Começando a desdobrar…

para postagem 13.05

 

O NECITRA está entrando em seu quinto ano de atividade. No início, éramos eu e uma equipe de profissionais no entorno da criação do espetáculo “Gestos e Restos”. Ao final do primeiro ano, chegou a Genifer. Logo depois, o Rafael e, na sequência, o Psico. Tivemos a breve participação da Giovana e assim nos encaminhamos para o ano de 2011. O “Coisarada” já estava em processo de criação. Neste ano, juntam-se ao grupo Fernanda, Kalisy e Juliana (que permaneceu até o ano seguinte). Criamos o primeiro “Tubo de Ensaio”, realizado no Dhomba. Em 2012, entram para o núcleo Viviana e Ana Cláudia. E, eu, apresento pela primeira vez “O Inventor de Usamentos”. No mesmo ano, realizamos a 2ª edição do “Tubo de Ensaio”, dessa vez no apartamento da Vivi.

2013: nossa primeira audição inicia os trabalhos do ano. Dentre os que chegaram estão Béthany, Caroline, Gabriel, Fernando, Ludmila, Paola, Pryia e Ramon. E, neste momento, estamos em um novo processo, ou melhor, processos: DESDOBRAMENTOS.

Desdobramentos, palavra que, em resumo, significa, desdobrar o processo de fazer obras (obramentos), fazer dos processos individuais um processo coletivo, e do processo coletivo, pontuado em um evento, um fim. Uma sequência de fins que compõe este meio, sem fim. Desdobramentos é, portanto, mais do que um evento em forma de mostra experimental, é a efetivação de projetos de pesquisas do núcleo, da criação de obras, a maioria cênicas, mas também vídeos, esculturas, textos – enfim, desdobramentos.

Dentre os vídeos, estão sendo feitos registros desse(s) processo(s), para compartilhamentos e trocas dessas experiências. No primeiro destes vídeos, que pretendo finalizar nesta semana, explico um pouco mais deste projeto, bem como exponho uma breve apresentação sobre o núcleo, para quem está nos conhecendo agora. Até lá!

2 todos

Coisas que você precisa saber – se quiser.

consumismo

Essa é a postagem inaugural que resulta de um engajamento na pesquisa por informações (e compartilhamento delas!) sobre a produção, comercio e consumo de produtos. Ela é parte de uma busca pessoal por uma atitude não alienada, por uma presença crítica no consumo de bens e em ações concretas que possam diminuir os impactos ambientais: por exemplo, ter parado com o consumo de carne e a redução de produtos de origem animal, evitando alimentos industrializados e mantendo a coerência pessoal de somente comprar o necessário – de carregar pouco peso nessa vida.

Não se trata de entrar no discurso da sustentabilidade, tão frágil, mas de estar coerente com algumas questões relacionadas à saúde e, sobretudo, éticas:

– Como o budismo, que afirma que não posso viver bem e em harmonia, enquanto existir outros seres sofrendo. Lembro aqui da charge, que minha mãe leu na internet e veio me contar, pois associou a mim. Nela, um menino pergunta para sua mãe: porque o lobo mau é mau? – Porque ele quer comer os porquinhos – diz a mãe, completando – agora vem pra mesa comer seu sanduíche de presunto.

– Porque é essa hipocrisia, essa distância entre o que se diz e o que se faz, que trava a nossa evolução enquanto sociedade, enquanto seres humanos, espirituais (como quiser). Todos ficam chocados com a história de alguém ter maltratado um cão, mas comem tranquilamente gado, porco, galinha…

– Pelos prejuízos que o consumo de carne, derivados e alimentos industrializados podem trazer a saúde. O que são de fato todos aqueles produtos de nomes estranhos inseridos nos alimentos? Qual o efeito deles em meu organismo? Se está entrando no meu corpo, acho justo e responsável comigo mesmo, estar munido destas informações.

Qual o resultado das ações de uma sociedade consumista. De pensar em como seria o mundo se todos consumissem como eu? Como funciona toda essa engrenagem da industrialização, da sociedade de consumo, para manter o capitalismo?

Então, analisando este sistema, de onde vem (e para onde vão) as coisas?

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Um eu de mim mesmo: um blog para transgredir a identidade

Enquadrado
Crédito: Martha Reichel Reus

Diegoesteves.in é o Diego Esteves na versão internet. Não se trata de uma réplica online de uma identidade física, uma vez que é justamente essa coerência identitária que me aflige e que busco, através desse meio virtual, e mais uma vez, transgredir.

Diego Esteves demarca, em nome, os contornos que delineiam um corpo físico. Uma forma-matéria, datada de nascimento e com fim incerto. Transcorre então toda uma vida mais ou menos autônoma e onde busco, ao máximo, a ação presente e consciente: ser protagonista neste processo – mesmo que isso signifique, na maioria das vezes, desapego e aceitação- e fazer da vida uma obra de arte.

Entendo e tomo o corpo (e suas manifestações) como um lugar de passagem, como o lugar de acontecimento, que afeta e é afetado. Com isso, tento me colocar nos contextos onde atuo receptivo a todas as forças que agem sobre ele, respondendo e atuando no sentido da potencialização – não do bom ou ruim, de certo ou errado, mas da potência, uma ética da potência. O que demanda entender os processos, os mecanismos, aceitar o que precisa ser aceito e se engajar em ações concretas, como projetos de vida.

Sujeito em jogo
Crédito: Martha Reichel Reus

O corpo é um lugar de combate, com toda a força necessária para se movimentar, carregando essa matéria que tende ao repouso, à estagnação. A identidade é mais uma representação desta tendência à estagnação. Diego Esteves não é uma identidade, é um nome dado a um processo delineado por um corpo (que como todo corpo, renova praticamente todas as suas células num período de sete anos). O que se sustenta nesse processo é uma história e uma ética, quanto ao resto, se trata de todo um todo de ações em diferentes contextos sociais. Essas ações podem ser identificadas, configurando então uma identidade, mas, uma vez que essas ações são mutáveis, assim como os contextos, tendo como pano de fundo uma coerência ética, as identidades são múltiplas.

Sendo assim, o que este espaço virtual faz é, num primeiro momento, registrar um pouco dessa história em projetos, obras, cursos, dentro de um contexto do mercado de trabalho, ou seja: uma espécie de portfólio, e de registro de processos artísticos.

Junto a isso, um engajamento político, na produção e publicação de material em texto, foto ou vídeo, tratando destes contextos sociais onde atuo, onde sou sujeito: como cidadão, artista, empresário, educador, produtor cultural, gestor público.

Uma questão central.

Não é o desprezo o estimulante mais eficaz da criatividae, pois obriga o indivíduo a superar a si mesmo, pelo receio de se assemelhar ao que é vergonhoso e medíocre? Ora, ensina Zaratustra, “o que há de mais desprezível no mundo” é “o Último Homem”- o homem aviltado, sem fibra e subjugado que, frente à catastrofe da morte de Deus, escolhe se atolar no pântano da “felicidade”; em suma, o homem que se julga esperto porque prefere fruir mesquinhamente em vez de combater heroicamente.(…) Adivinha-se a receita dessa felicidade: a eliminação engenhosamente programada de tudo o que, na realidade, é fonte de conflitos, de lutas, de tensão- e, portanto, de superação. Trata-se de reduzir a existência humana a uma sonolência prazerosa e ininterrupta, a uma iresponsabilidade contente. Reconhece-se aí o ideal da “sociedade de consumo” moderna, versão técnica e publicitária do niilismo passivo.

Trecho do livro Nietzsche – Autor: Jean Granier.

Uma dúvida cruel

Você está num show, intimista, em pé, próximo ao palco, pessoas conhecidas, copo na mão. A música termina, boa música, o copo não. Os aplausos, o copo na mão. Duas mãos, um copo. Como resolver a equação? Duas mãos são necessárias para aplaudir: o copo não pode estar ali. As opções vão passando pela sua cabeça enquanto as mãos estão a beira de um ataque de nervos: você pode fingir que aplaude, acompanhando o ritmo dos demais, mas o músico é seu amigo e ele merece aplausos verdadeiros. Você pode também usar mão e o ante-braço, mas isso não é um aplauso verdadeiro: nem som quase tem. Pode ainda soltar aqueles gritinhos do tipo: uhuuu, isso aí! (correndo o risco de te olharem dizendo: uhuu?!) Ou pôr o copo na cabeça e aplaudir. Ou ainda, lançar o copo para cima (isso caso esteja vazio), aplaudir, e pega-lo novamente. Ou jogá-lo para cima cheio mesmo, mantendo a boca para cima o tempo todo, ou bebendo o líquido na caída, já fora do copo (mas aí Macgyver, você pede os aplauso para si!). Prender o copo entre o ombro e a cabeça, entre o braço e o tronco, ou entre as pernas (mas se derramar neste local complicaria a sua imagem). Morder o copo, aceitando o risco dos cortes na boca, caso quebre. Correr até a mesa mais próxima, deixar o copo e aplaudir. Aplaudir juntando sua mão livre com o vizinho do lado que, disfarçadamente, busca solucionar o mesmo dilema. Pedir para que o vizinho segure o seu copo com a outra mão: assim pelo menos um pode aplaudir (injusto, mas o mundo é assim mesmo). Ou pode ainda… tarde demais, começou a outra música!

Sei cá

Azul da cor do sol.
Como a cor do ar, que sopra em direção a lua, enquanto ela para.
Parada como o coração.
O sangue que circula, em linha, movente.
Os olhos que vêem, entre a pele que sofre.
Entre o sentido que grita.
Que sorri, ao ver o sol.
Quem sabe a chuva.
Que sentem o vento, como a lua, mas não param, se fecham,
Porque só a lua é forte para suportar o vento, parada.

Fazendo

A empolgação que se faz fazendo. O feito que se fez repetindo. Repetindo, repetindo, até ficar diferente. A diferença que se percebe na sensibilidade, exercitada na repetição. Tudo se repete e não se repete.

Caminhamos todos os dias, mas nunca pelos mesmos lugares. Porque mesmo que seja o mesmo nome de rua, ela já mudou de um dia para o outro, de um segundo para o outro.

Assim é com o corpo. Assim é conosco. Assim é. Mas perceber essa diferença é um exercício de repetição. Só passando muitas vezes pela mesma rua, para poder conhecê-la tão bem, que possa se perceber o que mudou, de um dia para o outro, de um momento para o outro.

Quando se sente empolgado com uma coisa que você já fez muitas vezes, pode ser porque agora percebe diferença, fruto do fazer. Isso se for algo que se faz por vontade por desejo. Isso é estudo. O ser que não desiste ante as primeiras dificuldades, que se permite tentar, errar e acertar num fazer, qualquer que seja, corre o risco de descobrir neste fazer coisas que os demais nem se quer imaginam.