, sobretudo, creio, por não retornarmos a eles e, a cada vez que com eles nos reencontramos alguma linha se desfez (talvez a matéria que compunha essa linha tenha sido reciclada para compor uma história mais recente). Nessa linha de raciocínio, tanto o retorno à imagem em nosso painel mental, no diálogo interior, tanto quanto o contar histórias, reforçariam ou ao menos dariam mais vida aos traços desses fatos. Mas não é disso que vou falar agora.

Iniciei minha prática de Taekwondo aos 9 anos de idade (9 anos e duas semanas, para ser mais preciso, em 7 de dezembro de 1992). Aos 13 anos passei a ser monitor das aulas e aos 15 iniciei minha carreira solo como professor, na escola Goiás, mesmo local onde iniciei esta prática e onde completei todos os meus estudos básicos. Logo em seguida, aos 16 anos, assumi a Academia Olímpica, criada e administrada pelo meu professor. Essa academia passou a se chamar, mais tarde, Academia Esteves. Mas não vou contar essa história agora.

O fato é que desde os 9 anos eu passei a competir (Taekwondo é aquela arte marcial que ao se desenvolver como esporte ganhou protetores, meio como armaduras, ainda que um pouco mais flexíveis e macias, onde se senta a porrada). E desde a primeira luta (assim é como eu me lembro) minha estratégia era relativamente simples: no menor gesto do árbitro, no preciso segundo no qual ele ergue o braço que separa os lutadores, o que simboliza o início do combate, eu partia para cima do meu oponente, como um trem descarrilando ou um animal louco grunhindo e babando em direção a sua presa (sei que não é uma imagem muito bonita, mas é assim que eu me lembro).

O fato é que recentemente me dei conta, ao escrever minha dissertação, que eu tenho seguido essa estratégia ao longo da minha vida desde então: ninguém me vê babando e grunhindo por aí, mas minha estratégia segue a de partir para cima, de começar atacando, para depois administrar o combate.

Mas que não se enganem, o combate do qual falo é comigo mesmo. E no caso da escrita não é diferente: pensar demais convida as hesitações, essas se desdobram em dúvidas, incertezas, desconfiança (senso autocrítico, autocobranças… blá, blá…). É como se você segurasse o primeiro ataque na luta, inseguro, e de cara toma uma porrada e então começa a duvidar de suas qualidades de combatente. E pode ser o começo do fim.

Claro que tem gente que vira o jogo nos quarenta e cinco do segundo tempo, meio como Rocky Balboa, que apanha apanha e no final sai por cima (e eu invejo esse tipo de lutadores). O fato é que, partindo para cima ou não, as porradas sempre vem; e como dizia o sábio Rocky, em tradução livre: o mais importante não é o quanto você pode bater, mas o quanto consegue apanhar e seguir em frente. Resiliência seria a palavra. Eu gosto de perseverança.

São fatos (e sempre que escritos, ou relembrados, inventados). Sigamos nos combates e, como tem me apetecido também pensar (e escrever), um combate que também é uma dança, e uma dança que ri.

Sobre vontade e potência

Tenho feito dessa afirmativa, de diferentes formas em diferente contextos, talvez a minha principal “marca” no mundo: faz o que é tua vontade!
O que, num primeiro momento talvez pareça o slogan de um produto do capitalismo, demanda um complexo processo de auto-observação*: o que faz de mim um ser singular e o que se destaca entre meus intentos para que eu venha a fazer (e a ser) isso e não aquilo. E vir a estar/participar deste outro de outro lugar, contexto, encontros…
Repito esse exercício de afirmação em favor da diferença. Pelo que de potente há em cada um, em suas singularidades, e que produza efeitos alegres nos espaços de partilha. Mas sinto que essa questão tende a ser mal compreendida. Talvez isso se dê justo por essa cooptação do capitalismo que transforma até as mais antigas questões filosóficas, e um complexo problema existencial, em comercial de sabonete. Por essa via também se reforça um discurso de liderança, de autonomia, de ser diferente como algo da ordem do especial, belo, espetacular, superador dos limites, vencedor, o cara, a tal, beijinho no ombro de Apolo. Então, quando se coloca a questão “qual sua vontade?”, logo vem um “ser feliz”, “vencer na vida”, e todo um apanhado de modelos.
Voltando à minha contribuição para a questão e trazendo como referência o NECITRA: algumas vezes na repetição (não somente por mim) sobre a importância de entender quais são as vontade de cada um e manifestá-la no mundo e com o mundo (e nesse caso do NECITRA enquanto um lugar específico no mundo) observei que essa demanda por autonomia repercutia como um tensionamento para um “faça você mesmo!”, “seja o líder da sua vida!”, “vá atrás dos seus sonhos!”. Então, hoje, com leituras que abaixo cito e que me trouxeram novamente ao tema, quero destacar, mais uma vez, que não é disso que se trata!
Não é sobre vencer, pois todo caminho leva a lugar nenhum ou, em última instância, à morte. Não se trata de Poder. E para repetir mais um clichê: não é sobre ter, é sobre ser! Então não pode ser sobre poder, e sim sobre potência. Ainda que aumentar meu grau de potência me coloque em determinada condições no jogo de forças (e de poder) nos contextos onde atuo: mas prefiro entender, e propor como um possível entendimento, essa condição não como uma capacidade para dominar, mas para produzir encontros maiores em quantidade e em potência, para aumentar minha produção de efeitos no mundo. Para mover – penso como uma dança: qual música me afeta? Ou o silêncio? Como me movo? Ou prefiro o repouso? Com quem danço? Ou prefiro um solo?
Num coletivo como o NECITRA, onde impera a demanda por autonomia, não se trata de que todos sejam diretores, mas que cada um manifeste suas vontades e se constitua nesse contexto e relações: pode dirigir tanto quanto ser dirigido, quanto produzir, se engajar nas questões técnicas da cena… se todos forem diretores quem serão os dirigidos? Acontece que tem aí uma questão moral, um valor hierárquico…
Essa(s) questão(ões) me (co)movem como artista-pesquisador-educador-etc no mundo. Primeiro pois entendo que a educação tende a proceder por repetições dos padrões, enquanto um inserir o sujeito na sociedade – e em certa medida se sujeitar, portanto. Segundo, pela perspectiva dos discursos sobre a vontade (os hegemônicos) reforçarem o ideal do vencedor, de quem chegou ao topo, está acima, tem e é mais – do atleta no esporte aos heróis do cinema, passando pelo homem sedutor-pegador, pela mulher esbelta e sexy, a criança criativa e alegre, o vovô disposto e bem aposentado, a vovó boa de cozinha e da cuca… e por aí desnudando o machismo e outros ismos dos quais não me sinto apto a tratar (pois estou ainda travando contato com eles na minha própria constituição).
Finalizo esse exercício de pensamento com o disparador dessa escrita, Nietzsche que, quando leio, é como se eu tivesse dizendo aquelas palavras, e fosse mais inteligente do que sou:
Se em tudo que você quiser fazer começar por perguntar: “Quero fazê-lo um número infinito de vezes?”, isso será para você o mais sólido centro de gravidade… Minha doutrina ensina: “Viva de tal modo que você deva desejar reviver, é o dever – pois de todo modo você reviverá. Aquele para quem o esforço é a alegria suprema, que se esforce! Aquele que ama acima de tudo o repouso, que repouse! Aquele que ama acima de tudo se submeter, obedecer e seguir, que obedeça. Mas que saiba onde está sua preferência e não recue diante de nenhum meio. Isso vale a eternidade! … Essa doutrina é doce para com aqueles que não acreditam nela: não tem inferno e nem faz ameaças. Aquele que não tem fé apenas sentirá em si uma vida fugitiva”. **
*o que me leva sempre ao questionamento de se é possível se auto-observar, quando quem seria este que observa e este observado, são dois? sou dois? suponho que sejamos múltiplos… mas quem são esses e qual hierarquia suposta em que um pode observar o outro? E este outro observado sabe que assim o é? E o que me garante que este eu que observa o outro eu tenha determinado atributo analíitico e sensível para chegar a alguma conclusão que possa me levar a algum outro lugar… e qual seria esse outro lugar? há um lugar para chegar? Acredito que não enquanto chegada, mas como passagem… Enfim, faltam alianças teóricas (no caso, estudo) para essa questão dos múltiplos eus…
** Citação feita no por Deleuze no livro Nietzsche a partir de três fragmentos póstumos, da tradução francesa de Vontade de Potência, segundo Roberto Machado no livro Deleuze, a arte e a filosofia, de onde tirei a citação, na p. 97.

Devaneios para sair dos caminhos

Eis que voltamos para caminhos passados, vencidos, gastos, clichês. Caminhos nossos não só nossos, caminhos dos que nos são contemporâneos, caminhos de uma cultura. Caminhos do humano, demasiado humano. Caminhos: atitudes, escolhas, hábitos. Pensamentos.

Entre tantas possibilidades… da multiplicidade, da vida… nos repetimos.

Suspeito que cada pensamento (que define escolhas, move atitudes e consolida hábitos) tem uma massa. Não tal qual a massa da matéria de nossos corpos, humanos, mas trata-se de corpos. Trata-se portanto de energia. Conclui-se então, com Newton, que todo corpo atrai os outros corpos e, quanto maior a massa desse corpo, maior sua atração. Pensamentos-corpos.

Assim, suspeito, cada pensamento aumenta sua massa, cresce enquanto corpo, cada vez que voltamos a ele. Cada vez que o alimentamos, muitas vezes em segredo, nossos pequenos grandes monstros, sombras. Assim também com os pensamentos que nos potencializam, nos afetam e movem em direção ao novo – que se dá mais na ordenação das coisas, de sua composição, do que das coisas em si. Contudo, os caminhos velhos, gastos, mancos e gagos – em seu grau de potência – estão sempre, paradoxalmente, presentes e fortes em sua força de atração: e para lá vamos, passivas ovelhas andando na trilha, no trilho. Mas apresentando-se para si mesmos como leões, tentando acreditar, e no geral conseguindo, ao menos num primeiro momento, que se está sendo forte e tomando o caminho que tem que ser tomado. Bravos leões.

(Desculpas para com as ovelhas. Nem todas são passivas. Nem fracas. E nem toda passividade é ruim. Todo corpo é potente, tanto a ovelha quanto o leão: essas imagens batidas, repetidas, clichês, são também caminhos que repetimos, na vida, nos textos. Sacramento!)

De fato, cansa essa luta contra a repetição, esse tentar mudar o caminho: falta um mapa!

Sente-se que um sentar em frente a TV resolveria os conflitos pessoais (seriam pessoais?), enquanto se participa de conflitos de personagens. Enquanto sente-se, por procuração, a adrenalina do que vive a personagem, o atleta.

E mesmo quem teima em tomar os rumos repetidos, precisa também pausar, precisa, talvez, momentaneamente, se entregar ao mesmo, ao repetido, deixar-se apagar nos trânsitos ordenados pelos vícios de uma era, ser mais um – talvez não seria uma neurose a repetição no querer não repetir? Prepotência pensar ser diferente? Um desejar o novo ou o que quer que seja não esse mesmo? Ou não perceber no mesmo o diferente?

Um mapa! É preciso desenhar um mapa. Desenho, criação. Visualizar os caminhos já conhecidos, ter uma breve noção do fora, saber por onde entrar nele, mesmo que não tenha portas: caberia só sair do caminho, da repetição para acessar esse outro, esse fora? E qual seria o caminho para sair do caminho?

Seria então a vida viver esse incômodo: de saber-se humano, demasiado humano. Perceber-se voltando para os mesmos lugares, repetindo pensamento e atitudes. Seria a vida essa resistência, não de conduzir-se para outro lugar, mas de resistir não voltar para o mesmo – e deixar estar, deixar que um outro, inominado, me afete. E sofrer as consequências da insegurança, do não entender, do não conhecer, do não saber. E nesse estado vibrar, mexer, mover, mudar.

Seria a vida então resistir a voltar. Seria vida buscar esse fora. Esse não conhecido. Esse outro. Seria a vida então um espaço-momento de exercício, de estar e jogar. E de com isso acessar/criar a sabedoria, que pode estar na composição com o que me toca e compreendo, tanto quanto num saber de um inconsciente coletivo, ou de uma consciência cósmica, ou outro nome para isso que não conhecemos e não conheceremos em pleno. É um exercício num jogo entre onde estão presentes a sabedoria e a  loucura. E sabedoria e loucura seriam opostos? A sabedoria não seria uma possível compreensão – e não ordenação – do que a loucura não consegue apreender, e por isso se perde em si, e fora, estando dentro?

A diferença estaria num centramento, que não é controle. Seria não rumar para os lugares seguros. Seria estar vivendo o caos, uma vida intensiva, onde consigo estar pois a massa de meu corpo é mais forte do que a massa desses pensamentos, desses hábitos repetidos. E por isso me possibilito não a fuga ao conhecido, mas me manter com o que me afeta, deixar estar, aceitar. Assim, não retornamos para os corpos-pensamentos-hábitos, não aumentamos a sua massa e o seu poder de atração, ao contrário, deixamo-nos ser afetados pelo o que nos vem de fora, e nossa corpo então aumenta sua massa, sua potência. Aumenta então sua força de atração, seu centramento. Abandonamos a prepotência de sermos sujeitos e nos permitirmos ser matéria viva que participa de um movimento maior.

Aumenta nossa capacidade de centramento, de energia que pode ser modulada, mas que sobretudo vibra e move-se em direções que, talvez na maioria das vezes, não poderemos definir: querer controlar modos e direções é perder essa potência, controle seria o contrário de centramento. Aumentar sua massa não aumentaria seu controle portanto. Trata-se de potência de atrair energias e de ser um corpo-caminho possível por onde passa essas possibilidades, um lugar de manifestações, de visibilidades. Seu corpo é obra, é matéria para manifestação da vida, para dar forma ao que, fora, é informe. Seu corpo é acontecimentos.

 

 

 

Eu, agora eu não

Recorre em vontades excluir esses textos. Muito pessoal, muito eu. Ocorre também de me dizer: coisa de quem tinha 24, 25, deixa estar, aceita o processo, as imperfeições, cada vez mais visíveis, menos perfeito, muito mais torto. Aceita que dói menos.

Tudo bem, agora, aos 33 você já não fala tanto de si, está cada vez mais ciente e crítico da cultura do eu – hoje destacada nos selfies. 

Você está cada vez mais próximo de um pensamento do fora, você está estudando: 

“O escritor é aquele que pertence ao exílio, não apenas por estar fora do mundo, mas também por se colocar fora de si.”*

Você está. So que não.

E toma tempo escrevendo isso. E registra, provavelmente para si mesmo, essa agudeza, essa angústia de querer sair e estar tão dentro. Tanto eu.

Um dia ainda vou embora e não volto mais. Me encontrarão vazio de mim.
* A experiência do fora. Blanchot, Foucault e Deleuze

Travessia, travesso, travessura

Estou a reler todos os textos aqui postados. Pode até parecer que gosto demais de mim mesmo a ponto de querer me reler todinho, mas o fato é que é desta noção de coesão, de unicidade, de coerência que quero tratar: uma vez que não sou mais eu, o que escreveu e o que lê – e certamente o que, no futuro, relerá. Muito na travessia muda. Aliás, e de acordo com a canção, tudo muda o tempo tooodo no muuuuuuuuundu.

Bueno, estou a ler, reler, na expectativa de encontrar elos, guias, direcionamentos, como que, a partir desses textos possa construir um mapa e deste avançar para novos horizontes. Acabei de ler um “Textinho acalma-mãe”, onde cito a citação que usei enquanto orador em minha formatura, de Guimarães Rosa: o mais importante não é nem a partida, nem a chegada, e sim, a travessia.

Continuo de acordo comigo mesmo, ainda que outro agora seja. Acontece que dessa travessia já estou um tanto cansado. Suas águas, seus ares, suas terras, já não provocam os mesmos afetos, suas ondas, ventos, topografia, fluxos, já não me movimentam tanto. E a pergunta que jaz aqui é: o problema está no meio? Está na troca? No fato de eu, já tendo me apropriado, devido ao tempo, das materiais presentes nesse local, não ser mais motivado por ele? Ou num possível fato de eu ter engessado a minha sensibilidade, e de, também, ter dado peso demais a mim mesmo – já não atravesso com tanta desenvoltura, pois passei a carregar coisas demais…

Querido diário….

Sigo na leitura, numa possível construção desse mapa: num retorno, para tornar, para vir a ser. Que seja mais leve. Que siga a travessia, essa ou outras, mais travesso, com mais travessura, que siga, mais.

Sobre a referida referência:

“E pra terminar, vou lembrar a frase com a qual iniciei o meu discurso de orador, no momento da minha formatura no curso de Educação Física, esse momento em que você ficou tão feliz, mesmo sabendo não ser esta uma profissão tão promissora. Mal sabia você que além de educador físico, eu optaria por ser uma artista. Caiu o mundo. Disse Guimarães Rosa, mais ou menos assim: o mais importante não é nem a partida, nem a chegada, e sim, a travessia.
Pois estou em plena travessia: ora caminhando, ora correndo, ora saltando, ora malabariando, ora dançando, ora escrevendo, ora chorando, ora dormindo, ora ensinado, ora rindo, ora me pendurando, vivendo… E a chegada? Quem chega é entregador de pizza, carteiro, corredor de maratona, bebê, ou dor de cabeça, mas eu sou é artista.”
http://diegoesteves.in/escritos/2009/04/18/textinho-acalma-mae/