Detalhes

São tanto detalhes esquecidos, que me pergunto da importância do que lembrei.

São tantas opções não vividas, que me questiono do porque não escolhi.

São tantas vidas latentes, que cambaleio na vida que me fiz.

E de tudo, o que nos resta é a crença, a fé, de ter consigo que é isso que se é, pois é isso que havia de ser e que, se não for, amanhã não mais será. E que a escolha é nossa. E que esse nós não é nós mesmos, que o controle não existe, que esse eu não pode ser eu, pois se fosse, não seria eu mesmo…

O que me resta, me parece, é olhar para fora, é olhar para o outro, para os outros.

É me pensar como um meio, como algo que se movimenta, e que movimenta coisas.

É me ver – e sentir – como algo que atravessa e que é atravessado.

É me potencializar em trocas, e nas trocas potencializar outros.

É potencializar os processos, para que os processos sigam potentes, sem mim, com outros.

Dizem que é andando que se faz o caminho. Acho que é andando, também, que se faz o caminhante.

E por mais que essa crença me acalme, eu sofro por perder os detalhes.

Ás 22 e tantas

De ser mais do que cabe nesse corpo que se limita à mim

Dia 17 de agosto, um dia depois da mudança de apartamento, um dia antes de viajar para Charqueadas, com o NECITRA, para apresentação do Coisarada. Muitas coisas se movendo em conexões atravessadas, conectadas.

Compro um livro para esperar Fernanda, porque o cinema não tem mais sessão. Não importa. Café, pastéis.

Rilke

Olho para as pessoas e as conheço,

não mais do que meu anseio de querer tomar o mundo para mim,

de me expandir para além da minha história,

da minha memória.

De ser mais do que cabe nesse corpo que se limita à mim

(e eu a ele?).

Desdobrando da primeira para a segunda edição

Dia internacional do amigo, retorno ao blog para atualizar os fatos, para prever os atos.

Atualizando os fatos: na postagem anterior eu escrevi sobre os processos coletivos, do meu trânsito entre uma uma perspectiva positiva e outra, nem tanto. Ontem estive numa segunda reunião no IEACen (continuidade daquela citada na postagem do dia 08 de julho) onde se concretizou ainda mais, a construção coletiva de um evento, convergindo as ideias em uma proposta única, em um encontro das diferenças – para um encontro da dança. Na segunda-feira, no blog do IEACen, atualizaremos mais informações.

Ensaio Desdobramentos 2ª edição

Também, nessas últimas duas semanas, o NECITRA muito se reuniu, a maioria das vezes por solicitação minha – quase um exagero, confesso, mas com o intuito de manter a coesão na gestão dessas 2ª edição do Desdobramentos. É normal e importante a dispersão que se dá nesses processos, e é sempre uma exercício de todos, e um compromisso da coordenação, observar quando é o momento de focar – quando teremos que abandonar ideias, compromissos, vontades, em prol de um projeto que queremos, com o qual nos comprometemos coletivamente. E escolher é fazer concessões.

Não quero, mesmo, que esse blog se torne “o meu querido diário”, mas quero deixar registrado o quanto esses processos tem me potencializado e apontam, creio, para um novo momento da gestão planetária (exagero meu), onde os processos coletivos tomam força, amadurecem sobre novos procedimentos, com a internet, com uma nova apropriação da cultura, da política, da arte…

Ensaio + criação do vídeo-convite

E falando em arte, e atualizando os fatos… já viu o vídeo da primeira edição do Desdobramentos? E já agendou para ir ver a segunda? Fica o convite então: dia 27 de julho, a partir das 19 horas, na Casa Cultural Tony Petzhold.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Hv6ne7c7bgY]

Ponto, linhas e paisagens.

As vezes acredito mais nos processos coletivos, as vezes menos. Na semana passada transitei entre estes dois pólos. Registro aqui alguns pontos que formaram as linhas deste pensamento, projetados nestas linhas de escritas. O ponto de partida, da escrita, ocorreu o dia 05 de julho, após uma reunião no IEACen… o ponto de partida, dos pensamentos, no dia anterior.

No Desdobramentos 1
Parte final da 1ª edição do Desdobramentos – projeto coletivo

Dia 04 de julho, Casa Cultural Tony Petzhold.

Começo a condução de mais um encontro do NECITRA, com a rotina de aquecimento/condicionamento físico. Percebo que o grupo, inclusive eu, está disperso e cansado. Interrompi então a rotina no final da primeira de duas partes, para propor um jogo.

Uma proposta bem aberta, que de início provocou um certa inquietação (e questionamentos) pela falta de especificidade desta proposta… O jogo: entrar em cena quando quiser, sair quando quiser. Propor uma ação, criar um contexto, um jogo, o que quiser, como quiser. Outros entram nesta cena, compartilham, complementam, contrapõem, mudam, repetem, como quiser…

E o jogo se fez, e a conversa, logo após, se iniciou.

Após as primeiras falas, eu abordei as questões levantadas da seguinte forma: “Ouvi em algum lugar o seguinte dizer: quer conhecer alguém de verdade? Coloca ele para jogar…”

Se falou, durante a conversa, da falta de convergência no jogo, da falta de atenção nas propostas. Questionei então: não é isso que tende a acontecer nos processos coletivos?

Se comentou então de, às vezes, mesmo compartilhando a cena, se sentir só. E eu pergunto agora, e lá: mas ficar só estando junto é estar só? A diferenças que se manifestam nos caminhos individuais dentro dos processos coletivos acabam por suscitar esta sensação de solidão. Acredito. Mas se diferentes, estamos juntos, convergindo algo sob os mesmos procedimentos, então não estamos sós. E os procedimentos são os meios com os quais convergimos este algo: a criação.

Somos criadores, compartilhando o mesmo espaço (o mesmo canto). Somos do circo, da dança, do teatro, das artes visuais. Somos artistas e produtores que acreditam – às vezes mais, às vezes menos – que a colaboração nos aprimora em nosso fazer, que o compartilhamento dos processos nos deixa mais conscientes, se vendo no olhar do outro. Que assim nos potencializamos. Acreditamos, às vezes mais, às vezes menos.

E a conversa se deu, do jogo do jogo, para o jogo do dia-a- dia. Para a importância do estado presente no jogo, para o estado presente no treino, no ensaio, na autonomia para ser o proponente, o diretor,  o coreógrafo de seus próprios atos.

E os pontos de vista compuseram linhas convergentes e divergentes. Mas as linhas são abstrações, composições de pontos sobre pontos. E o NECITRA é a convergência de linhas compostas por estes pontos que, transversalmente, se cruzam: uma paisagem complexa que se sustenta, enquanto se sustentam os proponentes destes pontos.

E assim foi o dia 04 de julho, uma composição de pontos num canto, onde o núcleo amadureceu mais um pouco, e cada um de nós, na aceitação da diferença, estando sós estando juntos, sendo um ponto que monta uma linha, uma linha que é um núcleo…

IEACen
IEACen, Casa de Cultura Mário Quintana

Dia 05 de julho, Instituto Estadual de Artes Cênicas, Casa de Cultura Mario Quintana.

Reunião para tratar de evento de dança a ser realizado no 2º semestre. Proposição feita pelo IEACen, para ser discutida e reformulada em conjunto com as entidades: ASGADAN, SATED, Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre e cursos de dança das universidades.  Novamente entra em cena a questão do coletivo. Neste caso, a partir de coletivos instituídos, de representatividades do setor.

Hoje, dia 08 de julho, tento finalizar o texto iniciado no dia 05, após aquela reunião. Nas três horas que se passaram, permaneci no escritório, pensando, e me pus a escrever, para tentar organizar as ideias, unir os pontos. Não consegui tal êxito, nem lá, nem cá. Mas sei que, naquele dia, tal como no dia anterior – em processos coletivos bem distintos – fui atravessado por um satisfação em propor, vivenciar e compartilhar esses processos. Sei que, naqueles momentos, os pontos de vista convergiram, na maioria das vezes, em linhas de pensamento, na criação de projetos colaborativos, na organização de gestões coletivas.

E para o ponto final, deixo um ditado oriental, que li na parede de um banheiro, em um restaurante, em 2011, Caxias do Sul:

“Nenhum de nós é mais inteligente do que todos nós”.

Mas, complemento: só existirá inteligência coletiva quando houver uma convergência mínima nos pensamentos, nas ações, nas produções. Já que, pontos dispersos podem não formar nada, podem não formar uma paisagem, podem ser somente pontos. Pontos que formem linhas. Linhas que formem contornos, direções… Aí entraríamos nos projetos, nas consequências… Aí estou refazendo a paisagem deste blog… Aí estou devaneando… Aí paro por aqui. Boa noite. Ponto. Agora final mesmo. Ponto.

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Dançando para crianças, dançando com crianças, como criança

Amanhã estamos viajando para São Paulo, para a Mostra Rumos de Dança Itaú Cultural: é a primeira apresentação do projeto “Guia Improvável para Corpos Mutantes”, com concepção e direção de Airton Tomazzoni. No elenco e criação, estão Fernanda Boff, Karenina de Los Santos, Kalisy Cabeda e eu. A apresentação da pesquisa será no dia 09 de junho, domingo, às 16 horas…

Guia

Hoje, 09 de junho, 2 horas da madrugada. O parágrafo anterior foi escrito ainda em Porto Alegre, sem sucesso em sua finalização, por ausência de tempos. O tempo de agora deveria estar sendo usado para o sono, mas não queria deixar de fazer esta postagem, de compartilhar esse evento no blog – postagem que vou programar para o meio dia, quando já estaremos novamente no teatro (acabamos de chegar da montagem). Tempos malucos.

Bom, devido ao tempo avançado, e do sono avançado, vou deixar para escrever mais depois. Mas posso adiantar que estou muito contente nessa minha segunda incursão num espetáculo de dança para crianças, mais um vez com a direção do Airton e compartilhando a cena com a Fê e a Kalisy.

Abaixo segue a reportagem que saiu no Correio do Povo e na sequência um vídeo-convite para um evento muito bacana que estará ocorrendo amanhã, o Jazz, Blues e Guloseimas (to por ali no vídeo tb ;)). Boa noite, boa tarde! Tempos malucos. 🙂

Correio do Povo

[vimeo http://vimeo.com/67820603]

Um dia após a primeira edição do Desdobramentos

Arrumando a casa

Ainda estou agitado após a primeira edição do Desdobramentos. Foram momentos tão potentes, um troca tão intensa, que estou ao mesmo tempo cansado e com vontade de ensaiar mais, treinar mais, colocar a segunda edição em cena. É um cansaço cheio de energia: o resultado do conflito entre músculos fadigados e o espírito  energizado.

No público, 150 pessoas (sendo que algumas não puderam entrar, pela limitação da casa), em cena onze dos dezesseis integrantes do núcleo (mais a intervenção da convidada Paula Finn e alunos da oficina de Arte Circense para adultos: André, Júlia, Lívia e Martha). Além desses, equipe técnica, o pessoal dos comes e bebes, professores e a direção da Casa.

Quando a gente projeta algo, nunca tem a certa medida do tamanho do trabalho. Confesso que na semana que antecedeu o evento me preocupei com a nossa criação, sobretudo com a estrutura do evento – lembrando que foi o primeiro deste porte na Casa Cultural Tony Petzhold. E é este o ponto que quero aqui ressaltar: a disposição de todos esses onze ao trabalho coletivo. Foram dias com reunião até uma da madrugada, chegando ao meio dia na casa para antecipar a limpeza antes do treino/ensaio (que começa às 14), compartilhando a divulgação…

É isso, como disse em postagem anterior: para fazer, é preciso fazer. É NECITRA criando cenas, NECITRA comprando material, NECITRA fazendo bilheteria, NECITRA montando som, NECITRA limpando o chão… Todos NECITRA. Somos criadores e produtores das obras e de toda a estrutura para que ela se apresente. E esse todo, para mim, é uma obra. E é nisso que acredito.

Então, acreditamos que ia dar certo, fizemos, e deu. E que venha o próximo Desdobramentos! 🙂

Na foto, um dos dias da arrumação, quando retiramos as cadeiras do depósito sob palco e iniciamos a contagem delas, para mensurar quantas pessoas receberíamos na plateia.

Em breve, fotos e vídeos!

Mas por enquanto, pode olhar a última postagem na página do NECITRA, com vídeos do processo e fotos do ensaio geral: http://necitra.com/2013/05/31/convite-desdobramentos/

Consequente ou consequência?

Céu

Tenho pensado e escrito sobre questões e questionamentos que aqui vou configurar sobre essa pergunta: eu sou consequente ou consequência? Eu, você, e os demais…

Já escrevi aqui da importância que invoco aos projetos, bem como da relação da vida com o andar, com os processos, com a permanência.

Então, sou consequente ou consequência neste viver? Considerando todo processo entre o nascimento e a morte, considerando as escolhas dentro de um sistema pré-determinado, como me relaciono com isso, como me posiciono frente a vida, a sociedade, às pessoas.

Quero então resumir, não de forma inconsequente (espero), mas delimitando palavras-conceitos: consequente e consequência.

Consequente: pessoa que decide ser decidido. Individuo que escolhe ser individual, único, que define escolhas, que projeta seu futuro. Sujeito que está sujeito as curvas da vida, aos tropeços, mas está e é sujeito por escolha. Mede, decide, opta, e arca com as consequências. Sofre por escolhas, consciente, íntegro.

Consequência: sujeito que está alheio aos processos (seus e do todo), que é levado pelos fatos, que roda na esteira do sistema, e é consequência deste. Indivíduo que se assemelha aos demais, um indivíduo que é copia de um modelo, ou tenta ser, ou tentam que ele seja. Sofre por que aconteceu, por que a vida quis, por que não tem como ser diferente, porque vê a vida assim, porque  vê o que é mostrado, não o que escolhe ver.

Esta relação está colocada na física quântica sobre os conceitos de causação ascendente e causação descendente. No primeiro caso, somos causados pelo meio, pela matéria, pela sociedade, poderíamos dizer  que somos um produto. No segundo, somos causadores do meio, somos a causa, projetamos o mundo, projetamos no mundo, criamos, somos produtores. No primeiro, somos consequência, no segundo, somos o consequente.

Provavelmente você, ou alguém, pensou ou disse: não é tão simples assim. Não, não é. Mas como me apetece dizer: para fazer, é só fazer. Para começar, é só começar.

Simples assim, só que não.

Estar ciente, presente, é o começo.

Desdobramentos 1: começando a desdobrar

Desdobramentos todos

 

Projetos, para mim, tem funções primordiais na vida, cito:

1- Projetar, no sentido de lançar ao longe, vislumbrar um possibilidade futura, medir o tamanho da vida a médio e longo prazo (junto a isso, vem o planejamento!);

2- Romper a tendência a inércia, a apatia, a estagnação: como o sagitariano que lança a flecha e depois fica correndo atrás (só tomo cuidado para não me perder neste intermeio entre a partida e o ponto de chegada da flecha, de ser consistente no caminho);

3- Criar! O projeto é uma criação, e é aí que pulsa a vida, onde fica latente a potência de viver: o projeto é uma escolha minha, eu posso ser pretensioso, ou medíocre. 

4- O projeto agrega, o projeto junta, une pessoas. Criar projetos coletivos coloca um todo em prol de um objetivo, promovendo assim coesão em trabalhos colaborativos.

5- Projetos nos potencializam, não mais especificamente pela sua realização, mas pelo processo: projetamos algo, planejamos os procedimentos, administramos as escolhas, e lidamos com todos os contratempos que ocorrem a partir daí, pois a vida nunca é exatamente como planejamos, como projetamos, mas o projeto nos torna ativos nessas vivências onde o indeterminismo prevalece, mesmo que o projeto esteja determinado.

O Desdobramentos é mais um projeto, que demarca um momento e escolhas importantes nessa vida, nesta etapa da vida. Por acreditar em tudo isso, e nesse todo que compartilha esse projeto comigo, criei um vídeo com o intuito de compartilhar isso vocês – o público, os colegas, os amigos, os leitores deste blog -, sendo o vídeo parte do projeto. E o evento, no dia 02 de junho, o primeiro deles, começando a desdobrar: todos convidados!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=zLl0ApSQtfc]

IEACen, políticas, escolhas e um blog

 

Logo IEACen 2011 (1)

Não me recordo ao certo, mas faz algo em torno de um ano que recebi o convite para assumir o cargo de coordenador de dança da Secretaria de Estado da Cultura, junto ao IEACen – Instituto Estadual de Artes Cênicas. Minha resposta: fico feliz com o convite, mas não posso assumir.

Três ou mais meses depois, eu estava ainda mais inserido nas políticas culturais de estado, através de duas entidades representativas: ASGADAN – Associação Gaúcha de Dança, da qual era então conselheiro, e Colegiado Estadual de Circo, do qual ainda sou coordenador. Com isso, crescia a vontade de poder ser mais ativo, de ter poder, no sentido da autonomia de mobilizar algo da estrutura do estado, tão densa e difícil de deslocar. Sentia que tinha que estar mais próximo, que estando dentro da estrutura, poderia ser mais eficiente no meu intento. Mesmo assim, ainda me preocupava com a questão do tempo: de dar conta deste compromisso e manter as atividades do NECITRA e da Canto…

Retornei o contato com o Instituto, e assumi um mês depois.

Oito meses se passaram.

Acredito que o Instituto tem conseguido êxitos nas políticas para as artes cênicas, e faço aqui indispensável menção ao diretor Marcelo Restori, por ser um inteligente combatente neste campo onde a cultura tem pouco espaço.

Ontem, dia 16 de maio, lançamos o novo site do IEACen. Nele, estão os projetos, principais ações e o mapeamento das artes cênicas no estado, ação que tenho gerenciado, com a indispensável contribuição das estagiárias Alessandra, Paula, Camille e Cândida.

Cá está, visite, compartilhe e seja bem-vindo ao IEACen, o endereço está no link “sobre”.  🙂 http://ieacen.wordpress.com/

O vencedor da floricultura e os projetos

Dalai Lama

 

Hoje pelo meio dia, no meu trânsito entre a Casa de Cultura Mário Quintana e a Casa Cultural Tony Petzhold, às pressas, como quase sempre, leio em um pequeno banner com um colorido exagerado, uma frase sobre vencedores e perdedores. Minha primeira reação foi sorrir, antes mesmo de me apegar aos detalhes do texto.

Um sorriso um tanto melancólico, resultado do contraponto entre o discurso do sucesso colado na frágil banca de floricultura, no canteiro central da rua, e a realidade no entorno dessa – pernas velozes, costas curvadas, cigarros acesos, celulares, olhares distantes. Sucesso? Ele está pelas calçadas da Otávio Rocha, ou nos prédios da Carlos Gomes?

Pensamentos que passaram rápido, quando retomei minha atenção para o texto:

O perdedor nunca tenta

O fracassado nunca termina

O vencedor nunca desiste

Me senti leviano e injusto. Não era o texto uma afirmação do sucesso, mas sim da perseverança. E existem poucas coisas na vida que eu prezo tanto quanto a perseverança: o vencedor é aquele que nunca desiste. É esse o sucesso da vida, sempre continuar, sempre. Talvez nem sempre com a mesma velocidade, certamente com variações de ânimo, de confiança, muita vezes com medo, mas sempre andar, sempre ir, repetir, refazer, recriar.

O vencedor é aquele que se mantém no processo. E o processo pressupõe um projeto, pois do contrário, seguirá o processo do discurso do sucesso: trabalhar a custo de tudo, da saúde, da vida – perder a saúde para ganhar dinheiro e perder o dinheiro para ganhar saúde – a atitude dos seres humanos que mais intriga Dalai Lama.

E qual é o seu projeto?