Recorre em vontades excluir esses textos. Muito pessoal, muito eu. Ocorre também de me dizer: coisa de quem tinha 24, 25, deixa estar, aceita o processo, as imperfeições, cada vez mais visíveis, menos perfeito, muito mais torto. Aceita que dói menos.
Tudo bem, agora, aos 33 você já não fala tanto de si, está cada vez mais ciente e crítico da cultura do eu – hoje destacada nos selfies.
Você está cada vez mais próximo de um pensamento do fora, você está estudando:
“O escritor é aquele que pertence ao exílio, não apenas por estar fora do mundo, mas também por se colocar fora de si.”*
Você está. So que não.
E toma tempo escrevendo isso. E registra, provavelmente para si mesmo, essa agudeza, essa angústia de querer sair e estar tão dentro. Tanto eu.
Um dia ainda vou embora e não volto mais. Me encontrarão vazio de mim.
* A experiência do fora. Blanchot, Foucault e Deleuze